Bolsa

Ibovespa cai 2% com exterior e cenário político; dólar afunda por resultado de swap

Mercado tem dia negativo em meio a racha do PMDB em relação à política econômica e cautela no exterior

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em baixa nesta quinta-feira (31) seguindo as bolsas internacionais, que caem com cautela antes da fala de dirigentes do Federal Reserve após a presidente da autoridade monetária, Janet Yellen, dar indicações de que os Estados Unidos não elevarão os juros em abril. Por aqui, o mercado ficará de olho nos trabalhos da Comissão do Impeachment. Atualmente, o governo calcula que tem 180 votos para barrar o processo na Câmara dos Deputados. Também fica no radar um possível racha do PMDB em relação à política econômica de um possível governo Temer.

Às 11h45 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 1,86%, a 50.298 pontos. Já o dólar comercial registra perdas de 1,42% a R$ 3,5695 na venda, enquanto o dólar futuro para abril recua 1,23% a R$ 3,567. O câmbio despencou após o Banco Central comprar apenas 2.900 dos 17.000 contratos de swap reversos ofertados. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 6 pontos-base a 13,82%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 avança 10 pontos-base a 13,74%.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,64, -0,56%; PETR4, R$ 8,41, -0,36%) operam entre perdas e ganhos nesta sessão em um movimento de correção. Os papéis caem apesar da alta forte do petróleo. O brent tem alta de 1,55%, a US$ 40,67 o barril.

Em destaque, está ainda o anúcio da empresa de redução de sete para seis no número de diretorias e mudanças no modelo de governança e gestão organizacional que incluem corte de 43 por cento nas 5,3 mil funções gerenciais em áreas não operacionais, medidas que visam a economizar quase 2 bilhões de reais ao ano.

Além disso, vale destacar a notícia do jornal O Estado de S. Paulo de que o fundo de investimento que usa recursos do FGTS para investir em infraestrutura deve registrar em 2015 a menor rentabilidade da história. O jornal apurou que uma das principais razões para um resultado tão ruim deve ser a Sete Brasil. O FI-FGTS deve dar baixa em uma perda de cerca de R$ 1 bilhão pelos prejuízos com a empresa criada para construir e administrar as sondas do pré-sal.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N219,67-4,47
 LAME4 LOJAS AMERICPN EB16,87-3,74
 BRAP4 BRADESPAR PN6,07-3,50
 VIVT4 TELEF BRASILPN45,06-3,30
 VALE3 VALE ON15,03-3,28

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,36, -2,40%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,32, -2,70%; BBDC4, R$ 27,36, -2,49%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 19,92, -1,73%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3RUMO LOG ON3,43+3,94
 QUAL3QUALICORP ON14,86+1,92
 MULT3MULTIPLAN ON N255,14+0,92
 RADL3RAIADROGASILON EJ52,71+0,53
 CTIP3CETIP ON EJ40,55+0,52

 

Já a Vale (VALE3, R$ 15,03, -3,28%; VALE5, R$ 11,36, -2,99%) também recua, prejudicada pela queda do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 0,79% a US$ 53,75.

Agenda econômica divide o PMDB
A cúpula do partido discute medidas de transição da economia como aumento de impostos para ajudar o ajuste fiscal. No entanto, peemedebistas já se preocupam com a possibilidade de iniciativas deste tipo prejudicarem o desempenho dos membros da sigla nas eleições municipais. O medo de encampar medidas impopulares é tanto dentro do PMDB que mesmo aliados do vice-presidente Michel Temer, tem dito que o documento “Ponte para o Futuro” não deve ser visto como um “Plano Temer” definitivo.

Mudanças de Ministros
Apesar da ministra da agricultura, Kátia Abreu, ter afirmado na véspera que não deixará o governo, ainda não se tem nenhuma confirmação de que não teremos mudanças entre os ministros de Dilma. Do grupo filiado ao PMDB, são 6 nomes ainda sem definição e que podem acarretar em alterações no quadro geral.

Além disso, o Palácio do Planalto confirmou na noite de ontem que George Hilton deixou o ministério do Esporte. Há duas semanas, o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, já havia anunciado que o partido deixaria a base aliada ao governo da presidente Dilma Rousseff e colocaria o Ministério do Esporte à disposição. Quase duas horas depois da divulgação da nota do PRB, George Hilton anunciou a saída do partido e o ingresso no PROS, também por meio de nota.

Dias depois, o Palácio decidiu exonerar Hilton e devolver a pasta ao PCdoB, dos ex-ministros Aldo Rebelo e Orlando Silva. Questionado, o ministério disse ontem que a exoneração do ministro ainda não havia sido publicada no Diário Oficial e que ele ainda era o atual ministro. A posse de Ricardo Leyser, do PCdoB, para o ministério do Esporte estava prevista para terça-feira, mas a formalização não ocorreu.

STF decide sobre Lula
O Supremo Tribunal Federal (STF) decide hoje se o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, continuará na condução dos inquéritos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Corte vai decidir se referenda decisão proferida na semana passada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo. O ministro suspendeu as investigações que envolvem Lula, por entender que cabe à Corte analisar se o ex-presidente tem foro privilegiado e deve ser processado pelo tribunal.

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A polêmica sobre a nomeação de Lula para ocupar o cargo de ministro da Casa Civil do governo Dilma não deverá ser decidida pelos ministros, porque o processo no qual a posse foi suspensa está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes e não está pautado.

Comissão do Impeachment
Começou às 11h desta quinta-feira a segunda audiência da Comissão do Impeachment na Câmara dos Deputados. Serão ouvidos o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e o professor de Direito Tributário da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Ricardo Lodi Ribeiro, indicados por deputados governistas. Ontem, na primeira audiência, foram ouvidos os juristas Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal que, juntamente com Hélio Bicudo, são autores da denúncia contra Dilma com base na edição de decretos de suplementação financeira sem autorização do Congresso e nas chamadas “pedaladas fiscais”.

Relatório Trimestral de Inflação
O Banco Central piorou suas projeções de inflação para este ano e o próximo, indicando que vê a alta de preços no centro da meta apenas no início de 2018, fora do objetivo que vem pregando de que esse movimento deve ocorrer em 2017. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira, o BC vê inflação subindo 6,6% em 2016 e 4,9% em 2017 pelo cenário de referência, sobre projeções anteriores de elevação de 6,2% e 4,8%, respectivamente. O BC mostrou ainda que vê a inflação a 4,5% –centro da meta– no primeiro trimestre de 2018.

O BC ainda disse que não trabalha com a hipótese de flexibilização monetária e que adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas. Segundo a autoridade monetária, as incertezas associadas ao balanço de riscos para a inflação permanecem, principalmente quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e sua composição, ao comportamento da inflação corrente e das expectativas de inflação.

Segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator ouvido pela Bloomberg, o Relatório Trimestral de Inflação não teve muita novidade, com o BC vendo que o ajuste dos preços administrados se estendeu um pouco mais, como já estava nas atas do Copom, e adiou a desaceleração da inflação.  “O que justificaria alta dos juros é que as projeções pioraram. A ata como um todo, porém, não me parece hawkish”, afirma.

Indicadores dos EUA
Os pedidos de auxílio-desemprego na semana passada foram de 276 mil na semana passada, contra uma expectativa mediana dos economistas consultados pela Reuters em 265 mil. Na semana anterior, o número de pessoas que entraram com pedido pelo benefício foi de 265 mil. 

Às 10h45 saiu o Chicago PMI (Índice Gerente de Compras, na sigla em inglês) que mostrou um aumento da atividade industrial na região de 47,6 pontos para 53,6 pontos em março. A expectativa mediana dos economistas pela pesquisa Briefing era de 49,9 pontos. 

Cenário externo
As bolsas europeias e asiáticas têm um dia de cautela à espera de novas indicações do Federal Reserve, após o ânimo do início da semana com a fala “dovish” da chairwoman da autoridade monetária, Janet Yellen. Hoje, depois do dirigente do Fed de Chicago Charles Evans discursar, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley falará, às 18h00.

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Evans disse que qualquer melhora nas perspectivas macroeconômicas levará a um caminho de aperto monetário mais forte. “Minha avaliação da política monetária apropriada a seguir é que dada a situação da economia que estamos vendo, serão duas elevações das taxas este ano. Uma no meio do ano e outra no fim de 2016”, afirma. 

Na ásia, o índice japonês Nikkei teve queda de 0,71%, enquanto Hang Seng teve leve baixa de 0,13% e Xangai subiu 0,12%. Sobre a China, a agência de classificação de risco S&P rebaixa perspectiva do rating do país para negativa.

Enquanto isso, na Europa, o dia é de queda, com o DAX registrando baixa de 0,68%, o FTSE em queda de 0,23% e o CAC 40 caindo 1,12%, com os olhos também voltados para os EUA. Entre os dados econômicos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido cresceu mais que originalmente estimado no quarto trimestre do ano passado, segundo revisão publicada hoje pelo Escritório para Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) do país. 

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