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SÃO PAULO – O mercado de trabalho norte-americano teve papel relevante para a alta das bolsas internacionais nesta semana. A confiança do investidor aumentou após o setor privado marcar adição de 200 mil empregos à economia dos EUA em março, e o sentimento de que enfim os Estados Unidos deixam a “recuperação desempregada” veio com o Employment Report e a criação de mais vagas do que era esperado.
Desse modo, o Ibovespa, ajudado pelos bons ventos nos EUA, avançou mais de 2% em sua terceira semana de alta, superando os 69 mil pontos pela primeira vez desde 24 de janeiro deste ano. Para Rafael Espinoso, estrategista de renda variável da CM Capital Markets, nos últimos dias de fato o índice ganhou força e voltou para tendência primária de alta, mas já começa a se aproximar de uma região de sobrecompra, com importante resistência em 69.450 pontos.
Por isso, o estrategista não acredita que os próximos dias serão positivos para o mercado acionário brasileiro. Em sua opinião, o investidor deve realizar parte destes lucros, em um movimento natural de ajuste, com possibilidade de o índice encostar novamente nos 68.370 pontos. Perdendo esse patamar, o Ibovespa poderia buscar os 67.670 pontos.
Espinoso não acredita que este será um movimento único do Ibovespa, já que o Dow Jones também está esticado, após ter registrado a maior oscilação percentual em um trimestre em doze anos. Para João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, a tendência observada é diversa: sua percepção é de que ainda há espaço para recuperação, embora o mercado deva continuar sensível à crise na Zona do Euro.
Portugal e os mercados
Por lá, a situação de Portugal continua indefinida, com revisão para cima do déficit fiscal e consecutivos rebaixamentos de rating, ainda sob o temor de que um resgate financeiro ao país é questão de tempo. Ainda assim, vale notar que em um leilão extraordinário de títulos da dívida Portugal conseguiu captar € 1,645 bilhão, com taxa de juros média de 5,793% e vencimento para 15 meses. Como comparação, para um título com prazo semelhante, a taxa cobrada no mercado era de 6,4%. A demanda pelos títulos emitidos foi 1,4 vezes superior a oferta. Na próxima quarta-feira, estão previstas novas captações de Portugal.
Além da questão da rolagem da dívida nos países periféricos da Zona do Euro, lembra Espinosa, o Federal Reserve norte-americano deve ficar no radar, após alguns membros, como o presidente do Fed de Richmond, afirmarem que não seria surpresa se a autoridade monetária norte-americana optasse por elevar a taxa básica de juro antes do final do ano.
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André Perfeito, economista-chefe da Gradual, lembra que os dados mais fortes nos EUA nos últimos meses devem levar o Fed a recuar com sua estratégia de hiperliquidez ainda no segundo semestre deste ano. “Em junho é o prazo final do programa de Quantitative Easing por lá e isto deve se traduzir em distorções em muitos mercados, em especial nas commodities”, avalia.
Para Brugger, da Leme Investimentos, a elevação dos juros, no entanto, é um processo natural. Em sua opinião, a ata da última reunião do Fed, que será publicada na terça-feira (5), não deve trazer novas indicações, e por isso a volatilidade em torno desse tema não deve incomodar.
O novo CEO da Vale
O que deve é a sucessão no comando da Vale (VALE3, VALE5). Na segunda-feira (4), será realizada Reunião Prévia dos Acionistas para homologar a contratação de empresa internacional de seleção de executivos, que irá auxiliar a companhia na escolha do substituto de Roger Agnelli. Na sexta-feira, o Conselho de Administração deverá escolher em lista tríplice o novo presidente da Vale. Entre os muitos nomes já cotados, o mais forte continua a ser de Tito Martins, presidente da Inco, subsidiária da mineradora no Canadá, e diretor de Metais Básicos.
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Essa indefinição deve trazer volatilidade não só para a Vale, mas para o mercado local. Os papéis podem ficar pressionados não só até a definição do nome, mas também até o mercado entender como se deu essa escolha, com a perspectiva de que houve interferência política no processo.
Espinoso, da CM Capital Markets, acredita que o mercado gosta do nome de Tito Martins e que sua indicação já está no atual preço, mas que um nome com conexões políticas pode prejudicar os ativos. Abaixo de R$ 47,05, sua perspectiva é que os papéis preferenciais classe A ganhem ponto de venda em gráficos curtos.
Por outro lado, a tendência primária de alta se solidifica acima dos R$ 47,70, e as ações teriam acima desse patamar espaço para buscar os R$ 48,10 e depois R$ 49,75. As ações da mineradora fecharam esta sexta-feira em R$ 47,13.