Publicidade
SÃO PAULO – O Ibovespa opera perto da mínima nesta sexta-feira (27), pressionado do lado externo pela queda de 5% da bolsa de Xangai com investigações no mercado chinês e dados fracos da indústria e do lado interno pelo risco de um novo rebaixamento de rating do Brasil. Segundo o Valor Pro, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s visita o País na semana que vem e o governo terá muito pouco a mostrar além do bloqueio por decreto R$ 10 bilhões em gastos, realizado pela presidente Dilma Rousseff hoje. O governo precisa fazer um corte considerado impraticável de R$ 105 bilhões para não cair no TCU (Tribunal de Contas da União).
Às 16h30 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 2,77%, a 45.839 pontos. Já o dólar comercial volta a subir após virar para queda e registra ganhos de 1,57% a R$ 3,8055 na venda, atingindo a máxima do dia, enquanto o dólar futuro para dezembro opera em alta de 1,60% a R$ 3,808. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 13 pontos-base a 15,66%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registrava ganhos de 23 pontos-base a 15,74%.
Um trader que não quis ser identificado disse que a decisão de contingenciar gastos da presidente Dilma veio devido ao “desespero” do Planalto neste momento em que o Brasil pode ser novamente rebaixado pela S&P, ficando dois degraus abaixo do investment grade. “Se ela cortar, vai ficar com Moody’s e Fitch duas notas acima, o que deve levar a um rebaixamento por alguma delas e a perda definitiva do grau de investimento”, analisou. Para ele, o pior da questão é que este possível downgrade não está sendo precificado.
O corte de Dilma, aliás, apesar de grande, não é o bastante para fechar o rombo de R$ 105 bilhões para que o governo escape do TCU, já que ainda está em vigor a meta fiscal que prevê um superávit de R$ 55 bilhões em 2015. Um corte deste tamanho é considerado inviável, de modo que o que podia ser bloqueado é, de fato, este valor de R$ 10 bilhões. A União espera aprovar na próxima terça (1), a alteração da meta fiscal, que permitiria ao governo fechar o ano com déficit primário de R$ 119,9 bilhões.
Orçamento prejudicado
A prisão do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), na terça, deixou a casa alta do Congresso em polvorosa e atrasou a votação do Orçamento de 2016, que fica comprometido. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alertou para esse risco do Orçamento ficar paralisado sem uma mudança da meta de superávit fiscal. “Paralisar significa parar tudo porque a diferença é tão grande que, se executar qualquer coisa, já estaria descumprindo e isso começa no primeiro dia de dezembro”, disse.
A votação da nova meta foi transferida para próxima terça, sendo que as informações da Folha de S. Paulo são de que o governo não fará novos cortes mesmo sem meta aprovada. O desrespeito à meta poderia servir de argumento para impeachment.
Continua depois da publicidade
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou em entrevista ao Estado de S. Paulo, que o governo “vai cumprir” a determinação do TCU e, na segunda-feira, anunciar um corte de todos os recursos disponíveis para gastos até o fim do ano. Segundo relatório ao mercado da XP Investimentos, isso é justificado pelo Congresso não ter votado a mudança na meta fiscal deste ano. Atualmente o superávit está em 1,1%, e incorrerá em infração no fechamento das contas de 2015.
Além disso, ele disse ser necessário “focar todas as energias” na aprovação da meta do ano que vem até dezembro, para que 2016 seja marcado pela recuperação da economia.
Impeachment
Eduardo Cunha disse que poderá decidir sobre os sete pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff na segunda-feira (30). Cunha informou que todos os sete pedidos de impeachment já tem pareceres da consultoria da Casa. Ele disse ainda que está discutindo e analisando os pareceres para decidir sobre todos os pedidos em conjunto, de uma única vez.
Continua depois da publicidade
Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,36, -3,51%; PETR4, R$ 7,59, -4,17%) recuam mais de 3%, estendendo as perdas na semana. No radar da companhia, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) recua 2,42% a US$ 42, com possibilidade da Líbia aumentar aumentar a produção e sinais de esfriamento das tensões entre a Rússia e a Turquia. O barril do Brent cai 0,55% a US$ 45,21.
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
|
O dia também é de queda forte para as ações de Vale (VALE3, R$ 13,48, -5,00%; VALE5, R$ 11,20, -4,76%) e siderúrgicas apesar da alta de 1,18%, a US$ 44,50 da tonelada do minério de ferro. Além de repercutir a forte queda das ações da China, cabe também ficar de olho no noticiário da mineradora.
A Vale convocou entrevista coletiva para hoje às 11h (horário de Brasília). O juiz da comarca de Mariana, Frederico Esteves Duarte Gonçalves, acusa a mineradora Samarco de esconder dinheiro para evitar o cumprimento de decisão judicial que prevê o bloqueio de cerca de R$ 300 milhões em recursos da empresa para pagamento de danos depois do rompimento da barragem da empresa no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, no dia 5.
Em decisão tomada nesta quarta-feira, 25, sobre recurso impetrado pela empresa para evitar o bloqueio do dinheiro, o juiz afirma que a Samarco “sumiu” com o dinheiro e que vem “adotando estratégia jurídica indigna e deliberada de, como se fosse o botequim da esquina, não cumprir o mandamento judicial”.
Também caem as ações da Kroton (KROT3, R$ 9,26, -2,53%), que após abrirem em alta e chegarem a subir 1,37%, viraram para queda. Ontem, as ações caíram quase 9%, pressionadas por informações de que o Ministério da Educação iria pagar às instituições de ensino apenas 60% do saldo dos títulos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referente ao mês de novembro.
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
|
Do lado das altas, apenas Braskem (BRKM5, R$ 25,84, +1,93%), das 64 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, registrava ganhos.
Cenário externo
As bolsas chinesas recuaram mais de 5,5% nesta sexta em sua maior queda diária desde a forte desvalorização vista em agosto, após a Reuters noticiar que o regulador do mercado acionário ampliou sua investigação sobre corretoras para incluir a quarta maior do país e após dados mostrarem que o lucro industrial do país caiu 4,6% em outubro, contra 0,1% de retração no período anterior.
Commodities e moedas emergentes também caem. O índice de Xangai recuou 5,48%, para 3.436 pontos e Hang Seng caiu 1,87%. O dia foi de perdas e ganhos para os mercados europeus, seguindo a Ásia.
Nos Estados Unidos, vale lembrar que após o feriado de Dia de Ação de Graças, as bolsas norte-americanas reabrem nesta sexta, mas terão o tempo de negociação reduzido. Em vez de fechar às 19h como de costume, elas encerrarão o pregão às 16h. Ou seja, das 10h às 12h30 e depois das 16h às 17h15, a Bovespa estará aberta sem a presença dos investidores estrangeiros, que, como se sabe, respondem por nada menos do que 52% do volume negociado na nossa Bolsa.
As bolsas norte-americanas fecharam entre perdas e ganhos.
É hora ou não é de comprar ações da Petrobras? Veja essa análise especial antes de decidir: