Resumo da semana

Ibovespa anda de lado em semana agitada de MPs a resultados

Apesar da bateria de indicadores importantes, o índice ficou quase no "zero a zero" nos últimos cinco dias

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SÃO PAULO – O Ibovespa teve três altas e duas quedas, fechando a semana praticamente estável depois de votações de Medidas Provisórias, dados frustrantes da economia norte-americana, agenda cheia de resultados, pagamento de parcela da dívida grega, saída de ações do índice MSCI e mudança no exercício de opções. Nos últimos cinco dias, o benchmark da Bolsa brasileira teve uma leve variação positiva de 0,17%, a 57.248 pontos. Veja os principais acontecimentos que marcaram a semana no mercado brasileiro. 

1. MPs parte II: o retorno
Depois de passar no Congresso a Medida Provisória 665, que trata dos critérios para a obtenção do auxílio-desemprego, o governo levou a MP 664, das pensões, para votação. O resultado foi outra aprovação, mas que veio com duas derrotas: a primeira no fator previdenciário, com a aceitação de mudanças que permitem ao trabalhador aplicar a regra dos 85/95 anos em vez do próprio fator. Pelos cálculos, a mudança aumentará os gastos da Previdência em R$ 40 bilhões em dez anos, ou seja, um grande golpe no ajuste fiscal. A outra derrota, na própria 664 aconteceu com a retirada da exigência de que o salário integral do trabalhador seja pago pela empresa nos primeiros 30 dias do afastamento por motivo de doença (auxílio-doença), a despesa continuando com o INSS. As previsões são de que Dilma vetará o texto que muda as regras do fator previdenciário e devolverá um texto mais moderado, entre o que o governo quer e o que o Congresso aprovou. 

2. EUA talvez devessem pensar melhor antes de subir juros
Alguns membros do Federal Reserve passaram as últimas semanas fazendo declarações hawkish (agressivas) a respeito de um aumento dos juros na maior economia do mundo pela primeira vez desde 2006. No entanto, o discurso perde na hora em que entra em confronto com a própria realidade, o que foi percebido pelo mercado. A inflação ao produtor nos EUA sofreu uma retração de 0,4%, ante expectativas de um avanço de 0,2%, a produção industrial caiu 0,3% ante previsões de avanço de 0,1% e o índice de confiança do consumidor de Michigan desabou para 88,6 pontos contra projeções de 96 pontos. “O mercado de trabalho por lá tem dado sinais de reação, mas a economia como um todo não tem ido na mesma direção”, lembra o analista da Win Trade, Bruno Gonçalves, que explica ser a inflação o que mais preocupa nos EUA agora. “Mesmo com a injeção de liquidez dos últimos anos ela não sobe”, afirma. 

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3. Fim da Temporada de Resultados
A temporada de divulgação dos resultados de companhias de capital aberto relativos ao primeiro trimestre de 2015 acabou nesta sexta e teve como destaques o balanço do Banco do Brasil (BBAS3), que teve um lucro líquido de R$ 5,82 bilhões no primeiro trimestre de 2015, uma alta de 117,3% na comparação anual, resultado que foi impactado pela receita gerada no acordo de associação entre o BB Elo Cartões e a Ciel (CIEL3) no ramo de meios eletrônicos de pagamento. Braskem (BRKM3) também se destacou. A petroquímica mostrou queda de 49% do lucro líquido e receita líquida 14% menor no primeiro trimestre. Mas, segundo a própria empresa, os números foram suavizados pela desvalorização média de 12% do real frente ao dólar. Analistas do Bradesco e Itaú BBA comentaram que o resultado veio positivo.

4. Grécia paga parcela
Depois de trazer tensões ao continente com as dúvidas a respeito do país conseguir pagar suas dívidas, ela liberou 750 milhões de euros ao FMI (Fundo Monetário Internacional) nesta terça e conseguiu ganhar mais tempo para negociar com os seus credores os termos de seu resgate internacional. A grande questão é que o dinheiro saiu dos chamados SDRs (Special Drawing Rights), reservas que o país mantém no próprio FMI. Ou seja, foi talvez um dos pagamentos mais baratos da história do país, já que os gregos nem sequer precisaram recorrer a recursos internos. 

5. Ações saem do MSCI
As ações ordinárias da Eletrobras (ELET3), Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na Vale, e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) foram penalizadas após divulgação de relatório do MSCI (Morgan Stanley Capital Internacional) com sua expectativa para o próximo rebalanceamento semianual do índice previsto para o próximo dia 29 de maio. Conforme documento esses papéis serão excluídos do lado do Brasil. Do lado de entradas, os papéis da Klabin (KLBN11), Pão de Açúcar (PCAR4), Suzano (SUZB5), Cetip (CTIP3), Oi (OIBR4) e Qualicorp (QUAL3) devem ganhar uma participação maior, mas não tão relevante, segundo Credit Suisse.

6. Exercício de opções sobre o Ibovespa: agora é mensal
Uma notícia pegou muita gente no mercado de surpresa. Os vencimentos de opções sobre o Ibovespa – o famoso Ibovespa Futuro – deixaram de ser bimestrais para se tornarem mensais. Ou seja, agora os meses ímpares como janeiro, março, maio, etc. também terão seus próprios contratos do benchmark.