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Ibovespa cai entre cautela sobre juros externos e atenção às eleições no Brasil

Pesquisas eleitorais continuam mostrando uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL)

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O Ibovespa registrava queda após um momento de indefinição em boa parte da sessão desta quinta-feira (1), em meio à expectativa para o primeiro turno das eleições no Brasil e viés negativo em Wall Street, enquanto Petrobras (PETR3, PETR4) fornecia algum suporte positivo.

Por volta de 12h45 (horário de Brasília), o índice de referência do mercado acionário brasileiro caía 0,60%, a 185.214 pontos.

Pesquisas eleitorais continuam mostrando uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O primeiro turno está marcado para domingo, mas é alta a probabilidade de que a eleição seja definida apenas no segundo turno, no final de outubro.

Na visão do analista de renda variável Gabriel Mota, da Manchester Investimentos, os investidores vão esperar para se posicionarem mais forte depois do primeiro turno, que será um termômetro para o segundo turno.

“Se for um primeiro turno acirrado, com uma diferença de 2 ou 3 pontos percentuais entre os candidatos, com o Lula terminando à frente, a expectativa é que o Flávio consiga reverter essa diferença no segundo turno. Já uma diferença de 6 pontos percentuais seria muito difícil uma reversão”, afirmou.

Antes, nesta quinta-feira, nova pesquisa Datafolha deve ocupar as atenções no começo da noite, que ainda reserva debate entre os candidatos a presidente na TV Globo, embora sem a presença de Lula, que participará do podcast Flow.

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Além da pesquisa Datafolha, saiu nesta manhã um levantamento da Real Time Big Data, que mantém o quadro de empate técnico em eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

“Os ativos devem continuar dividindo o foco entre o ambiente internacional e as eleições”, diz Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria.

De acordo com o analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, para os mercados, o principal ponto de atenção permanece sendo a percepção sobre a condução fiscal a partir de 2027.

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Mota afirmou que outubro será um mês com o radar totalmente voltado para as eleições do ponto de vista local, mas não se pode esquecer do cenário externo, principalmente dos juros nos Estados Unidos, do estresse com uma possível inflação mais resiliente, uma inflação maior no mundo todo ocasionada por conta da guerra do Irã.

“Se tivermos uma puxada de juros nos Estados Unidos, isso reduz o apetite no mundo como um todo.”

Treasuries em destaque

No exterior, o mês começava com o norte-americano S&P 500 em queda de 0,14% e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos a 5,321%, de 5,283% na véspera.

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Conforme destaca Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a alta dos Treasuries aumenta o retorno exigido para investir em mercados emergentes e, por isso, tende a reduzir o fluxo para o Brasil, pressionar o real e manter os juros longos domésticos elevados.

“O diferencial de juros brasileiro ainda funciona como proteção, mas perde força quando o investidor consegue obter mais de 5% em títulos americanos com risco muito menor. Na Bolsa, o efeito principal é uma taxa de desconto maior, que reduz o valor presente das empresas e pesa especialmente sobre ações de crescimento, consumo e companhias mais alavancadas”, aponta.

Para Lima, o risco externo sozinho já justificaria maior prêmio nos ativos brasileiros, mas o efeito pode ser amplificado pelo período eleitoral: qualquer aumento da percepção de risco fiscal doméstico tende a produzir uma reação mais forte em câmbio e juros. Nesse ambiente, empresas com geração de caixa mais previsível, menor alavancagem e receitas em moeda forte tendem a apresentar maior resiliência relativa.

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André Matos, CEO da MA7 Capital, vê um “movimento diferente de tudo o que vimos nos últimos anos”, com a alta dos yields dos Treasuries.

“Normalmente, quando o mundo se assusta, o dinheiro sai de emergente e corre para o título americano. Agora é o próprio título americano que está sendo vendido, com o rendimento de dez anos chegando a 5,34%, o maior nível desde 2002, e o movimento é generalizado, com o papel francês no pior trimestre desde 1987 e o britânico de trinta anos acima de 6%, o maior desde 1998. Ou seja, o investidor está cobrando mais caro para financiar governo endividado, seja ele qual for, e isso muda o preço de tudo”, avalia.

DESTAQUES

• VALE ON (VALE3) recuava 1,43%, em linha com o movimento de mineradoras no exterior, sem a referência do mercado na China por feriado naquele país. No setor, CSN MINERAÇÃO ON (CMIN3) caía 1,2% e USIMINAS PNA (USIM5) recuava 1%, enquanto CSN ON (CSNA3) avançava 0,35% e GERDAU PN (GGBR4) registrava declínio de 0,04%.

• PETROBRAS PN (PETR4) subia 0,88% e PETROBRAS ON (PETR3) avançava 0,78%, endossadas pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional. A estatal também aumentou o preço de venda de querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir desta quinta-feira, conforme dados divulgados pela companhia para as principais bases de distribuição do país.

• ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) recuava 0,24%, em dia de acomodação após desempenho robusto do setor na véspera. BRADESCO PN (BBDC4) perdia 0,11%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) cedia 0,26% e SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) caía 2,89%.

• NUBANK (NU), que é listado em Nova York, subia 3%, após afirmar que não está buscando uma transação com a fintech britânica Monzo, dias depois de reportagens na imprensa afirmarem que o maior banco digital da América Latina estava negociando uma potencial aquisição da empresa do Reino Unido.

• AZZAS 2154 ON (AZZA3) disparava 8%, em meio a expectativas envolvendo uma alternativa para sua unidade FARM Rio. Na véspera, o jornal Valor Econômico publicou que as negociações em torno da venda da Farm envolvem 15 propostas não legalmente vinculativas já formalizadas para representantes da companhia até o momento e as partes envolvidas têm que entregar em outubro uma proposta vinculante pelo ativo.

• BRASKEM PNA (BRKM5), que não está no Ibovespa, recuava 6,13%, devolvendo parte da alta de quase 14% na véspera, enquanto investidores seguem acompanhando as negociações da petroquímica com credores.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)