Ibovespa cai 8,5% em dólar e só fica à frente da Bolsa argentina no mês; veja ranking

Bolsa brasileira só perde para Argentina entre 21 mercados globais em agosto, aponta estudo da Elos Ayta

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O Ibovespa atravessa um agosto difícil e figura entre os mercados acionários de pior desempenho do mundo. Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o principal índice da Bolsa brasileira acumula queda de 8,54% em dólares até 17 de agosto, o segundo pior resultado entre 21 índices globais monitorados pela casa.

O desempenho é superado apenas pelo Merval, da Argentina, que recua 10,47% no mesmo período, sendo que FTSE China 50 aparece logo atrás, com baixa de 2,55%, e o IPC México, que cede 2,29%. O resultado evidencia que a América Latina concentra alguns dos mercados de pior performance neste mês.

Em moeda local, o Ibovespa acumula queda de 6,30% em agosto. Porém, a valorização de 2,44% do dólar frente ao real amplia as perdas para quem investe a partir do exterior, levando o recuo para 8,54% em dólares.

A combinação entre queda das ações e enfraquecimento da moeda brasileira reforça um movimento que tem marcado os mercados locais nas últimas semanas: a maior aversão ao risco em relação ao Brasil, em meio ao aumento das incertezas políticas e fiscais às vésperas das eleições presidenciais de outubro.

O desempenho também chama atenção quando comparado ao comportamento dos demais mercados emergentes. Enquanto Brasil e Argentina lideram as perdas, outros países latino-americanos apresentam trajetória oposta. A Colômbia acumula valorização de 2,68% no mês, enquanto o Peru avança 2,65%, mostrando que o mau desempenho não é um fenômeno generalizado da região.

Na outra ponta do ranking, os investidores direcionaram recursos para mercados desenvolvidos. O Euro Stoxx 50 lidera os ganhos em agosto, com alta de 7,02%, seguido pelo Nikkei 225, do Japão, que sobe 6,77%. O Nasdaq, nos Estados Unidos, também aparece entre os destaques positivos, com valorização de 5,01%.

Conforme destaca a Elos Ayta, a fotografia de agosto reforça uma mudança de humor dos investidores em relação ao Brasil uma vez que, após meses em que a Bolsa foi beneficiada pelo fluxo estrangeiro e pelo diferencial de juros elevado, os ativos brasileiros passaram a sentir o aumento das preocupações com o cenário eleitoral e fiscal, ao mesmo tempo em que mercados desenvolvidos voltaram a ganhar atratividade.

Confira o ranking:

Retorno em dólares no mês de agosto de 2026 até dia 17 (Imagem: Elos Ayta)

Para analistas e estrategistas, o desempenho relativo do Ibovespa sugere que parte dos investidores internacionais já começou a reduzir exposição ao mercado brasileiro, movimento que ajuda a explicar tanto a queda da Bolsa quanto a recente pressão sobre o real.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.