Ibovespa ainda é o melhor benchmark para mercado brasileiro?

Em meio à mudança na composição de ações do índice, estrategista do Itaú Corretora aponta necessitade de rever metodologia do benchmark para medir desempenho do mercado

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SÃO PAULO – A maré ruim da bolsa brasileira vem tomando conta do noticiário desde o início deste ano. Aproveitando o momento negativo do Ibovespa – que acumula queda de quase 10% em 2013 – e a proximidade da mudança quadrimestral da composição da carteira do índice, a equipe de estratégia da Itaú Corretora questiona se o Ibovespa ainda seria o melhor benchmark para medir o desempenho do mercado brasileiro. 

Segundo relatório assinado pelo estrategista chefe da corretora, Carlos Constantini, embora exista uma alta correlação entre o volume de negociação de uma ação e a flutuação livre do seu valor de mercado, pode haver distorções quando as negociações são determinadas mais por especulações do que pelos fundamentos das empresas. 

Uma comparação entre a performance do Ibovespa e o IBrX-100 (segundo benchmark mais utilizado no mercado), que usa o free float (ações em circulação no mercado) para determinar seu peso, indica um descasamento entre o desempenho dos índices. A vairação do IBX-100 está 7,3 pontos percentuais acima do Ibovespa este ano, ou recuo de 3,03%. 

Isso ocorre porque nomes de peso no IBrX-100, como Ambev (AMBV4), têm uma pequena representação no Ibovespa, enquanto ativos menores no índice, como OGX Petróleo (OGXP3), tem um peso maior no Ibovespa em função do alto fluxo de negociações. A participação da Ambev na carteira teórica do índice é de 1,71%, contra 2,5% da OGX – lembrando que a segudna deve subir para 5,08% na composição de maio a agosto de 2013, de acordo com a primeira prévia da nova carteira, divulgada no começo do mês pela BM&FBovespa.

Repensar é preciso
Constantini aponta que essa é a hora de repensar o Ibovespa como forma de evitar essas distorções. Segundo ele, negociações anormais de OGX e elétricas, por exemplo, levarão os papéis dessas empresas a terem um participação cada vez mais relevante no Ibovespa sem que isso represente o fundamento do ativo. Os papéis da OGX e Eletropaulo (ELPL4) acumulam perdas de 49,31% e 42,97% desde o início do ano – figurando num dos piores desempenhos dentre os ativos que fazem parte do Ibovespa. 

Embora seja praticamente improvável que o Ibovespa deixe de ser um padrão para o mercado de ações brasileiro, ele acredita que a mudança de benchmark para os fundos deve ser inevitável. “O mau desempenho recente do Ibovespa poderia ser um gatilho para que investidores e fundos demandem uma mudança”, disse.

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Impacto nos ETFs
Segundo ele, cada vez mais os investidores institucionais estrangeiros usam menos o Ibovespa como um benchmark e o predomínio do BOVA11, índice que busca obter retornos de investimentos que correspondam ao Ibovespa, no mercado de ETFs (Exchage Traded Fund) local deve desaparecer ao longo do tempo desde que haja outras opções.

Diante disso, Constantini reforça: procure escolher outro índice de referência para comprar e manter.