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Ibovespa vai à mínima com notícia de impasse nas negociações entre EUA e China

Mercado aponta para mais uma queda do benchmark, que já perdeu 3 mil pontos desde a quinta-feira

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SÃO PAULO – O Ibovespa vai à mínima nesta quarta-feira (13), com a notícia de que Estados Unidos e China chegaram a um impasse na guerra comercial. Segundo informações da Dow Jones, a China não quer fixar um compromisso numérico na compra de produtos agrícolas americanos, indo contra o presidente dos EUA, Donald Trump, que disse que o país asiático concordou em comprar até US$ 50 bilhões por ano em soja, carne de porco e outras commodities.

Além disso, investidores ainda citam as tensões na América do Sul e a crise entre o presidente Jair Bolsonaro e o PSL como focos de pessimismo.

Às 16h37 (horário de Brasília) o Ibovespa tinha baixa de 1,08% a 105.599 pontos. Na mínima do pregão, o benchmark chegou a bater 105.585 pontos.

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Já o dólar comercial sobe 0,47% a R$ 4,1839 na compra e a R$ 4,1864 na venda. O dólar futuro com vencimento em dezembro registrava ganhos de 0,43% a R$ 4,192.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 avança cinco pontos-base 4,62% e o DI para janeiro de 2023 sobe dois pontos-base a 5,73%.

Ontem, o presidente americano, Donald Trump, frustrou quem esperava por um adiamento nas tarifas à importação de carros europeus e dobrou a aposta no discurso mais agressivo contra a China.

Trump disse que o fechamento da fase 1 de um acordo com os chineses pode ocorrer rapidamente, mas ameaçou o país asiático afirmando que pode elevar ainda mais as tarifas se não se chegar a um consenso. Como resposta, o jornal chinês Global Times publicou que as declarações dos EUA “entediam” e que o governo americano “acredita em uma mentira contada mil vezes”.

Os investidores, especialmente os locados na América Latina, acompanham ainda a onda mundial de protestos, que além de Hong Kong – que hoje viveu o terceiro dia consecutivo de escalada de violência –, se espalhou no Chile, onde uma greve geral está prevista, e na Bolívia, onde a segunda vice do Senado, Jeanine Añez, em uma manobra e sem aval do Congresso, se declarou presidente, falando em convocar eleições “o mais cedo possível”.

Para Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, a escalada de instabilidade na América Latina afetou a percepção do estrangeiro para a região depois do Chile propor uma nova Constituição. O investidor lá fora, de acordo com o analista, junta isso com a saída do presidente Jair Bolsonaro do PSL para verificar um balanço de riscos mais negativo.

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Bolsonaro oficializou na véspera a sua saída do partido pelo qual foi eleito presidente, anunciando a criação de uma nova legenda, a Aliança pelo Brasil.

“Ainda não existe um temor no mercado de que essa ruptura vai impactar no andamento das reformas, mas é mais uma fonte de incertezas”, diz Gabriel Fonseca.

Entre os indicadores, as vendas no varejo brasileiro cresceram 0,7% em setembro, acima da expectativa mediana dos economistas apurada pelo consenso Bloomberg, que apontava para um avanço de 0,6%. É o quinto resultado positivo consecutivo, período em que o segmento acumulou ganho de 2,4%. Comparado a setembro de 2018, o varejo cresceu 2,1%, sexta taxa positiva seguida.

No Congresso, o debate sobre uma nova Constituinte trouxe divergências entre os presidentes das duas Casas. Rodrigo Maia fez duras críticas à hipótese, que surgiu após sugestão de Davi Alcolumbre, em meio à discussão de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a prisão em segunda instância.

Ainda hoje, Bolsonaro recebeu o líder chinês Xi Jinping, no Palácio do Itamaraty, e assinou nove atos para aprofundar a relação entre os dois países.

Noticiário Corporativo

No corporativo, estão previstas as divulgações dos balanços de Natura, Via Varejo, Vivara, Centauro, Cogna, Aliansce, Eztec, Rossi, Light, Cemig, Taesa, Alupar, Randon, Bradespar, Qualicorp, Positivo e Hapvida.

Entre os resultados divulgados à noite, a MRV registrou lucro líquido de R$ 160 milhões no terceiro trimestre deste ano. A cifra é 8% menor que o valor registrado no mesmo período do ano passado (R$ 174 milhões). Já a Wilson Sons viu seu lucro líquido recuar 9,5% na comparação com o mesmo período de 2018, totalizando US$ 14 milhões. A CPFL Energia registrou lucro líquido de R$ 748 milhões, enquanto a Even lucrou R$ 16,5 milhões. Enquanto isso, a Trisul teve lucro de R$ 42,6 milhões.

A Petrobras iniciou o processo de venda de 100% de seus negócios de distribuição de combustíveis, lubrificantes e fertilizantes no Uruguai. O portfólio de ativos da estatal brasileira no Uruguai inclui uma rede de 90 postos, 16 lojas de conveniência, um terminal logístico de lubrificantes e uma planta de QAV, sendo a segunda maior distribuidora do país vizinho. Já o Magazine Luiza levantou R$ 4,73 bilhões com oferta de ações, segundo fontes consultadas pela Bloomberg.

Bolsas Internacionais

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A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera, que sem um acordo com os chineses “haverá aumentos significativos das taxas”, ampliou o sentimento de aversão ao risco derrubando os futuros de Nova York e as bolsas. “O comércio deve ser justo e, para mim, deve ser recíproco. Somos competitivos como nenhuma outra nação”, disse.

Trump alertou ainda que uma vitória dos democratas em 2020 poderia colocar em risco os ganhos do mercado acionário obtidos ao longo de seu governo. Adicionalmente, cabe destacar que começam hoje os depoimentos relacionados ao seu processo de impeachment no Congresso.

Nos indicadores internacionais, em setembro frente agosto, a produção industrial da zona do euro, ajustada sazonalmente, aumentou 0,1%, segundo estimativas do Eurostat, o escritório de estatística da União Europeia. Em agosto de 2019, a produção industrial aumentou 0,4%.

Já o CPI do Reino Unido subiu 1,5% em outubro ante igual mês do ano passado, desacelerando em relação ao ganho anual de 1,7% observado em setembro e atingindo o menor nível desde novembro de 2016. O resultado veio em linha com as estimativas, mas afastou ainda mais a inflação da meta do Banco da Inglaterra, de 2%.

Destaque ainda para o relatório Perspectiva da Energia Global da Agência Internacional de Energia (AIE), afirmando que a produção de xisto dos Estados Unidos remodelará os mercados de energia globais nos próximos anos, reforçando a influência do país, em contraposição aos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A AIE afirma que, mesmo com o crescimento anual na produção americana desacelerando nos últimos anos, projeta que políticas já anunciadas significam que o país será responsável por 85% do aumento na produção global de petróleo até 2030.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado e Bloomberg)

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