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Ibovespa atinge históricos 161 mil pontos: o que explica o ânimo e o que esperar?

Olhos seguem voltados às políticas monetárias dos EUA e do Brasil; visão é otimista para o mercado doméstico

Lara Rizério Agências de notícias

(Shutterstock)
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O ano está terminando, mas o ânimo que seguiu o Ibovespa ao longo de 2025 se continua, fazendo com que o índice atinja novas máximas.

O Ibovespa renovou máximas históricas nesta terça-feira, ultrapassando os 161 mil pontos pela primeira vez, em pregão endossado pelo cenário externo, principalmente expectativas relacionadas aos próximos passos do banco central dos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,56%, a 161.092,25 pontos, na máxima do dia, renovando recordes de fechamento e intradia. Na mínima do pregão, marcou 158.611,50 pontos. O volume financeiro somou R$ 24,55 bilhões.

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Nesta reta final do ano, os investidores mantêm concentração na política monetária brasileira e americana, em meio a decisões sobre juros neste mês, em dia de agenda esvaziada internacionalmente.

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) estão em período de silêncio que precede sua próxima decisão de juros, marcada para quarta-feira que vem, no mesmo dia da definição do Comitê de Política Monetária (Copom).

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Além da aposta de queda dos juros nos Estados Unidos na semana que vem e manutenção da Selic em 15% ao ano, mas início do recuo em 2026, há o fator político, como destaca Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.

Ele refere-se à pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, mostrando que a desaprovação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a superar a aprovação.

Segundo Cima, havia uma certa apreensão no mercado dada a recuperação da popularidade de Lula em levantamentos passados e alguma desarticulação da direita. “O governo vinha ganhando terreno e agora uma reeleição pode ficar um pouco mais incerta”, diz o analista da Manchester, sugerindo que o mercado é favorável a uma mudança presidencial que foque em alteração, melhoria do quadro fiscal.

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Ainda em destaque no noticiário, o líder russo, Vladimir Putin, recebe nesta terça-feira o principal negociador dos EUA e enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, em Moscou, para debater a proposta de paz mediada por Washington, após a revisão do texto por diplomatas ucranianos.

O encontro ocorre em um momento em que os EUA pressionam para que um acordo de paz seja firmado entre os dois países, embora os confrontos continuem com toda a intensidade no front: o lado russo anunciou nesta terça a tomada da estratégica cidade de Pokrovsk, centro logístico no leste da Ucrânia — algo que Kiev nega —, enquanto um levantamento registrou um aumento no número de drones e mísseis contra o território ucraniano em novembro.

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Atenção ainda aos dados da economia brasileira. Números do IBGE divulgados durante a manhã trouxeram que a indústria brasileira registrou crescimento abaixo do esperado em outubro, caminhando para o fim do ano sem ganhar ritmo em um ambiente interno adverso e em meio a incertezas no cenário externo. Em outubro a produção industrial teve avanço de 0,1% em relação ao mês anterior, resultado que ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,4%.

O indicador pode ajudar a balizar as apostas sobre o início do ciclo de cortes na Selic –ainda que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tenha esfriado um pouco do entusiasmo com suas declarações recentes, reiterando cautela para o corte de juros.

“O Ibovespa apenas aparou ganhos [na véspera], fechando o dia aos 158,6 mil pontos. A curva lidou ontem com as pressões dos yields externos, mas declarações um pouco mais comedidas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ajudaram a conter os avanços. Ainda assim, persistem as dúvidas quanto ao início dos cortes da Selic entre janeiro e março”, completa em nota o sócio da Tendências Consultoria.

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O que esperar?

De acordo com analistas técnicos do Itaú BBA, o Ibovespa segue em tendência de alta e com espaço para seguir em direção aos 165.000 e 180.000 pontos.

“A maioria dos índices setoriais negocia na máxima do ano. Esse movimento significa que os ‘astros do mercado’ estão alinhados, o que aumenta a confiança de que o movimento de alta está firme”, afirmaram no relatório Diário do Grafista, enviado a clientes nesta terça-feira.

A Ágora Investimentos também havia apontado perspectiva de continuidade do movimento positivo após breve ajuste do Ibovespa na véspera.

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O Bradesco BBI ressalta que, em meio à forte valorização do Ibovespa ao longo de 2025, os investidores globais buscam o próximo capítulo da narrativa brasileira.

A expectativa é de que o ciclo de cortes da Selic em 2026 será o direcionador inicial, mas enquanto ele não chega, o foco é dominado por histórias bastante específicas. “A economia brasileira atravessa uma desaceleração, mas ainda segue resiliente. A expectativa é de um dos soft landings mais suaves entre as grandes economias”, ressalta.

A expectativa de suave redução da atividade parece ser sustentada por três pilares, ressalta o BBI: (i) juros ainda elevados, mas com espaço para queda, com projeção de primeiro corte em março de 2026 (o mercado precifica uma probabilidade do primeiro corte em janeiro); (ii) valuation atrativo (como vimos a pouco); e (iii) dividend yield (rendimento de dividendos, ou dividendo sobre o preço das ações) robusto, em cerca de 5,6% estimado para o próximo ano, um carrego relevante enquanto o investidor espera pela queda da Selic.

“Neste sentido, historicamente, os ciclos de queda da Selic têm sido poderosos para ativos de risco: em janelas de 12 meses após o primeiro corte, o Ibovespa subiu, em média, mais de 0%. Esse histórico reforça a tese de que o próximo movimento pode destravar valor significativo. Logo, mesmo negociando em região de máxima histórica há descontos!”, reforça o banco.

Também já de olho em 2026, a XP Investimentos revisou nesta semana a sua projeção para o Ibovespa, passando de 170 mil para 185 mil ao fim do ano. A revisão da equipe de estratégia da XP, liderada por Fernando Ferreira, considera a queda das taxas de juros reais de longo prazo e a expectativa de nova expansão de múltiplos, sustentada por fluxos de investimento domésticos e estrangeiros. O valuation do índice permanece atrativo, negociando a 9,3 vezes o lucro projetado. Já o BofA (Bank of America) projeta o Ibovespa a 180 mil pontos ao fim do ano que vem.

O Morgan Stanley está ainda mais otimista, reiterando sua recomendação overweight (acima da média do mercado, equivalente a compra) para ações brasileiras na América Latina, projetando o Ibovespa em 200 mil pontos no fim de 2026,

“Crescimento de lucros de +7% e +19% em dólares em 2026 e 2027, respectivamente, e um P/L relativamente estável em 10 vezes sustentam nossa meta”, afirmou o banco, mencionando que o Brasil pode se tornar um mercado de destaque global em 2026 caso empresas reduzam seu custo de capital, o que ajudaria a acelerar a expansão dos múltiplos.

(com Estadão Conteúdo)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.