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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em baixa nesta sexta-feira (17) com o avanço maior do que o esperado da inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – Quizenal). Lá fora, as bolsas mundiais caem forte tanto por preocupações com a crise da renegociação da dívida da Grécia, como por rumores de mudanças regulatórias na China. A Petrobras também se mantém no radar depois de notícia de que a estatal não irá pagar dividendos relativos ao exercício de 2014.
Às 15h49 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,12%, a 54.063 pontos, enquanto o dólar comercia registrava alta de 1,21%, a R$ 3,0512 na compra e a R$ 3,0533 na venda. Lá fora, o desempenho dos mercados não era melhor, com as bolsas norte-americanas caindo entre 1,3% e 1,8%. Os mercados como um todo tinham um dia de sell-off com o índice das principais ações europeias fechando em queda de 1,76%.
De acordo com o analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, o mercado está em um momento de “respiro” depois do rali das últimas semanas. Além disso, o fato de segunda-feira (20) ser dia de vencimento de opções sobre ações, trazia volatilidade ao pregão, de acordo com ele.
Ao mesmo tempo, o cenário político doméstico ganhava mais imprevisibilidade depois que a oposição protocolou o pedido de abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos empréstimos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) entre 2003 e 2015.
No entanto, para Luis Pereira, os movimentos da oposição têm um peso menor no mercado do que a crise dentro da própria base aliada do governo, mais diretamente ligada à aprovação das medidas de ajuste fiscal. “A gente não vê um aumento da percepção de risco por parte do mercado. Se a questão do impeachment começar a chegar a níveis mais preocupantes, pode impactar o mercado”, explica.
Inflação e FMI
No caso da inflação, o índice registrado foi de 1,07% ou 8,22% no acumulado de 12 meses, superando as expectativas da mediana dos analistas ouvidos em pesquisa da Bloomberg, que era de uma desaceleração para 1,02% na comparação mensal e para 8,17% no acumulado de 12 meses. Em relatório ao mercado, a XP Investimentos lembra que foi a taxa mais elevada para meses de abril desde 2003, naquele ano atingiu 1,14%.
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Os investidores ainda mantém ouvidos bem atentos às declarações ventiladas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que participa de encontro de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional). Levy afirmou em um debate nesta sexta-feira, 17, durante a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), que a participação do setor privado é importante para aumentar os recursos disponíveis para o investimento em infraestrutura. O ministro enfatizou ainda que o País tem regras claras para a realização de investimentos e uma experiência de 20 anos das diversas agências reguladoras, que têm autonomia para resolver questões.
O ministro ontem se encontrou com a presidente da instituição, Christine Lagarde. Pela manhã, Lagarde já falou sobre o Brasil, considerando positivo o ajuste fiscal que o País implementa para arrumar as contas públicas, mas avisou que é preciso ir além dele para evitar a tendência global que ela chamou de “new mediocre” (novo medíocre), ou seja o risco da economia mundial ficar presa num atoleiro de baixo crescimento.
Ao mesmo tempo, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa da reunião de Ministros da Fazenda e Presidentes de Bancos Centrais do G20, em Washington.
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Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4), tinham alta depois de passar a maior parte da manhã operando em baixa. A estatal reiterou que as demonstrações contábeis da empresa serão divulgadas no próximo dia 22. E, de acordo com informações da Agência Estado, a petroleira não deve distribuir dividendos sobre o resultado de 2014 aos seus acionistas.
Segundo as informações, a companhia deve zerar seu lucro do ano por conta das perdas que serão lançadas no terceiro e quarto trimestres. Em esclarecimento sobre a nota, a companhia disse não serem “legítimas outras estimativas que não sejam aquelas divulgadas pela própria companhia através de comunicados e fatos relevantes ao mercado”. “Considerações sobre os resultados de 2014 estão sendo inferidas a partir de documentos já divulgados, ou seja, tornados públicos pela própria Petrobras, assim como por estimativas de terceiros que utilizam metodologias e princípios contábeis de domínio público”, afirmou a companhia.
Além disso, o colunista da Veja Online, Geraldo Samor, disse que a petroleira já negocia um novo empréstimo com a China no valor de US$ 8 bilhões.
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Outra gigante que via desvalorização era a Vale (VALE3; VALE5), em meio às revisões para baixo do preço do minério de ferro pelo Goldman Sachs para US$ 44 a tonelada e de US$ 40 para a Moody’s. A mineradora ainda rebateu as acusações de desrespeito aos direitos humanos e ambientais, que constam do Relatório de Insustentabilidade da Vale 2015, divulgado hoje (16) pela organização Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, no qual fazem contraponto ao Relatório de Sustentabilidade da Vale.
Em nota divulgada no início da noite, a mineradora negou que haja licenciamento irregular, sem realização de audiências públicas e de consultas prévias, para ampliação da produção, em Carajás (PA), com a duplicação da Estrada de Ferro Carajás. Segundo a empresa, todos os processos de licenciamento ambiental para os projetos seguem rigorosamente a legislação sobre o tema. As ações da CSN, que tiveram forte alta na véspera, caem 2,59%.
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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China e Grécia preocupam
O índice das principais ações europeias fechou em queda nesta sexta-feira, com operadores apontando para a fraqueza nos mercados futuros chineses como um dos motivos para a queda, em um pregão também marcado por uma interrupção nos terminais financeiros da Bloomberg.
O índice FTSEurofirst 300 das principais ações europeias fechou com queda de 1,76%, aos 1.607 pontos. O alemão DAX perdeu 2,6%, com alguns operadores também citando o vencimento de futuros e opções em índices europeus como um fator que ajudou a exacerbar a volatilidade do mercado.
Operadores disseram que a fraqueza nos mercados futuros chineses alimentaram a queda na Europa e estava relacionada a discussões no mercado sobre mais mudanças regulatórias na China, incluindo restrição a compras alavancadas e à facilitação de vendas a descoberto no país.
“O regulador está encorajando vendas a descoberto para investidores institucionais, e vão parar com a negociação alavancada no balcão”, disse o diretor gerente do KCG Europe Ioan Smith.
“Os traders tiveram que correr atrás dessa notícia depois que os terminais da Bloomberg voltaram a ficar online, e foi aí que vimos as quedas na Europa.”
A Bloomberg disse: “Partes significativas mas não todas de nossos sistema passaram por uma interrupção hoje. Não há indicação nesse momento de que isso seja algo que não uma questão de rede interna.”
A questão da Grécia também preocupava o mercado. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que tem alertado o ministro de Finanças do país, Yannis Varoufakis, contra adiar os pagamentos devidos ao fundo.
“Isso claramente não é um trajeto de ação que cairia bem ou seria recomendado”, disse Lagarde em entrevista à imprensa ao ser perguntada se Atenas vem tentando adiar suas obrigações de dívida em meio a uma crise de caixa. “Meu conselho é seguir adiante com o trabalho” de consertar a economia grega, afirmou Lagarde.
Inflação nos EUA
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu pelo segundo mês consecutivo, com alta de 0,2% em março ante fevereiro, em termos sazonalmente ajustados, segundo o Departamento do Trabalho. Após o índice cair durante os meses de inverno, este aumento é um sinal de que a inflação norte-americana pode estar se estabilizando.
No entanto, o dado veio abaixo das previsões dos economistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam aumento de 0,3%.
Aumentos da inflação nos EUA são vistos como indicadores de que a economia do país está retomando o seu dinamismo. No entanto, isso é visto com cautela pelos investidores, já que uma recuperação sólida na maior economia do mundo pode fazer com que o Federal Reserve eleve as taxas de juros por lá pela primeira vez desde 2006, mais cedo. Isso traria uma redução no apetite por risco do mundo, uma vez que os títulos da dívida norte-americana, considerados os ativos mais seguros do mundo, teriam uma rentabilidade maior.
Ásia
Já na Ásia, a bolsa em Xangai fechou com alta de 2,2%, encerrando a semana com alta de mais de 6%. No entanto, o índice japonês Nikkei recuou 1,2%, marcando perdas de cerca de 1,3% na semana.
Após ultrapassar a barreira de 20 mil pontos pela primeira vez em mais de 15 anos há uma semana, o Nikkei tem oscilado abaixo desse patamar, com investidores cautelosos sobre os resultados corporativos japoneses que serão publicados a partir da semana que vem.
“Apesar de investidores esperarem que companhias divulguem grandes lucros no fim do ano fiscal, as movimentações do Nikkei podem ficar contidas numa faixa estreita após metas modestas das empresas”, disse o estrategista-chefe da Rakuten Securites, Masayuki Kubota.
Nos mercados de commodities, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) caía 1,25%, a US$ 56. O combustível diminuia ganhos na semana enquanto o ouro sobe, reduzindo perda semanal, refletindo as falas dos dirigentes do Fed, que se mostram divididos na análise sobre a economia americana e timing da alta dos juros.
(Com Reuters)