Comentário de Bolsa

Ibovespa azeda com baixa de mais de 1% de Vale e Petrobras; cenário externo no radar

Dados de produção industrial na Alemanha e fala da diretora-geral do FMI abalam mercados, enquanto EUA esperam por ata da última reunião do Fomc; ; Focus revê PIB para baixo pela 6ª vez seguida

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SÃO PAULO – Após uma última sessão reduzida e uma semana passada em alta entre dados dos EUA, o Datafolha e alta de ações de exportadoras, o Ibovespa registra baixa nesta segunda-feira (7), em meio ao ambiente de maior aversão ao risco global e revisão do PIB do Brasil para baixo pelo Focus.

Às 10h41 (horário de Brasília), o índice registrava baixa de 0,90%, a 53.569 pontos, azedando ainda mais com as quedas das ações da Petrobras (PETR3;PETR4) e da Vale (VALE3;VALE5), que registram baixa de mais de 1% acelerando as perdas após a abertura dos mercados em Wall Street. Enquanto isso, as bolsas norte-americanas caem na expectativa pela ata da última reunião do FOMC (Federal Open Market Committee), que será revelada na próxima quarta-feira, e revertendo parte dos ganhos da última quinta-feira, após atingir máximas históricas. O mercado dos EUA também espera pelo início da temporada de resultados do segundo trimestre.  

No noticiário econômico nacional, destaque para o Focus, que revisou para baixo novamente as expectativas do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014, que diminuiu para 1,07%, ante 1,10% da semana anterior – esta é a 6ª semana consecutiva que os economistas diminuem as estimativas para a atividade econômica brasileira. Já para 2015, a projeção do PIB permaneceu em 1,50%.

Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014, os economistas mantiveram em 6,46% e continuou levemente abaixo do teto da meta, enquanto para o próximo ano a projeção também foi mantida em 6,10%. Já a expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, se manteve em 11,00% para 2014 e em 12% para 2015. 

Investidores seguiram com cautela também após a presidente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, advertir que o crescimento global pode ser mais fraco que o esperado no 2º semestre de 2014.  Enquanto isso, a produção industrial alemã caiu 1,8% em maio, a maior queda mensal em mais de dois anos. 

Exportadoras realizam ganhos da semana passada; Oi volta a cair
Poucas ações registram ganhos nesta sessão, com destaque para os papéis da MMX Mineração (MMXM3), que tem um leve movimento de recuperação após ser a “pior” ação da semana passada. Enquanto isso, as elétricas seguem com ganhos, com destaque para a CESP (CESP6, R$ 29,41, +0,89%).

Por outro lado, as ações da Oi (OIBR4) seguem em baixa. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s voltou a incluir em sua lista “creditwatch” negativa o grupo de telecomunicações na última sexta-feira, citando a polêmica criada em torno do investimento da parceira Portugal Telecom no Grupo Espírito Santo.

A Portugal Telecom está em processo de fusão com a Oi e anunciou recentemente que tem 897 milhões de euros (cerca de 2,7 bilhões de reais) aplicados em papéis comerciais da Rio Forte, empresa do Grupo Espírito Santo, que tem participação indireta na companhia brasileira.

Além disso, as ações das blue chips registram baixa, caso das exportadoras, após forte alta na semana passada, e da Petrobras. Conforme destacou matéria de hoje do Estadão, a petrolífera está sob pressão para elevar produção, única saída para aliviar seu caixa.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, são:

 Cód.AtivoCot R$% Dia
 EMBR3 EMBRAER ON20,61-3,01
 TIMP3 TIM PART S/A ON12,29-2,15
 CPLE6 COPEL PNB33,09-1,96
 ALLL3 ALL AMER LAT ON8,03-1,95
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN104,15-1,73

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia
 NATU3 NATURA ON38,54+1,15
 CESP6 CESP PNB29,41+0,89
 ELPL4 ELETROPAULO PN N210,49+0,77
 MMXM3 MMX MINER ON1,86+0,54
 CYRE3 CYRELA REALT ON13,82+0,51


Bolsas asiáticas e europeias
As principais bolsas asiáticas encerraram o pregão com leve queda, após os mercados norte-americanos permanecerem fechados na última sexta-feira devido ao feriado de 4 de julho. Já na Europa, os índices têm uma sessão de baixa, com investidores reagindo a fracos dados econômicos da Alemanha. 

A produção industrial alemã caiu 1,8% em maio, maior queda mensal em mais de dois anos, informou o Ministério da Economia nesta segunda-feira. A previsão em pesquisa da Reuters era de que a produção industrial ficaria estagnada no período. “Depois da forte produção no primeiro trimestre, a indústria enfraqueceu nos últimos meses. Além do efeito do feriado prolongado em maio e da fraqueza na construção, o que era de se esperar após o inverno ameno, fatores geopolíticos também podem ter influenciado”, informou o ministério em comunicado.

Investidores seguiram com cautela também após o maior pessimismo da presidente do FMI sobre o crescimento do PIB global.