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Ibovespa acentua queda após abertura dos EUA e dólar sobe forte de olho no BC

Índice acelerou o movimento negativo em dia de agenda fraca e investidores revisando projeções; mudança de atuação do Banco Central deixa dólar instável

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SÃO PAULO – O Ibovespa acentua as perdas no fim da manhã desta segunda-feira (2), atingindo às 15h15 (horário de Brasília) perdas de 1,21%, aos 50.960, próximo da mínima do dia. No radar dos investidores ficam as projeções do Boletim Focus, que apontou para inflação ainda maior, alta da Selic e piora no PIB. A piora do índice ocorre após a abertura das bolsas norte-americanas, onde os dados vieram piores que o esperado. Apesar disso, Wall Street registra ganhos no início do pregão.

Segundo o analista da Guide Investimentos, Luís Gustavo Pereira, o dia está “parado” e o mercado aproveita para revisar suas projeções em uma sessão com menos pressão. Segundo ele, no radar dos investidores ficam as discussões no Congresso em relação aos ajustes fiscais que estão sendo anunciados por Joaquim Levy, além de decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorre na próxima quarta-feira.

Enquanto isso, o dólar tem forte alta, registrando no mesmo horário valorização de 1,2%, a R$ 2,8891 na compra e R$ 2,8905 na venda. O mercado fica de olho na possibilidade do Banco Central reduzir do sistema quase US$ 2,2 bilhões em swaps cambiais tradicionais que vencem no começo de abril, contra um total de US$ 9,964 bilhões. Na sexta-feira a autoridade anunciou que faria oferta de 7.400 contratos em leilão de rolagem, no equivalente a US$ 370 milhões.

Por aqui, destaque para a nova pesquisa Focus do Banco Central, que mostrou alta nas projeções para inflação e para a Selic neste ano. A mediana dos analistas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu pela nona semana consecutiva, de 7,33% para 7,47%, enquanto para o dólar a perspectiva subiu para R$ 2,91, ante R$ 2,80 há quatro semanas.

Neste cenário, a estimativa para a Selic, que ficou estacionada por algum tempo em 12,50%, há duas semanas subiu para 12,75% e, agora, para 13%. Atualmente a taxa básica de juros está em 12,25% ao ano. Lembrando que ocorre nesta quarta-feira (4) a decisão da nova reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que deve elevar novamente a Selic.

Além disso, o PMI mostrou que a indústria brasileira voltou a se contrair em fevereiro após dois meses de fôlego diante da queda do volume de produção e de novos pedidos. O Markit, que compila a pesquisa, informou que o PMI caiu a 49,6 em fevereiro contra 50,7 em janeiro, quando havia registrado o maior nível em um ano. 

 Assim, volta a ficar abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, território onde permaneceu por sete meses do ano passado, a última vez em novembro. Segundo o Markit, o fortalecimento do dólar em relação ao real fez com que os preços de insumos aumentassem em fevereiro, pelo quarto mês seguido, levando a um crescimento dos preços médios cobrados pelos fabricantes.

No mercado norte-americano o ISM, índice que mede o ritmo da atividade industrial no país, registrou queda para 52,8 em fevereiro, ante resultado de 53,5 em janeiro. Ficando abaixo das projeções compiladas pela CNBC, que era de 53,2. Esse é o menor ritmo de crescimento do setor em 13 meses. Enquanto isso, os dados de gastos de construção tiveram queda de 1,1% em janeiro, contra uma expectativa de alta de 0,2%.

Destaques de ações
Em destaque nesta fraca sessão de segunda, ficam as ações das educacionais, que apoós caírem forte na sexta com o “aperto” do governo no Fies, buscam leve recuperação hoje. Na própria sexta-feira, o presidente-executivo da Estácio (ESTC3, R$ 18,79, -2,64%), Rogério Melzi, disse que, por conta das incertezas sobre o cenário econômico e o Fies, a companhia estuda oferecer um programa de financiamento próprio aos alunos. Ele citou que a baixa taxa de penetração de alunos no ensino superior no Brasil entre os países da América Latina, mostra que a demanda ainda é alta.

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Enquanto isso, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,25, -2,43%PETR4, R$ 9,37, -2,09%) passam a cair com mais força, se aproximando de 3% de desvalorização. Márcio Zimmermann, secretário de Minas e Energia, renunciou ao cargo de conselheiro da Petrobras. O escolhido para assumir seu lugar foi Luiz Navarro, ex-integrante da Controladoria Geral da União, Navarro atua como consultor sênior no escritório Veirano Advogados, especialista em medidas anticorrupção, integridade corporativa, controle e regulatório. Zimmermann era indicado pelo governo federal ao cargo, o nome de Navarro pode ser bem recebido pelo mercado, comentou a Guide Investimentos.

As ações da Vale (VALE3, R$ 20,56, -3,25%VALE5, R$ 17,91, -3,24%) acentuam as perdas nesta tarde depois de um relatório do Itaú BBA rebaixar a recomendação dos papéis da mineradora para underweight (desempenho abaixo da média) em meio à expectativa de queda do preço do minério de ferro. O Credit Suisse também divulgou relatório sobre a empresa, cortando o preçod o ADR (American Depositary Receipts) de US$ 7,50 para US$ 7, com recomendação de venda. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 PDGR3 PDG REALT ON0,45-4,26
 BRAP4 BRADESPAR PN12,68-4,23
 ELET3 ELETROBRAS ON5,14-3,93
 ELET6 ELETROBRAS PNB6,67-3,75
 GOAU4 GERDAU MET PN10,75-3,67

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 MRVE3 MRV ON7,00+2,94
 EMBR3 EMBRAER ON25,37+1,89
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N216,30+1,88
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA12,28+1,82
 POMO4 MARCOPOLO PN ED N22,28+1,79
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

 

 

Exterior
Na China, destaque para o corte na taxa de juros. O país intensificou no sábado seu ritmo de afrouxamento e cortou os juros de empréstimo e depósito conforme a segunda maior economia do mundo tenta afastar a deflação. 

 No domingo, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade no setor industrial do país contraiu pelo segundo mês seguido em fevereiro. O PMI oficial subiu para 49,9 em fevereiro contra 49,8 em janeiro, pouco abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, mas acima da projeção de analistas de leitura de 49,7.

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Na zona do Euro a semana começou agitada, com a divulgação de diversos dados econômicos. O crescimento da indústria da zona do euro manteve-se estável em fevereiro, na máxima de seis meses atingida em janeiro, sustentada pelo euro mais fraco que impulsionou as encomendas para exportação e um ritmo mais rápido de contratações, mostrou nesta segunda-feira a Pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês). Mas o PMI ainda indica um ritmo apenas modesto de crescimento nas fábricas da região.