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Ibovespa cai com Petrobras e frigoríficos disparam com acordo entre Brasil e China

Queda do petróleo e do minério ofuscam provável aumento de liquidez na Europa e puxa o mercado brasileiro para baixo; Levy confirma tamanho do ajuste

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta terça-feira (19), estendendo as perdas da última sessão. O índice é puxado por ações ligadas a commodities como Petrobras e Vale. No caso da mineradora, o minério spot no porto de Qingdao na China despenca, causando pressão negativa. Lá fora, as bolsas europeias sobem forte com declaração de dirigente do BCE (Banco Central Europeu) de que a autarquia irá acelerar a compra de títulos na Europa, aumentando a liquidez no mercado internacional. Já as norte-americanas ficam praticamente estáveis. 

Às 13h12 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,80%, a 55.191 pontos, enquanto o dólar comercial zerava para uma leve baixa de 0,02%, a R$ 3,0172 na compra e a R$ 3,0178 na venda. O dólar futuro para junho subia 0,30%, a R$ 3,031. 

Para Luis Gustavo Pereira, analista-chefe da Guide Investimentos, a queda da Bolsa hoje é em grande parte produto das baixas das commodities e dos títulos do Tesouro norte-americano se firmando. O minério de ferro 62% spot no porto de Qingdao, na China, cai 3,5%, a US$ 58,53 a tonelada. Ao mesmo tempo, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) recuava 2,41%, a US$ 58. 

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Também ficava no radar o arrefecimento do impulso em Petrobras e Vale puxado pelo fluxo de estrangeiros. “Uma realização é natural frente ao movimento recente”, diz Luis Pereira. Na avaliação do analista, a divergência de políticas monetárias da Europa e dos Estados Unidos possibilita um trade que tem como efeito a valorização do dólar. 

Contingenciamento em linha
Em relatório divulgado ao mercado, a XP Investimentos lembra das afirmações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ontem, afirmando que o corte de custos do governo é necessário e confirmando que deve ser entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, dependendo apenas se o governo conseguirá manter o fim das desonerações na folha de pagamento, que deve entrar na pauta da Câmara amanhã. Em reunião com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) ontem, líderes da base aliada se comprometeram a apoiar as Medidas Provisórias 663, que trata da capitalização do BNDES, e 665, que restringe acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial.

Já com relação ao ajuste fiscal, o analista não vê surpresas nos números trazidos por Levy. “Se fosse menos iria decepcionar e mais poderia não ser factível”, explica. Lembrando, no entanto, que a situação política tensa é o grande risco que as medidas de contenção de gastos e aumento de receitas correm. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caíam perto de 6%. Com o fim oficial da temporada de balanços do primeiro trimestre, a petroleira volta novamente para os destaques. Segundo informações da Bloomberg, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, poderá querer uma compensação de até R$ 20 bilhões da estatal, estimativa inicial pela diferença entre o valor do barril usado na cessão onerosa em 2010 e o preço do combustível quando os campos do pré-sal declarados comerciais. De acordo com uma fonte com conhecimento direto nas negociações disse à agência, o valor ainda está sendo negociado e deve ser fechado no início do ano que vem.

Ainda hoje, a Petrobras informou que a produção total de petróleo e gás no Brasil em abril somou 2,596 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 0,8% sobre março. Segundo a estatal, a produção total de óleo e gás operada por ela no país, incluindo a das sócias, foi de 2,886 milhões de boed, volume 1,8% superior ao de um mês antes.

As ações da Vale (VALE3; VALE5) seguem em queda em dia negativo no mercado doméstico. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na mineradora. O minério de ferro 62% spot no porto de Qingdao, na China, cai 3,5%, a US$ 58,53 a tonelada.

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Também no lado negativo, a Ecorodovias (ECOR3) desaba após a companhia comunicar que a BRZ Investimentos, gestora da Logística Brasil, exerceu direito de opção de venda da totalidade de suas ações detidas pela Logística Brasil na Elog, o que fará com que 100% do capital desta última passe a ser detido pela Ecorodovias. A Logística Brasil tinha 20% do capital social votante e total da Elog.

O motivo da queda é por conta do valor pago pela operação, de R$ 214 milhões. Segundo cálculos do Brasil Plural, essa fatia vale apenas R$ 11,2 milhões, o que significa que houve destruição de valor R$ 202,8 milhões, ou R$ 0,40 por ação.

Entre as principais altas estão as ações de frigoríficos. A alta vem com a visita ao Brasil do primeiro-ministro da China, Li Keqiang. Os dois países assinaram acordos para retirar a proibição da exportação da carne bovina brasileira à China. Na Bolsa, as ações da JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) aparecem entre as maiores altas do Ibovespa hoje.   

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 PETR4 PETROBRAS PN12,88-6,53
 PETR3 PETROBRAS ON13,78-5,87
 USIM5 USIMINAS PNA5,14-5,69
 CSNA3 SID NACIONAL ON7,16-5,67
 ECOR3 ECORODOVIAS ON ED7,89-4,94

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 JBSS3 JBS ON16,69+3,09
 MRFG3 MARFRIG ON4,13+2,23
 CCRO3 CCR SA ON15,69+1,75
 EMBR3 EMBRAER ON23,30+1,57
 CPLE6 COPEL PNB34,86+1,43
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

 

Índices sobem com BCE
Os índices acionários asiáticos anularam as perdas registradas no início da sessão e passaram a subir nesta terça-feira, com o salto da bolsa chinesa e o fechamento recorde em Wall Street compensando as preocupações com os problemas fiscais da Grécia. Temores de uma falência da Grécia perduravam apesar de o ministro do Trabalho do país dizer na terça-feira que Atenas vai concluir logo um acordo com seus credores que libere dinheiro a Atenas em troca de reformas.

O índice em Xangai fechou em alta nesta sessão, com investidores recebendo bem as diretrizes de 2015 de Pequim para reformas econômicas que priorizam a maior abertura dos mercados de capitais do país e a reestruturação de empresas estatais.

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Na Europa, o dia é de alta, em meio aos dados corporativos e com as falas do membro do conselho executivo do BCE (Banco Central Europeu), Benoît Coeuré. Ele disse hoje que a instituição deve acelerar as compras de bônus no âmbito do programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) em maio e junho, uma vez que o mercado sofre com certa falta de liquidez nos meses de verão no hemisfério norte.

Segundo o dirigente, essa liquidez reduzida é um padrão reconhecido pelo BCE ao longo dos anos no mercado de bônus. A estratégia, portanto, permitiria ao banco central manter sua média mensal de 60 bilhões em compras de ativos “podendo comprar menos durante o período de férias”.

“Se necessário for, isto será compensado por compras menores em setembro, quando a liquidez do mercado voltar ao normal”, disse.

(Com Reuters)