Ibovespa acentua perdas e dólar sobe com adiamento na votação da reforma da Previdência

Índice reverte otimismo dos investidores pela manhã, em meio às expectativas de avanço na agenda de reformas do governo
Painel de ações (Crédito: Shutterstock)
Painel de ações (Crédito: Shutterstock)

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SÃO PAULO – Após iniciar o dia no campo positivo, o Ibovespa ampliou perdas no começo da tarde desta quarta-feira (19), com os investidores observando com atenção a evolução da proposta de reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Às 14h08 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira operava com variação levemente negativa de 0,60%, a 64.145 pontos. O humor do mercado piorou com as ofensivas da oposição contra o avanço da pauta na comissão especial dedicada à reforma na casa legislativa. Está previsto para esta sessão a leitura do relatório final do deputado Arthur Maia (PPS-BA). Um acordo foi firmado entre governistas e opositores para que o texto fosse discutido até 27 de abril e votado em 2 de maio na comissão.

Integrantes da oposição, os deputados Luiz Sérgio (PT-RJ) e Jandira Feghali (PC do B-RJ) criticaram o fato de o parecer final do relator Arthur Maia ainda não ter sido distribuído até o momento, quando a leitura estava marcada para começar às 9 horas. Eles pediram ao relator que, após a leitura desta quarta, o o relatório seja discutido na próxima semana e só seja votado na semana seguinte no colegiado. Governistas, porém, queriam que a discussão e a votação do parecer ocorram já na próxima semana, para que a proposta possa ser votada no plenário da Casa a partir de 8 de maio. A leitura do relatório foi interrompida pela ordem do dia no plenário da casa, que prevê a votação dos destaques ao projeto de socorro, com contrapartidas, aos Estados endividados.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 operavam em leve alta de 1 ponto-base, a 9,54%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 avançavam 5 pontos-base, a 9,92%, após ambos registrarem fortes quedas na véspera, após a divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Os contratos de dólar futuro com vencimento em maio, por sua vez, apresentavam variação positiva de 0,95%, sinalizando cotação de R$ 3,144.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis da Vale (VALE3; VALE5) corrigem forte queda da véspera, quando foram penalizadas pela derrocada de 5% do minério de ferro. Hoje, a commodity também teve um alívio nas quedas recentes: o minério de ferro spot, negociado em Qingdao, fechou em alta de 2,21%, a US$ 64,60 a tonelada. Por outro lado, os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian caíram 0,41%, a 480 iuanes. Acompanham o movimento positivo as ações da Bradespar (BRAP4) — holding que detém participação na mineradora — e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).

Vale menção que as ações da Usiminas sobem mais forte do que o restante do setor, antes do balanço do 1° trimestre, que está previsto para ser divulgado na manhã da próxima quinta-feira. Na segunda-feira, as ações da siderúrgica dispararam 8%, após dados do bimestre vazarem na imprensa. Os números foram confirmados naquele mesmo pregão pela siderúrgica, embora ressaltasse que não eram definitivos, já que estão sujeitos à revisão dos auditores externos.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) viram para queda, após decepção com dados dos estoques de petróleo nos Estados Unidos, que caíram em 1,034 milhão de barris na última semana, para 532,3 milhões de barris, segundo informações desta manhã da EIA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês). A mediada das estimativas da Bloomberg indicava queda de 1,4 milhão de barris na semana. Já os estoques de gasolina cresceram em 1,5 milhão no mesmo período, contra projeção de queda de 2 milhões de barris. 

Com os dados, os preços do petróleo também viraram para baixo: os contratos do petróleo WTI registravam queda de 0,21%, a US$ 52,30 o barril, enquanto os do Brent caíam 0,15%, a US$ 54,81 o barril. 

No radar, a Petrobras demonstrou forte oposição a um programa liderado pelo governo para aumentar o uso de biocombustíveis, um movimento que acompanha sua recente decisão de retirar-se completamente do setor. Em um documento produzido pela estatal como contribuição a uma consulta sobre o programa RenovaBio, a Petrobras demonstrou preocupação sobre o impacto da maior produção de biocombustíveis sobre a proteção de florestas e produção de alimentos, e disse que usinas de cana não estão em posição financeira adequada para aumentar a produção de etanol.

A empresa também disse que o Brasil não precisa aumentar o uso de biocombustíveis para ajudar a cumprir suas metas sob o acordo climático de Paris, acrescentando que outras formas de contribuição teriam menor impacto econômico.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRML3 BR MALLS PARON 14,06 -3,17 +17,66 24,16M
 CYRE3 CYRELA REALTON 13,01 -2,18 +26,68 13,96M
 CSAN3 COSAN ON 36,89 -2,15 -3,30 12,99M
 BBAS3 BRASIL ON 31,66 -2,07 +13,03 81,09M
 LREN3 LOJAS RENNERON 29,06 -1,99 +25,78 28,09M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 4,11 +3,79 +0,24 66,35M
 QUAL3 QUALICORP ON 21,54 +3,51 +11,90 21,18M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 63,70 +2,36 +16,35 51,15M
 GOAU4 GERDAU MET PN 4,19 +2,20 -12,71 39,79M
 VALE3 VALE ON 27,02 +1,54 +5,22 98,37M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda política
Em Brasília, as atenções se voltam para a leitura do relatório da reforma da Previdência, adiada para as 9h desta quarta-feira. Na véspera, o governo cedeu em mais um ponto e aceitou reduzir a idade mínima para aposentadoria de mulheres de 65 para 62 anos em troca do apoio de 42 deputadas da bancada feminina. Vale destacar que o relator desistiu de idade mínima de 60 anos para policiais após tentarem invadir o Congresso contra reforma, diz Folha. A ideia é estabelecer idade mínima de 55 anos a partir de 2020, mas relatório pode não prever uma transição até 60 anos. 

Vale destacar que ontem o governo sofreu uma vitória e uma derrota na Câmara. Após um mês de tramitação, a base aliada do governo conseguiu vencer a obstrução da oposição e aprovou no plenário da Câmara dos Deputados o texto base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 343/17, que trata da recuperação fiscal dos estados superendividados. Ainda falta votar os destaques. Por outro lado,  a Câmara rejeitou urgência para reforma trabalhista, que teve apenas 230 votos, dos 257 necessários, o que foi considerada uma derrota para o governo. Segundo a coluna Painel, da Folha, o governo vai usar a reprovação do pedido de urgência para a votação da reforma trabalhista na Câmara para cobrar fidelidade de ao menos dois partidos que atuam de maneira dúbia, o PSB e o PPS.

Nova Operação da PF e Lava Jato

Em destaque nesta sessão, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (19) a Operação Conclave. A PF informou em  nota que o objetivo da ação é investigar a aquisição possivelmente fraudulenta de ações do Banco Panamericano pela Caixa Participações S.A. (CAIXAPAR). De acordo com a PF, a transação tem “potencialmente causado expressivos prejuízos ao erário federal”. O inquérito investiga a se houve gestão fraudulenta e prejuízo a correntistas e clientes. Confira mais detalhes clicando aqui. 

Além disso, destaque para os depoimentos dos marqueteiros João Santana e Monica Moura , que afirmaram ontem que receberam dinheiro de caixa 2 para coordenar a campanha de Dilma Rousseff à presidência da República, em 2010. Em depoimentos anteriores, o casal havia dito que os pagamentos recebidos na Suíça eram referentes a campanhas realizadas fora do Brasil.  “Na época, ainda atordoado pela prisão, preocupado com a estabilidade política e com a própria manutenção no cargo da presidente Dilma, eu menti”, afirmou Santana ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Esta foi a primeira vez que os publicitários são ouvidos na condição de delatores, após homologação do acordo de colaboração pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Por fim, parte dos documentos relacionados à delação dos executivos da Odebrecht, que ainda está sob sigilo, contém citação ao ex-presidente Lula, o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. O jornal ‘O Estado de S. Paulo’ teve acesso a essas decisões do ministro Edson Fachin. Os delatores contaram que, para expandir os negócios do grupo em outros países, usavam o nome do ex-presidente Lula como cartão de visitas.

Bolsas mundiais

As bolsas mundiais registram um dia misto, entre a alta de commodities e a tensão no Reino Unido: Thereza May defende hoje no Parlamento a convocação de eleições antecipadas para o próximo dia 8 de junho, de forma a fortalecer o “Brexit”. Assim, enquanto a maior parte dos mercados europeus registra alta, o FTSE tem leve queda.

Já os  principais mercados acionários da China recuaram pela quarta sessão consecutiva nesta quarta-feira, com a intensificação das preocupações dos investidores de que regulações mais rígidas contra especulações e o sistema bancário sem regulação vão prejudicar a recuperação do país.  Analistas atribuem a recente fraqueza do mercado às preocupações de que a recuperação impulsionada por estímulo na China desde o final do ano passado está enfraquecendo, em meio à campanha do governo contra a alavancagem excessiva e as bolhas de ativos. As bolsas do restante da região também mostraram fraqueza, com exceção do Japão, cujo índice Nikkei fechou com variação positiva de 0,07 por cento.

No mercado de commodities, o minério de ferro registra um dia de alta na China após dois dias de forte queda, enquanto os metais industriais avançam em Londres; já o petróleo tem leve ganho e sustenta nível de US$ 52, em dia de estoques de petróleo nos EUA. 

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.