Bolsa

Ibovespa cai com piora nas notícias internacionais e expectativa por vídeo de Bolsonaro; dólar sobe a R$ 5,62

Mercado registra perdas diante do aumento no balanço de riscos externo e interno

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (22) pressionado pelo recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e China e por conta da expectativa pelo grande fato político do dia.

Às 10h09 (horário de Brasília) o Ibovespa caía 1,17% a 82.054 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 0,75%, a R$ 5,6223 na compra e R$ 5,6241 na venda. O dólar futuro para junho subia 0,66% a R$ 5,593. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 tem alta de cinco pontos-base a 3,39%, o DI para janeiro de 2023 registra ganhos de sete pontos-base a 4,55% e o DI para janeiro de 2025 avança oito pontos-base a 6,46%

Lá fora, a China manifestou o desejo de impor uma nova Lei de Segurança Nacional em Hong Kong, dando mais controle da cidade autônoma para o Partido Comunista Chinês (PCC).

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“A lei de segurança de Hong Kong na agenda do Congresso Nacional do Povo, em Pequim, causa insegurança nos mercados à medida que crescem os riscos de conflito entre Estados Unidos e China e novos protestos em Hong Kong ”, avaliaram, em relatório, analistas do Mizuho Bank.

As bolsas asiáticas tiveram expressiva baixa, com quedas especialmente fortes no Hang Seng, índice da bolsa de valores de Hong Kong, e do Asia Dow, índice acionário de todo o continente.

Vale destacar ainda que, na reunião legislativa que começou hoje, a China decidiu não fixar uma meta para seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, num reconhecimento dos desafios que enfrenta em meio a esforços para amortecer os impactos da covid-19, como é conhecida a doença provocada pelo coronavírus. É a primeira vez que o governo chinês não estabelece uma meta numérica de crescimento desde 1994.

Já no Brasil, o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, decidirá hoje até às 17h (horário de Brasília) se manterá ou retirará o sigilo sobre a reunião ministerial de 22 abril.

Segundo o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro teria dito na ocasião que trocaria o comando da superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro para barrar as investigações sobre seus filhos. O levantamento do sigilo pode ser total ou parcial, como quer a Advocacia-Geral da União (AGU).

Notícia do G1 apontando que Celso de Mello enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedidos de depoimento e de apreensão do celular do presidente aumentaram a aversão a risco no mercado logo antes da abertura da Bolsa.

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O ministro enviou para a PGR três notícias-crimes apresentadas por partidos e parlamentares que pedem novos desdobramentos na investigação sobre a suposta interferência do presidente na Polícia Federal. Entre as medidas solicitadas estão o depoimento do presidente, e a busca e apreensão do celular dele e de seu filho, Carlos Bolsonaro, informa a publicação.

Contudo, segundo analistas da XP Política, o pedido é meramente uma formalidade. “Rito normal. Nenhuma relação com aceleração/agravamento do inquérito”, avalia.

Ainda no noticiário político, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a antecipação do feriado de 9 de Julho para a próxima segunda-feira, o que deve levantar novamente discussões sobre o que deve ou não funcionar nessa data. No entanto, os serviços financeiros devem funcionar normalmente, a exemplo do que ocorreu com a antecipação de feriados realizada pela Prefeitura de São Paulo.

Tensão política

A reunião de quinta-feira acalmou o ânimo entre o Palácio do Planalto e governadores, que possuem visões distintas sobre as melhores medidas para lidar com os impactos do novo coronavírus. No entanto, o avanço da doença tem potencial de suscitar novos conflitos.

O Brasil já registra mais de 310 mil contaminados e a marca de mortes já superou os 20 mil casos. A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a antecipação do feriado de 9 de Julho para a próxima segunda-feira em uma tentativa de aumentar o isolamento social.

Outro assunto que deve repercutir é a divulgação do vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado interferir na Polícia Federal. O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello deve tomar a decisão até as 17h.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Celso de Mello ficou incrédulo com o vídeo da reunião e, segundo interlocutores, a tendência do ministro é atender ao pedido do ex-ministro Sérgio Moro e levantar o sigilo da íntegra do vídeo do presidente, em nome do interesse público.

Ajuda econômica

No momento em que o Brasil ultrapassa a marca de 20 mil mortos pela Covid-19, aumenta na Justiça o pedido de trabalhadores para terem acesso a um volume maior de suas contas do FGTS. Segundo reportagem do “O Estado de São Paulo”, isso suscitou um alerta da equipe econômica, que teve que essas ações prejudiquem a sustentabilidade do Fundo, que é a principal fonte de financiamento do mercado imobiliário.

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As medidas de suporte para que a população de menor renda lide com os impactos econômicos do novo coronavírus será 54% superior ao inicialmente previsto. Essa é a avaliação feita pelo secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, lembrando que esse valor chegou a R$ 151,5 bilhões.

Em coletiva no Palácio do Planalto, o secretário indicou que o governo deve prorrogar o auxílio emergencial, mas não no valor atual de R$ 600 ao mês e sim próximo ao valor médio pago pelo Bolsa Família, que é de cerca de R$ 190.

Na quinta-feira à noite, o Congresso Nacional aprovou crédito suplementar de R$ 343,6 bilhões, o que deve permitir ao governo federal fazer as medidas de suporte à economia sem descumprir a “regra de ouro” do Orçamento.

Panorama corporativo

A Lojas Renner registrou lucro líquido de R$ 10,4 milhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 94% na comparação com igual período do ano passado. O recuo decorre, principalmente, das provisões feitas para perdas financeiras.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado despencou 65%, para R$ 110,9 milhões, enquanto a receita líquida com vendas de mercadorias caiu 6%, para R$ 1,55 bilhão.

A Guararapes, dona da marca Riachuelo, foi outra varejista que registrou piora no resultado no primeiro trimestre do ano. O prejuízo líquido ficou em R$ 47,5 milhões, ante lucro de R$ 29,3 milhões apurados entre janeiro e março de 2019%. O Ebitda recuou 46,4%, para R$ 101,1 milhões, e a margem passou de 18% para 10%.

Fora da temporada de balanços, a JBS informou que retomou a operação na unidade de aves de Passo Fundo (RS), fechada desde o dia 24 de abril devido a contaminação de funcionários por coronavírus e que tem capacidade de abate de 320 aves ao dia.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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