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Ibovespa avança 1,01%, com falas de Tebet, e destoa do exterior; dólar cai abaixo de R$ 5

Ministra do Planejamento falou que mercado terá em breve "surpresas positivas" no que tange à inflação e animou investidores

Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em alta de 1,01% nesta terça-feira (9), aos 107.113 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira destoou do que foi visto no exterior, onde a tendência foi de queda, com “ajuda” da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

A ministra, mais cedo, falou que o mercado terá, em breve, surpresas positivas com a inflação brasileira. A fala foi vista como um “adiantamento” da publicação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que será feita na sexta, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Ibovespa sobe hoje e o principal fator que impulsiona nossa bolsa para cima, na minha visão, são as declarações de Simone Tebet sobre o IPCA. Ela afirmou que o dado pode vir abaixo do esperado, trazendo um maior otimismo por parte dos investidores, desencadeando um fluxo comprador em ativos sensíveis ao juros”, diz André Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

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Entre as maiores altas da Bolsa, ficaram companhias de varejo. As ações ordinárias do Magazine Luiza (MGLU3) subiram 6,98% e as da Via (VIIA3), 5,05%.

Isso se deu mesmo com a curva de juros brasileira avançando. Os DIs para 2024 ganharam 1,5 ponto-base, indo a 13,23%, e os para 2025, 7,5 pontos, a 11,76%. Os contratos para 2027 e 2029 subiram 5,5 e cinco pontos, respectivamente, a 11,63% e 12,04%. Os DIs para 2031, por fim, fecharam a uma taxa de 12,32%, com mais oito pontos.

“O mercado digere também um pouco a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o que não muda a correção do pessimismo no índice. A Bolsa está barata, tivemos os resultados dos bancos, positivos, a Vale recupera preço. Há um leve viés de otimismo”, avalia Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante Investimentos.

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A interpretação de parte do mercado é que a ata manteve um tom duro, com ênfase nos núcleos e nas expectativas de inflação ainda altas.

“Nós tivemos um dia com divulgação da ata do Copom, que manteve um tom mais duro. A sinalização é que se por um lado não teremos alta da Selic, também não teremos queda”, menciona Acilio Marinello, coordenador da Trevisan Escola de Negócios. “O entendimento do mercado é que a Selic deve ser mantida nos patamares atuais por algum tempo, até que outros fatores tragam previsibilidade e a instituição retome a queda dos juros”.

Ele lembra que um possível recuo das taxas depende, em grande parte, da tramitação do novo arcabouço fiscal no Congresso – e há a sinalização de que o texto começara a andar, por lá, ainda nesta semana.

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Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram, na sequência, 0,17%, 0,46% e 0,63%. Investidores, por lá, estão cautelosos, esperando a publicação, marcada para amanhã, do índice de preços ao consumidor (PCI, na sigla em inglês), de abril.

O dólar, por fim, ganhou força mundialmente, com o DXY, que mede a força da moeda frente a outras de países desenvolvidos, ganhando 0,26%, aos 101,64 pontos. Frente ao real, porém, houve queda de 0,48%, negociado a R$ 4,987 na compra e a R$ 4,988 na venda.

Na segunda-feira, investidores reagiram negativamente ao anúncio de que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, será indicado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central. A leitura foi de que Galípolo, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elevaria a pressão para que o Banco Central reduza a taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano.

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Na manhã desta terça-feira, o dólar chegou a dar continuidade a este movimento e atingiu a cotação máxima da sessão, de 5,0379 (+0,46%), às 9h55. Mas a moeda norte-americana foi perdendo força gradativamente, até se firmar no território negativo no início da tarde.

Hoje, Galípolo defendeu o corte de juros, mas ponderou que esta é uma vontade de “todo mundo”. “Acho que todo mundo quer baixar os juros. Tenho convicção que toda a diretoria do Banco Central não tem nenhum tipo de satisfação, nem profissional nem pessoal, de ter um juro mais alto”, disse.