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Ibovespa cai seguindo exterior em meio a avanço da Covid e dados da China; dólar sobe a R$ 5,42

Mercado registra desempenho negativo na esteira do noticiário internacional enquanto investidores monitoram leilão da Cedae por aqui

(dima_sidelnikov/Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (30) conforme as ações globais se afastam dos recordes registrados ontem. As preocupações com o avanço do coronavírus em países como a Índia pressionam as cotações de commodities tais quais o petróleo, que cai mais de 2%.

A fraqueza no exterior também ocorre em meio a dados decepcionantes da atividade econômica na China e com uma correção em Wall Street depois da alta da véspera, impulsionada pelos números fortes de Apple e Facebook. Ontem depois do fechamento foi a vez da Amazon surpreender positivamente com seu resultado do primeiro trimestre.

Sobre a China, dados oficiais mostraram que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria chinesa foi de 51,9 em março para 51,1 em abril. Ainda que o resultado acima de 50 mostre expansão da manufatura, analistas previam um recuo menor, para 51,6.

Por aqui, os investidores repercutem os resultados de empresas como Fleury (FLRY3) e Unidas (LCAM3) ao mesmo tempo em que a Petrobras (PETR3; PETR4) divulgou redução de aproximadamente cinco centavos nos preços da gasolina e do diesel. Essa será a primeira revisão nos valores dos combustíveis da gestão Silva e Luna. Para mais destaques de ações clique aqui.

Na parte política, os investidores acompanham o leilão de concessão da Companhia Estadual de Água e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que contará com a presença do presidente Jair Bolsonaro. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) chegou a aprovar um projeto de lei para tentar impedir o leilão, mas o governo do estado e o Planalto mantiveram a programação.

Entre os indicadores, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, revelou que a taxa de desemprego ficou em 14,4% no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2021. A média das projeções dos economistas apontava para um desemprego em 14,5% de acordo com dados compilados pela Refinitiv.

Às 12h38 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 0,27%, a 119.741 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 1,59% a R$ 5,421 na compra e a R$ 5,421 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em maio registra valorização de 1,15% a R$ 5,40.

O índice do dólar contra diversas moedas globais avança 0,3%, mostrando que o movimento de correção da moeda dos EUA após forte queda no mês é internacional.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe quatro pontos-base a 4,65%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de oito pontos-base a 6,26%, o DI para janeiro de 2025 avança oito pontos-base a 7,76% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de oito pontos-base a 8,41%.

Voltando ao exterior, novos surtos de Covid-19 na região asiática também inspiram cautela. Nas últimas semanas, a Índia vem registrando sucessivos recordes globais de novos casos diários. No Japão, as mortes pela doença ultrapassam 10 mil, em meio ao que especialistas estão descrevendo como quarta onda de infecções no país. A Bolsa de Tóquio ficará sem operar até quarta-feira (5 de maio), devido a feriados da chamada Semana Dourada.

Na Europa, o banco Barclays reportou lucro líquido de 1,7 bilhão de libras pela primeira vez para um primeiro trimestre, acima da estimativa de 1,3 bilhão de libras. Mesmo assim, a sessão é de queda para os ativos.

A farmacêutica britânica AstraZeneca teve alta de quase 3% mais cedo, após anunciar que sua vacina contra a Covid, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, adicionou o equivalente a US$ 275 milhões em vendas no primeiro trimestre.

Na agenda econômica, destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro, que superou as expectativas dos economistas positivamente, em queda de 0,6% no primeiro trimestre na comparação sequencial, sendo que a expectativa era de contração de 0,8%. Na comparação anual, a queda foi de 1,8%.

Mais de 400 mil mortes por Covid

Na quinta (29), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.523, queda de 12% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 3.074 mortes.

Assim, o país bateu a marca de 400 mil mortes por Covid na quinta. No sábado, abril já tinha se tornado o mês mais mortífero da doença no Brasil, de forma que os quatro primeiros meses do ano tiveram mais mortes do que todo o ano de 2020.

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As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.
A média móvel de novos casos em sete dias foi de 60.170, queda de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 69.079 casos.

31.208.111 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 14,74% da população. A segunda dose foi aplicada em 15.132.178 pessoas, ou 7,15% da população.

Na quinta, a CPI da Covid instalada no Senado aprovou a convocação para depor do atual ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, e dos ex-ministros da pasta durante o governo Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, também foi convocado.

Também na quinta, chegou ao Brasil o primeiro lote de vacinas da Pfizer, com 1 milhão no total.
Na quinta, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, realizou um pronunciamento em que rebateu as alegações do Fundo Russo de Investimento Direto, responsável pela comercialização da vacina, de que a decisão da Anvisa de barrar a importação de doses da Sputnik V teve motivação política.

“Queremos refutar a grave acusação que impacta na confiança e na credibilidade da agência sanitária brasileira”, disse Torres.

Governadores apresentaram na quinta-feira à Anvisa um novo pedido de análise para liberar a importação da vacina russa contra Covid-19 Sputnik V, no qual contestam a informação divulgada pelo órgão regulador brasileiro sobre a suposta presença de adenovírus replicante no imunizante.

A questão do adenovírus replicante foi um dos pontos mais importantes para a decisão da diretoria colegiada da Anvisa de rejeitar por unanimidade, na segunda-feira, a importação da vacina russa.
Mais cedo na quinta, a cúpula da agência fez um pronunciamento e deu entrevista coletiva para reafirmar as informações que embasaram a decisão de recusar a importação, com a divulgação de informações sobre a presença do adenovírus replicante prestadas pelo próprio desenvolvedor da vacina, segundo a Anvisa.

Contudo, logo em seguida e numa espécie de contra-ataque, governadores e o fundo russo responsável pela comercialização do imunizante divulgaram novos documentos para atestar que não haveria adenovírus replicante e pedir uma reanálise.

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A documentação foi divulgada pela assessoria do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que tem liderado os esforços entre os chefes de Executivos estaduais sobre o assunto.

Quebra de patentes

O plenário do Senado aprovou na noite desta quinta-feira um projeto de lei que prevê quebra temporária de patentes de vacinas, testes e medicamentos contra a Covid-19 no período que durar a pandemia de coronavírus.

O texto foi aprovado por 55 votos a favor e 19 contra, e agora segue para a Câmara dos Deputados.

Ainda no radar, o governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registrou um superávit primário de R$ 2,101 bilhões em março, divulgou o Tesouro na quinta-feira.

O dado veio melhor que a projeção de analistas de um déficit de R$ 3,1 bilhões, segundo pesquisa da agência internacional de notícias Reuters. No acumulado do ano, o governo central acumula superávit de R$ 24,443 bilhões. No acumulado em 12 meses, o rombo até março foi de déficit de R$ 759,5 bilhões, equivalente a 9,5% do PIB.

Em março de 2020, quando a economia do país começava a ser impactada pelo coronavírus e medidas de fechamento, o governo central registrou déficit primário de R$ 21,131 bilhões.

Segundo reportagem do jornal Valor, o cenário externo está mais favorável para as fabricantes de bens de consumo, como calçados, vestuário, artigos de higiene e beleza e alimentos industrializados. Isso se deve ao avanço da vacinação e consequente retomada da economia em países como Estados Unidos e China, que são os maiores importadores de produtos do Brasil. As exportações também são favorecidas pelo real desvalorizado.

Radar corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, as ações vendidas em follow-on pela Lojas Renner (LREN3) foram precificadas a R$ 39, levando a uma captação pela varejista de  R$ 3,978 bilhões. Foram vendidos 102 milhões de papéis.

Atenção ainda para a temporada de resultados: a Duratex (DTEX3) teve lucro líquido de R$ 172,699 milhões no período, alta de 232,2% em comparação com os três primeiros meses do ano passado.

A rede de laboratórios Fleury  lucrou R$ 118,6 milhões no primeiro trimestre de 2021, valor 102% superior ao do mesmo período do ano passado. O número também bateu a média das expectativas dos analistas segundo a Refinitiv, que apontava para um lucro de R$ 97,31 milhões no período.

O grupo de aluguel de veículos e gestão de frotas Unidas teve lucro líquido recorde de 231,4 milhões de reais no primeiro trimestre, quase três vezes acima do resultado obtido no mesmo período de 2020, apesar da incidência de novas medidas de isolamento social no trimestre.

A sessão desta sexta marca a estreia do banco digital Modalmais na B3. As units da companhia foram precificadas a R$ 20,01, em oferta que movimentou cerca de R$ 1 bilhão.

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