Comentário diário

Ibovespa cai 1,4% e termina em baixa semana que teve apoio do “centrão” a Temer e medo do Fed

Mercado opera em baixa após novos dados dos EUA deixarem menos improvável um aumento de juros na próxima semana

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (16), terminando a semana com perdas de 1,59% e quase perdendo os 57 mil pontos.

Os últimos dias foram bastante agitados, de modo que o investidor pode nem se lembrar de como o índice subiu 1% na segunda-feira, dia de fala da diretora do Federal Reserve, Lael Brainard, que derrubou as apostas de alta de juros nos Estados Unidos em setembro adotando um discurso dovish (moderado, no sentido de cortar taxas) de que o Fed precisa evitar ser pego em uma armadilha de “baixo crescimento e baixa inflação”. Naquele dia o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi cassado por 450 votos a 10. 

Já na terça, um relatório da AIE (Agência Internacional de Energia), fez a Bolsa cair 3,01%, ao reduzir as previsões para a demanda de petróleo em 2016 e 2017.  

Na quarta, o mercado brasileiro se descolou do exterior e subiu 0,42%, com correção. O dia também foi marcado pela denúncia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos procuradores da Operação Lava Jato. 

Por fim, na quinta, os dados fracos dos EUA e o apoio do “centrão” às medidas de ajuste fiscal propostas pelo presidente Michel Temer fizeram o Ibovespa subir 1,5%. 

Nesta sexta
Hoje, os investidores repercutiram negativamente os dados acima do esperado da inflação nos Estados Unidos. Além disso, os mercados responderam com cautela a notícia da multa de US$ 14 bilhões aplicada pelo governo americano ao Deutsche Bank por sua atuação na comercialização dos títulos imobiliários conhecidos como “subprime” que levaram à crise de 2008. Por aqui, no cenário político, o presidente Michel Temer, que ontem ganhou o apoio do “centrão” para aprovar as medidas do ajuste fiscal, vetou totalmente o reajuste dos defensores públicos. 

O benchmark da bolsa brasileira caiu 1,43%, a 57.080 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 7,395 bilhões.

Já o dólar comercial terminou a sessão em queda de 1,02% a R$ 3,2673 na compra e a R$ 3,2680 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro registra perdas de 1,14% a R$ 3,282 no after-market. O câmbio passou a cair após a fala do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, de que ele vê menos espaço para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais. O mercado entendeu que o presidente do BC sinalizou que pode reduzir as intervenções no mercado de câmbio, o que significaria espaço para o real se valorizar ante o dólar.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 opera em baixa de 6 pontos-base a 12,54%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem desvalorização de 1 ponto-base a 12,07% também no after-market. 

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De acordo com o trader da H.Commcor, Ari Santos, a Bolsa caiu hoje por uma série de fatores, que vão realmente das expectativas de aumento de juros nos EUA, a uma realização natural porque os ativos brasileiros estão caros. “Na minha opinião, a Bolsa subiu demais desde que começou o impeachment. Daqui para a frente, fora o cenário externo, o doméstico também pesa, com o pessoal preocupado com as medidas de ajuste fiscal e com o PIB [Produto Interno Bruto] não se mexendo. Tivemos a saída da [ex-presidente] Dilma Rousseff, a saída do [ex-presidente da Câmara dos Deputados] Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e nenhuma reforma sendo aprovada”, afirma. 

Para ele, os investidores estão com medo de comprar algumas ações no nível de preços atual sem que nenhum avanço palpável na economia brasileira.  

Vale lembrar que hoje é dia de vencimento quádruplo nas bolsas de Nova York, o que deve gerar volatilidade um dia após o otimismo nos pregões com a renovada perspectiva de que o Federal Reserve atrase o aperto monetário nos EUA. 

Multa do Deutsche
As ações do Deutsche Bank desabaram 8,47% após a Justiça dos EUA anunciarem que vão multar o banco em US$ 14 bilhões. A acusação é de que a instituição teria criado produtos financeiros lastreados em créditos hipotecários insolventes que levaram à crise de 2008. 

Ações em destaque
Os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 14,90, -2,55%; PETR4, R$ 13,16, -2,59%) caíram hoje, seguindo o desempenho do petróleo. A commodity teve queda de 1,53% a US$ 43,24 o barril do WTI (West Texas Intermediate), enquanto o contrato futuro do barril do Brent recuou 1,23% a US$ 46,48.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 GGBR4 GERDAU PN8,39-3,67+80,99
 USIM5 USIMINAS PNA3,42-3,66+120,65
 CSNA3 SID NACIONALON8,01-3,14+100,25
 NATU3 NATURA ON30,34-3,07+30,54
 GOAU4 GERDAU MET PN3,73-2,86+124,70

 

 

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As ações da Vale (VALE3, R$ 16,41, -1,38%; VALE5, R$ 13,95, -1,41%) e Bradespar (BRAP4, R$ 9,58, -2,15%) – holding que detém participação na mineradora – afundaram nesta sessão, seguindo o desempenho de seus pares internacionais. No radar, a mineradora fez uma captação de US$ 1 bilhão junto a um grupo de bancos, garantindo o empréstimo com embarques de minério de ferro para a Glencore, informou a Bloomberg citando pessoas com conhecimento do assunto. A maior mineradora do mundo assinou um contrato de “financiamento de pré-exportação”, que tem um prazo de dois anos e meio, em junho, disseram as fontes.

Para a Vale, que enfrentou uma crise de crédito no início deste ano com os preços das commodities despencando, o acordo de pré-exportação foi a fonte mais barata de financiamento disponível, disseram duas pessoas familiarizadas com o negócio. O rendimento dos títulos da Vale com vencimento em 2022 subiu para 12% em fevereiro, o maior desde que as notas foram emitidas no início de 2012. Desde então, o rendimento se recuperou para 5,3%.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 KROT3KROTON ON15,20+1,20+61,32
 RADL3RAIADROGASILON65,21+0,94+84,76
 RENT3LOCALIZA ON39,90+0,83+63,59
 BRFS3BRF SA ON53,46+0,49-1,84
 SUZB5SUZANO PAPELPNA10,48+0,48-42,71

 

 

 

Por outro lado, as ações da JBS (JBSS3, R$ 12,00, +0,33%) subiram. Uma ação movida por consumidores de carne de frango nos EUA alega que as maiores companhias do setor no país, como Tyson Foods, Pilgrim’s Pride e Sanderson Farms, organizaram um esquema para reduzir a produção e elevar os preços do produto nos supermercados. A Pilgrim’s Pride é controlada da JBS. Essa é a segunda ação neste mês que acusa o setor de frango dos EUA de formação de cartel. Um porta-voz da Tyson disse não estar surpreso com a notícia, “já que é comum para escritórios de advocacia entrar com ações parecidas em assuntos que envolvem a defesa da concorrência”. A Tyson contesta as alegações e “vai se defender no tribunal”, disse o porta-voz.

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As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4PETROBRAS PN13,16-2,59588,97M
 ITUB4ITAUUNIBANCOPN34,98-2,26509,55M
 BBDC4BRADESCO PN28,09-1,82425,86M
 VALE5VALE PNA13,95-1,41343,66M
 BRFS3BRF SA ON53,46+0,49297,83M
 CIEL3CIELO ON33,06+0,39279,47M
 ABEV3AMBEV S/A ON19,43-1,52241,55M
 ITSA4ITAUSA PN8,33-1,19214,70M
 PETR3PETROBRAS ON14,90-2,55180,47M
 BVMF3BMFBOVESPA ON17,02-0,76173,83M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Agenda política
Em destaque na agenda política de hoje, após o apoio do “centrão” está o veto integral de Michel Temer para o projeto de lei que dava reajuste de 60% nos salários dos defensores públicos da União, informou o Diário Oficial da União desta sexta-feira, em um recuo de decisão anterior do presidente de aplicar um veto parcial à medida. “O projeto de lei contempla, para os anos seguintes, percentuais muito superiores aos demais reajustes praticados para o conjunto dos servidores públicos federais; ademais, situam-se em patamar acima da inflação projetada para o período, bem como abrigam regra de vinculação remuneratória, em dissonância à política de ajuste fiscal que se busca implementar”, segundo razões para o veto.

Além disso, destaque para o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn se reúne com grupos de investidores liderados pela Platina Investimentos e pelo HSBC pela manhã, e com Arminio Fraga à tarde; todos encontros na sede do BC no Rio de Janeiro. 

Agenda internacional
O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) dos Estados Unidos apresentou avanço de 0,2% em agosto, contra 0,1% esperado pelos economistas ouvidos pela Bloomberg. O núcleo da inflação ao consumidor (excluindo-se alimentos e energia), por sua vez, cresceu 0,3%, contra uma expectativa mediana de 0,2% de expansão.  

Ainda nesta sexta o índice FTSE fará rebalanceamento, reduzindo sua participação em BRF (BRFS3), em US$ 157,2 milhões, e gerando uma pressão vendedora equivalente ao volume médio somado de 4,6 dias segundo cálculo do Credit Suisse. 

Especial InfoMoney
O InfoMoney traz nesta sexta-feira uma análise especial sobre as ações da GerdauRechaçada nos últimos anos pelo mercado, a siderúrgica ganhou manchetes no InfoMoney nas mãos do trader profissional Wagner Caetano. Enquanto muitos analistas fundamentalistas e gráficos seguiam cautelosos com as ações – uma das que mais caíram na Bolsa em 2015 -, ele montou uma posição vencedora em 100.000 ações GGBR4. Na época, o papel valia cerca de R$ 3,50; meses depois, já era cotado a quase R$ 10,00. Mas qual é o futuro das ações da companhia? Confira no blog O Investidor de Sucesso.

    Cenário externo
    O dia foi de queda para as bolsas mundiais após uma recuperação na véspera. As bolsas europeias tiveram uma baixa semanal e o S&P recuou, enquanto investidores seguem atentos a perspectivas sobre juros e estímulos dos BCs. O FOMC e BOJ reúnem-se na próxima semana. A chance de alta dos juros do Fed caíram para menos de 50% este ano após dados americanos abaixo do previsto esta semana; para a próxima reunião, os economistas esperam que Fed mantenha juros semana que vem, mas fortalecendo a sinalização de alta. Já a China tem o segundo dia de feriado.

    Entre os dados econômicos, os salários na zona do euro aumentaram no ritmo mais fraco em quase seis anos no segundo trimestre, evidenciando a fragilidade da recuperação econômica do bloco e surgindo como mais uma preocupação para os dirigentes do Banco Central Europeu (BCE). Dados da agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, mostraram que os salários na zona do euro subiram apenas 0,9% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, registrando o menor avanço desde o terceiro trimestre de 2010. Nos primeiros três meses do ano, os salários haviam crescido 1,7% na comparação anual.