Ibovespa acompanha euforia com China e commodities; DIs caem com possível corte de meta de inflação

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SÃO PAULO – Após uma sessão de leve alta na véspera, o Ibovespa iniciou a sexta-feira (10) sinalizando novo pregão positivo, acompanhando com menos intensidade o movimento de euforia visto nas bolsas internacionais. Às 10h08 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira acumulava ganhos de 0,54%, a 65.313 pontos, puxado sobretudo pelo movimento das ações da dupla Vale (VALE3; VALE5) e Petrobras (PETR3; PETR4).

No radar, destaque para os ganhos registrados nas principais bolsas internacionais, em meio aos dados comerciais da China melhores do que o esperado, que impulsionaram as commodities. Nos Estados Unidos, as expectativas são por anúncio sobre impostos. Já na agenda doméstico, as atenções se voltam à possível decisão do ministro do STF Celso de Mello sobre a nomeação de Moreira Franco como ministro do governo Michel Temer, além da repercussão da temporada de balanços corporativos.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 caíam 4 pontos-base, a 10,67%, ao passo que os papéis com vencimento três anos depois recuavam 4 pontos-base, a 10,27%. No radar dos DIs, destaque para a notícia de que o Conselho Monetário Nacional pode retomar o processo de redução da meta de inflação em junho. Conforme conta o jornal Valor Econômico, a ideia preliminar é de que, se os juros estiverem em pronunciada queda rumo à taxa neutra e as expectativas de inflação estiverem muito bem ancoradas, seria possível e útil reduzir a meta para o IPCA anual dos atuais 4,5% para 4,25%, por exemplo.

Já os contratos de dólar futuro com vencimento em março deste ano caíam 0,45%, sinalizando cotação de R$ 3,131.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Agenda internacional

Sem indicadores de destaque na agenda doméstica, os investidores monitoram três dados dos Estados Unidos: a confiança do consumidor, às 13h, o indicador de perfuração de poços, às 16h, e o resultado fiscal de janeiro, às 17h. No sábado, o diretor do Fed Stanley Fischer discursa às, 10h40 (horário de Brasília).

Além da expectativa pela fala de Trump sobre impostos, vale destacar o tom da primeira ligação que o presidente americano fez ao seu homólogo chinês, Xi Jinping. Ele baixou o tom e afirmou que os EUA vão honrar com a política de “uma só China”. Ainda nos EUA, a Corte Federal de Apelação dos Estados Unidos rejeitou de forma unânime o pedido do presidente para restabelecer o veto à entrada em território norte-americano de refugiados e cidadãos de sete nações muçulmanas. A medida significa, na prática, uma derrota para o presidente Trump, que tinha estabelecido o veto imigratório como um dos pontos mais relevantes de seu governo.

Comissões na Câmara e Moreira no STF

O mercado reage ao início da tramitação das reformas estruturais no Congresso. Nesta quinta-feira (9), a Câmara dos Deputados instalou duas comissões que vão analisar propostas para as reformas previdenciária e trabalhista. Para presidir os trabalhos sobre alterações na Previdência, foi eleito o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), indicado pela bancada do PMDB e dos principais aliados do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que hoje está preso por envolvimento na Operação Lava Jato. Na comissão que analisará alterações nas relações entre empregadores e empregados, o deputado Daniel Vilela (PMDB-GO) foi eleito presidente e Rogério Marinho (PSDB-RN), relator.

Foi instalada também a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que irá sabatinar o indicado de Michel Temer à vaga de Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal). Edison Lobão (PMDB-MA), alvo de dois inquéritos na Operação Lava Jato, será o presidente. Dos 13 integrantes, dez, incluindo Lobão, são citados nos inquéritos da investigação.

No STF, o ministro Celso de Mello decidiu ontem pedir informações ao presidente da República, Michel Temer, sobre a nomeação do ministro Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Presidência da República. Temer terá 24 horas para se manifestar. Após receber as informações, o ministro deverá decidir sobre os dois mandados de segurança nos quais a Rede Sustentabilidade e o PSOL questionaram o ato de nomeação. A decisão de Celso de Mello deve colocar fim à guerra de liminares na Justiça contra a nomeação. Na manhã de quinta, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, derrubou decisão proferida pela primeira instância, que anulou a nomeação. Horas depois, uma nova decisão, proferida pela Justiça do Rio, voltou a cancelar a posse.

Por fim,  o Estadão informa que o Planalto recebeu dados de pesquisa do Ibope apontando que a aprovação do governo subiu de 24%, em dezembro, para 28% em fevereiro. A desaprovação foi de 62% em fevereiro, dois pontos porcentuais menor que na pesquisa anterior.

Inflação em queda, juros em queda?

A inflação em desaceleração está fazendo analistas de mercado e o governo revisarem suas estimativas. Vale destacar a notícia do Valor de que o CMN de junho deve cortar meta de inflação, que atualmente é de 4,5%, em 2019. A sinalização ajudaria a consolidar um patamar de inflação mais baixo sem que o BC tenha que recorrer a uma política monetária contracionista, afirma a publicação. A discussão mais técnica sobre o futuro da meta ainda não está ocorrendo na Fazenda ou no BC, mas autoridades envolvidas na decisão já começaram a pensar no assunto. 

Mais no curto prazo, muitos estão acreditando em um corte mais agressivo de juros pelo governo. Em entrevista ao Estadão, o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR) defendeu queda de um ponto porcentual da Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião do Copom, que se encerra dia 22 de fevereiro. Vale destacar que a consultoria americana Pantheon Macroeconomics reduziu a projeção da Selic para o fim deste ano abaixo dos 9%.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.