Bolsa

Ibovespa cai 1% e renova mínima desde 2009; DI curto afunda com chance de Selic estável

Petróleo acelera perdas e derruba mercados em um dia de forte volatilidade por conta de Copom

SÃO PAULO – O Ibovespa amenizou as perdas perto do fim do pregão nesta quarta-feira (20), seguindo o desempenho dos mercados norte-americanos. Impactando a Bolsa hoje, o cenário externo foi predominantemente negativo, com um “sell-off” global pressionando os mercados nos EUA, que só passaram a amenizar quando a Bovespa já estava próxima do fechamento. As perdas mais cedo no exterior ocorreram por conta de resultados decepcionantes de empresas como a Shell e também em meio a relatório da Agência Internacional de Energia falando que o mercado vai se “afogar” em oferta de petróleo, que volta a despencar hoje.

O benchmark da bolsa brasileira registrou perdas de 1,08%, a 37.645 pontos, renovando sua mínima de março de 2009. O volume financeiro ficou em R$ 5,262 bilhões. Já o dólar comercial fechou em alta de 1,24% a R$ 4,1025 na compra e a R$ 4,1050 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro teve ganhos de 0,82% a R$ 4,112. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 23 pontos-base a 15,19%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 disparou 14 pontos-base a 16,81%. As bolsas norte-americanas caem 2,5%.  

Por aqui, os investidores ficam de olho na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), após o ato inédito do presidente da autoridade monetária. As notícias hoje foram de que o movimento feito ontem pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, agradou ao Palácio do Planalto. A avaliação de auxiliares da presidente Dilma Rousseff foi a de que Tombini fez um aceno para a “ancoragem” do mercado ao divulgar uma nota alertando para mudanças “significativas” das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), com previsão de retração de 3,5% neste ano no Brasil.

Para um analista que não quis ser identificado, a interferência política no BC, além de fazer os DIs longos subirem ao mesmo tempo em que os curtos despencam, ainda é responsável também por parte da queda da Bolsa. “É uma mostra clara de falta de confiança na autoridade monetária”, disse. 

Barbosa
O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse a jornalistas em Davos que o FMI (Fundo Monetário Internacional) faz revisões periódicas, atenuando a importância dos cortes que o banco fez das previsões de desempenho da atividade econômica do Brasil. Ele ainda afirmou, segundo a Bloomberg, que o governo não tem planos de usar as reservas internacionais para estimular a economia nesse momento. “O governo tem uma política bem definida para estabilizar e retomar o crescimento”, informou.

Barbosa também disse que a CPMF é uma poupança necessária no momento que o País vive. “Contamos com a aprovação da CPMF até maio.”

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 5,93, -3,58%; PETR4, R$ 4,43, -4,94%) voltaram a despencar em meio a mais uma queda do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) caiu 6,61% a US$ 26,58, ao mesmo tempo em que o barril do Brent teve queda de 4,07% a US$ 27,59.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 RUMO3 RUMO LOG ON2,20-9,84-64,748,26M
 SMLE3 SMILES ON26,81-7,04-22,9618,82M
 BRAP4 BRADESPAR PN3,20-5,33-35,8716,99M
 PETR4 PETROBRAS PN4,43-4,94-33,88406,39M
 CCRO3 CCR SA ON11,06-4,24-11,8743,18M

Já as ações da Vale (VALE3, R$ 9,21, +0,33%; VALE5, R$ 6,95, -1,28%) acompanharam outras mineradoras e ficaram entre perdas e ganhos, puxadas pela apreensão dos mercados quanto à demanda por minério de ferro e corte de recomendação e preço-alvo pelo HSBC.   

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A mineradora e sua holding Bradespar (BRAP4, R$ 3,20, -5,33%) tiveram suas recomendações cortadas de compra para hold pelo HSBC. O preço-alvo do ADR da Vale foi cortado de US$ 5 para US$ 2,20, enquanto o das ações PNA foi cortado de R$ 16,90 para R$ 7,30. Já o preço-alvo da Bradespar foi cortado de R$ 9,40 para R$ 3,30.  

Segundo o analista Leonardo Shinohara, a qualidade do produto e a resiliência não são suficientes para suportar a queda dos preços do minério de ferro. Eles revisaram a previsão para o Ebitda, de queda de 33%. 

Também caíram as ações da Suzano (SUZB5, R$ 14,83, -3,58%), que seguiram derrocada na Bolsa, voltando para o menor patamar desde julho do ano passado, após cair 20,7% este ano. Desempenho um pouco mais ameno do que seu par na Bolsa Fibria (FIBR3, R$ 43,06, -2,27%), que recuaram 19% este ano, voltando também para os níveis de julho do ano passado.   

Um descolamento que ficou mais nítido no pregão passado: enquanto as ações da Suzano recuaram 3%, as ações da Fibria subiram. Uma performance que sugere que o mercado está precificando um resultado mais fraco de Suzano no 4° trimestre, apontou o BTG Pactual, em nota a clientes nesta quarta-feira.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 OIBR4 OI PN1,54+2,67-21,033,63M
 TIMP3 TIM PART S/A ON6,07+2,36-11,5214,02M
 CSAN3 COSAN ON22,62+2,35-10,2435,20M
 CTIP3 CETIP ON37,48+1,54-0,0564,03M
 BRKM5 BRASKEM PNA24,85+1,43-10,0362,39M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN23,07-1,41512,82M357,34M35.388 
 PETR4 PETROBRAS PN4,43-4,94406,39M312,46M38.278 
 BBDC4 BRADESCO PN17,26+0,23276,88M200,51M25.846 
 VALE5 VALE PNA6,95-1,28219,40M192,78M23.672 
 CIEL3 CIELO ON32,49-0,03210,55M165,30M14.537 
 ABEV3 AMBEV S/A ON16,54-1,25204,57M193,13M27.971 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON22,94+1,10156,94M114,80M21.097 
 ITSA4 ITAUSA PN6,28-1,10132,24M113,52M31.374 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON10,25-2,66120,52M96,79M19.763 
 BRFS3 BRF SA ON47,00-0,32109,97M137,93M8.669 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Copom
Em meio a muita indefinição sobre a decisão do Copom , o presidente do Banco Central Alexandre Tombini confundiu os mercados ontem, ao divulgar nota em que afirmou que as revisões das projeções do PIB brasileiro pelo FMI para baixo foram “significativas”, seguindo-se à notícia de que o presidente do BC teve um encontro não-oficial com a presidente Dilma Rousseff. A notícia, da Agência Estado, destacava que o governo contava como uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic. As possibilidades de decisão do Copom hoje são três: uma alta de 0,5 p.p., uma de 0,25 p.p. e uma manutenção dos juros no patamar atual. A não ser que o comitê opte pela primeira opção, o mercado deve reagir negativamente, já que mostrará uma interferência do governo e na cúpula do PT em uma decisão da autoridade monetária. 

Pauta política
A defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenta adiar a análise da denúncia contra o deputado feita pela PGR (Procuradoria-geral da República). O pedido, feito ao STF (Supremo Tribunal Federal) faz parte da resposta de Cunha à denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o suposto recebimento de propina de US$ 5 milhões em contrato da Petrobras. 

Cenário externo
A tensão domina os mercados externos na sessão desta quarta-feira. As ações europeias caem mais de 3%, com Shell e mineradoras puxando perdas. O petróleo recua e o brent é negociado por volta dos US$ 28 o barril após a AIE dizer que mercado pode se “afogar” em oferta, enquanto o dólar sobe contra moedas ligadas a commodities.

Na Europa, o DAX cai 3,17% e o CAC 40 opera em baixa de 3,87%. Ontem, o FMI cortou a projeção de crescimento mundial de 3,6% para 3,4% este ano.

O japonês Nikkei entrou em bear market, fechando em queda de 3,71%, enquanto Xangai fechou em baixa de 1,04% e Hang Seng teve baixa de 3,82%, em meio às preocupações com o crescimento global, China e queda dos preços do petróleo.

As ações chinesas caíram nesta quarta-feira, devolvendo parte dos ganhos de 3% da sessão anterior, após o regulador do mercado aprovar uma nova onda de ofertas públicas iniciais de ações (IPO), enquanto no restante do continente as ações recuaram para uma nova mínima de quatro anos com a queda implacável do petróleo desferindo um novo golpe no apetite por risco dos investidores.

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