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SÃO PAULO – A notícia de que o governo pode ter espaço para cortar a taxa de juros ainda este ano mexeu com os contratos de juros futuros nesta segunda-feira (1). O DI com vencimento em janeiro de 2017 despenca 12 pontos-base a 14,43%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 11 pontos-base a 15,83%. Segundo informações da Bloomberg, com a recessão pressionando os preços ao consumidor, pode ser que uma redução na Selic – algo inédito desde 2012 – aconteça em 2016.
Já o Ibovespa tem perdas atenuadas em meio à notícia, recuperando o nível dos 40 mil pontos. Às 14h07 (horário de Brasília), o benchmark da Bovespa tinha leve queda de 0,44%, a 40.228 pontos, seguindo o dia negativo no exterior. Na mesma direção, o dólar comercial cai 1,13% a R$ 3,9790 na venda, enquanto o dólar futuro para março tem queda de 0,31% a R$ 4,022.
No noticiário doméstico, destaque para o relatório Focus, que apontou para o quinto ajuste seguido na projeção para a inflação, que passou de 7,23%, para 7,26%. Para 2017, a estimativa sobe por três semanas consecutivas — desta vez, passou de 5,65% para 5,80%. Quanto aos juros, as expectativas são de manutenção em 14,25% em 2016, após a recente decisão do Copom, que pegou o mercado de surpresa. A mediana das expectativas para o final deste ano era de 14,64%. Em 2017, a projeção média é de que a Selic seja reduzida e encerre o ano em 12,75%.
Ainda na agenda doméstica, ganhou destaque a entrevista do novo ministro do Planejamento, Valdir Simão, ao jornal Folha de S. Paulo. O ex-chefe da CGU (Controladoria-Geral da União) disse que o governo pretende sair do “piloto automático” em programas públicos e reavaliar, inclusive, a eficácia de políticas sociais. A ideia seria “descontinuar o que não têm mais sentido e reforçar os mais eficazes, o que faz parte de uma reforma do Estado elaborada por ele.
O mesmo jornal mostrou que, em dezembro de 2015, quando a situação tensa entre com o PT ficou explícita, a presidente Dilma Rousseff teria cogitado licenciar-se do partido e propor a composição de um governo suprapartidário. As conversas sobre o possível afastamento do PT, partido onde a presidente está há 15 anos, surgiram em meio aos debates sobre qual posição os deputados do PT deveriam adotar no Conselho de Ética sobre o processo que pode levar à cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Destaques da Bolsa
No radar corporativo, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,72, -3,03%; PETR4, R$ 4,77, -1,45%) recuam depois de três pregões seguidos de alta, em meio à queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Neste momento, o petróleo Brent registra queda de 3,70%, a US$ 34,66 o barril, enquanto o WTI caía 4,79%, a US$ 32,01. Segundo o jornal O Globo, a Petrobras prepara novo corte no Plano de Negócios. No novo projeto em elaboração para o período entre 2016 e 2020, a estatal prepara um pacote de investimentos em torno dos US$ 93 bilhões, afirmou uma fonte a par das negociações ao jornal, o que representaria queda de 5% em relação à última versão do plano (2015-2019), de US$ 98,4 bilhões.
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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Ainda no noticiário da petrolífera estatal, os analistas do BTG Pactual comentaram o comunicado de queda de 20% nas reservas provadas em 2015, para 13,279 bilhões de barris de óleo equivalente, ante 16,612 bi de boe em 2014, segundo critérios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis/Society of Petroleum Engineers (ANP/SPE). Para os especialistas Antonio Junqueira, Julia Ozenda e Andres Cardona, o motivo por trás do número é a forte queda no preço da commodity.
“Além da revisão maciça, estamos muito preocupados com a queda das reservas provadas. Comparando com a adição de 16 milhões de barris sob o critério SPE nos últimos dez anos, isso representa apenas 2% da contribuição média anual da última década. Assim, embora o tempo de vida médio de 14,2 anos de reservas pareça saudável, o baixo nível de novas descobertas/adições foi uma surpresa negativa”, afirmam os analistas. A enorme diminuição das reservas comprovadas leva os analistas a crerem em um impairment (baixa contábil) relacionado ao corte a ser divulgado no quarto trimestre. A contabilidade para atingir o tamanho do impairment é feito usando uma análise de campo-a-campo, mas ainda é difícil saber como exatamente esses 2 bilhões de barris de óleo equivalentes serão contabilizados na curva da Petrobras.
Do lado dos bancos, os papéis também operam entre perdas e ganhos. No radar do setor, o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 25,03, +0,38%) venderá portfólio de R$ 2,2 bilhões em operações de crédito de empresas que estavam inadimplentes a um fundo especializado na compra desse tipo de ativos, segundo o Valor Econômico. A carteira tem cerca de 2 mil empresas devedoras e conta com operações que não são pagas há quase quatro anos. Segundo o jornal, a venda foi fechada poucos dias antes de o Itaú assumir o compromisso de comprar a fatia do BTG Pactual na Recovery, empresa especializada justamente em recuperar empréstimos dados como perdidos pelos bancos.
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) declarou como complexo o ato de concentração gerado pela compra do HSBC Brasil pelo Bradesco (BBDC3, R$ 19,62, +0,15%; BBDC4, R$ 18,24, +0,50%), apontando a necessidade de se analisar “de forma cuidadosa” eventual tendência de aumento de preços para os consumidores por conta do negócio. O órgão de defesa da concorrência disse que é necessário realizar novas diligências para aprofundar a análise do caso.
Ásia e Europa
No exterior, as bolsas chinesas caíram nesta segunda-feira, após o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial da indústria cair para o menor nível desde meados de 2012, o que não dá nenhum respiro para os mercados em relação à situação econômica do país. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,5%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,8%.
O PMI oficial de indústria da China caiu a 49,4 em janeiro ante 49,7 no mês anterior e abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. É a leitura mais baixa desde agosto de 2012 e ficou abaixo da expectativa de 49,6 em pesquisa da Reuters. Já o restante dos mercados asiáticos iniciou o mês com cautela, com o inesperado afrouxamento da política monetária pelo banco central do Japão provocando algumas compras porém com mais sinais de fraqueza econômica na China e queda dos preços do petróleo mantendo os investidores em alerta.
Acompanhando o cenário de cautela na Ásia e depois do otimismo com o BOJ (Bank of Japan), os mercados europeus também registram manhã negativa no primeiro pregão de fevereiro. Contribui para o desempenho ruim das bolsas o movimento do petróleo. Também no velho continente os investidores seguem atentos à fala do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.