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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (16) em meio a notícias de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está perto de deixar o governo. Ontem, a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso uma proposta de Orçamento que prevê um superávit primário de 0% a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Levy, havia dito recentemente que sairia do cargo se a meta fiscal fosse reduzida dos 0,7% pedidos por ele, de modo que já há quem considere sua saída uma questão de tempo.
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Às 12h32 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 0,92%, a 44.458 pontos. Assim, a nossa Bolsa contraria o movimento das bolsas mundiais, que sobem antes da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) que deverá culminar com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Vale lembrar que hoje é dia de vencimento dos contratos futuros e opções sobre o Ibovespa.
Já o dólar comercial registra ganhos de 1,44% a R$ 3,9324 na venda, enquanto o dólar futuro para janeiro de 2016 subia 1,45% a R$ 3,946. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 6 pontos-base a 16,15%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 33 pontos-base a 16,46%.
Levy e ajuste fiscal
O mercado também reage à notícia do jornal Valor Econômico de hoje de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy já acertou com a presidente Dilma Rousseff sua saída do governo há alguns dias. O ministro permanecerá no cargo por um breve período até que a presidente encontre um substituto e o cenário político fique mais nítido. O Palácio do Planalto, afirma a colunista Claudia Safatle, teria pedido uma transição de forma mais suave e discreta para não assustar o mercado.
Além disso, segundo o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a depreciação cambial desta quarta tem um motivo além da saída quase certa de Levy. Este motivo é o temor de que quem assuma o seu posto na Fazenda seja o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Nome mais heterodoxo, Barbosa é visto como um defensor do ajuste fiscal por meio de aumento de tributos e não corte de gastos, além de poder reeditar as políticas econômicas intervencionistas da primeira gestão Dilma.
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O grande motivo para uma possível indicação de Barbosa seria a necessidade do governo de ganhar pontos com a sua base de esquerda em meio ao desenrolar do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é um nome difícil, já que seu relacionamento com Dilma não é bom.
Por outro lado, foi aprovado o projeto que repatria recursos de brasileiros no exterior não declarados ao Fisco com mudanças na redação que permitem que a presidente faça alterações e restabeleça a essência do texto. O Congresso limpou a pauta para votar nesta quarta-feira os projetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 e do Plano Plurianual (PPA) 2016-2019.
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Rito de impeachment
No noticiário político, o STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar hoje a validade da Lei 1.079/50, que regulamentou as normas de processo e julgamento do impeachment, e alguns artigos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. As normas foram utilizadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para dar andamento às etapas inciais do processo, que foi suspenso pelo ministro Edson Fachin, relator da ação que trata do assunto, a pedido do PCdoB, até decisão do plenário.
A sessão está prevista para começar às 14h, pela leitura do relatório da ação. Em seguida, será aberto prazo de 15 minutos para que cada uma das partes do processo, incluindo a Câmara, o Senado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a presidente Dilma Rousseff, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), possa se manifestar. O PT, PSDB, DEM, PSOL, a Rede, o PP e a UNE (União Nacional dos Estudantes) terão que dividir uma hora para sustentação oral. Após as manifestações, Fachin e os demais ministros começam a votar. O voto do ministro tem cerca de 100 páginas. A previsão é que o julgamento não termine hoje e seja retomado amanhã (17).
Além disso, o PMDB reúne hoje a Executiva Nacional do partido, em evento que começou às 10h30, em Brasília. A reunião foi convocada pelo presidente da legenda, vice-presidente Michel Temer, e vai discutir, entre outros assuntos, a operação deflagrada na terça-feira (15) pela Polícia Federal de busca e apreensão em endereços de lideranças do partido, entre elas o presidente da Câmara, ministros e ex-ministros peemedebistas. Segundo interlocutores do partido próximos a Temer, há pressão para que o PMDB defina um posicionamento único em relação à aliança com o PT e ao apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. Uma parte do partido, ligada a Cunha, defende o rompimento com o Palácio do Planalto.
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Indicadores
Hoje o varejo surpreendeu e avançou – Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume de vendas no varejo avançou 0,6% em outubro ante setembro, acima da queda de 1% projetada pelo mercado. Na comparação anual recuo de 5,6%, menor do que os 8,3% aguardados pelo mercado. No comércio ampliado recuo de 0,1% ante a queda de 1,9% esperada pelo mercado. Assim, no acumulado dos dez primeiros meses do ano, o comércio varejista recuou 3,6% frente a igual período de 2014. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, com recuo de 2,7% em outubro de 2015, assinalou a perda mais intensa desde janeiro de 2004 (-2,9%) e manteve a trajetória descendente iniciada em julho de 2014 (4,3%).
Ações em destaque
As ações de blue chips caem, como ocorre com a Petrobras (PETR3, R$ 8,97, -1,43%; PETR4, R$ 7,31, -1,48%). No radar das estatal, a pressão feita pelo Ministério de Minas e Energia para que a empresa assinasse um novo contrato de longo prazo para fornecimento de nafta à Braskem (BRKM5, R$ 26,16, +0,77%) foi em vão. Na noite desta terça-feira, 15 a estatal informou que as “tratativas” com a petroquímica continuam, e com isso não foi assinado um novo contrato.
O mais recente aditivo formalizado entre as companhias tinha validade o dia 15 de dezembro. Em comunicado, a Petrobras informou que “não haverá interrupção no fornecimento até o acordo definitivo”. Desde a sexta-feira passada o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, pressiona publicamente a diretoria da Petrobras. Na oportunidade, diante de uma plateia formada por executivos da indústria química, Braga revelou detalhes daquele que seria o novo contrato de longo prazo entre as empresas.
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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Após subir 9,09% ontem, as ações da Oi (OIBR4, R$ 1,61, 11,81%) têm um novo dia de alta, com ganhos de quase 7%. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a companhia conseguiu levantar US$ 1,2 bilhão – por volta de R$ 4,7 bilhões – com o China Development Bank (CDB), o “BNDES chinês”, para fazer investimentos e quitar parte de sua dívida no próximo ano. O jornal apurou que o contrato está fechado e deve ser anunciado até sexta (18). Cerca de metade do valor (US$ 600 milhões) será usada em investimentos, sendo que a Oi terá de comprar equipamentos da fornecedora chinesa Huawei.
Cenário externo
Na Europa, o dia é de cautela, com os mercados registrando leves ganhos também à espera do Fomc. Em destaque no cenário corporativo por lá, está o Casino, que sobe 7% após a companhia anunciar planos de redução de dívida.
Enquanto isso, as bolsas asiáticas subiram com força nesta quarta-feira, com a confiança sendo impulsionada pela alta em Wall Street antes da provável elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, que ocorrerá às 17h. O índice Nikkei avançou 2,6%, se recuperando da mínima de dois meses atingida na sessão anterior com o humor para o risco melhorando antes de um dos eventos do mercado mais antecipados deste ano. Com o aumento dos juros sendo visto como praticamente certo após mais de um ano de antecipação, o foco do investidor está em como será o ritmo do ciclo de aperto que o Fed vai optar por fazer no próximo ano. O banco central da mair economia do mundo já sinalizou que pretende elevar os juros de forma gradual.
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