Bolsa

Ibovespa acelera queda após abertura dos EUA e afunda 3%; Itaú já despenca mais de 6%

Mercado tem dia de queda em meio a dados fracos aqui e na China e com volta do recesso parlamentar no radar

SÃO PAULO – O Ibovespa acelera perdas nesta terça-feira (2) pressionado principalmente pelas ações de Itaú Unibanco e Petrobras. O banco por conta do seu resultado no quarto trimestre de 2015 e a petroleira em vista da desvalorização do petróleo hoje, antes dos estoques que saem na quarta. A queda do petróleo também puxa as bolsas europeias e os índices norte-americanos, que abriram em queda de mais de 1%. Por aqui, os investidores ainda vão ficar de olho na volta dos trabalhos do Congresso após mais de um mês de recesso parlamentar. Reunião do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, com representantes da agência de classificação de risco, Moody’s, também entra no radar, assim como os dados da produção industrial em dezembro.

Às 12h42 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 3,07%, a 39.324 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,70% a R$ 3,9867 na venda, enquanto o dólar futuro para março tem alta de 0,54% a R$ 4,018. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera em alta de 2 pontos-base a 14,42% e o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 17 pontos-base a 15,80%. Os contratos devolvem parte das perdas da véspera, quando uma notícia sobre uma possível redução da Selic ainda em 2016 passou a circular no mercado. 

Os encontros de Tombini e de toda a diretoria do BC serão fechados à imprensa. A Moody’s colocou rating Baa3 do País em revisão para possível rebaixamento em dezembro. 

Ações em destaque
Entre as maiores quedas do dia estão os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 23,91, -6,12%) com os investidores de olho no resultado do banco.
A companhia registrou um aumento de 15,4% do lucro em 2015, somando R$ 23,35 bilhões, o maior lucro da história entre os bancos brasileiros de capital aberto em valores nominais. No quarto trimestre do ano passado, o lucro somou R$ 5,698 bilhões, com baixa de 4,15% em relação ao terceiro trimestre, mas alta de 3,2% se comparado aos últimos três meses de 2014.

Por outro lado, o mercado repercute as expectativas negativas do banco. Para 2016, o Itaú Unibanco previu um intervalo que vai de contração de 0,5% para alta de 4,5% em sua carteira de crédito e um aumento médio superior a 40% das provisões para perdas com inadimplência, além de desaceleração das despesas administrativas.

Segundo o BTG Pactual, o lucro líquido do Itaú veio em linha com o esperado pelo mercado, enquanto a tesouraria voltou para níveis normalizados. O destaque também ficou para o guidance bastante conservador (negativo).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CMIG4 CEMIG PN5,72-13,99
 CIEL3 CIELO ON30,75-7,80
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED23,91-6,12
 ITSA4 ITAUSA PN6,53-5,64
 PETR3 PETROBRAS ON6,21-5,62

 

 

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Também em queda por conta do balanço está a Cielo (CIEL3, R$ 30,75, -7,80%). A empresa de meios de pagamento vê suas ações caírem forte após a companhia registrar lucro de líquido de R$ 852,7 milhões no quarto trimestre de 2015, alta de 6,2% na comparação anual, segundo informou a empresa ao mercado. O resultado ficou bem abaixo das estimativas, que giravam em R$ 977,4 milhões, segundo média das projeções da Bloomberg.

Segundo o Bradesco BBI, a principal surpresa negativa veio das receitas no Brasil; “além disso fomos surpreendidos pelo custo/transação de R$ 0,54 no trimestre, superior na comparação trimestral”, destacam os analistas. Já o JPMorgan Securities cortou o preço-alvo para as ações da Cielo de R$ 46 para R$ 40, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média), destacando as condições econômicas deterioradas do cenário atual.

Destaque também para Petrobras (PETR3, R$ 6,21, -5,62%; PETR4, R$ 4,50, -4,66%), que cai puxada pelo desempenho do petróleo. No noticiário da estatal, de acordo com informações do jornal O Globo, a companhia estuda unir o Comperj com as refinarias Reduc e Regap, o que pode ser uma saída para encontrar um sócio para continuar com as obras do complexo petroquímico.  As obras do Comperj em construção em Itaboraí (RJ) estão paradas, pois o local foi um dos alvos do esquema de corrupção entre funcionários da estatal e fornecedores revelado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 GOAU4GERDAU MET PN1,24+7,83
 USIM5USIMINAS PNA1,00+4,17
 GGBR4GERDAU PN3,90+2,63
 CSNA3SID NACIONAL ON3,83+2,13
 NATU3NATURA ON23,57+1,38

 

Já entre as altas estão as ações do setor siderúrgico, que, para muitos analistas, estavam muito pressionadas e já há quem as veja como sobrevendidas. Sobem Gerdau (GGBR4, R$ 3,89, +2,37%), Usiminas (USIM5, R$ 1,00, +4,17%) e CSN (CSNA3, R$ 3,83, +2,13%). 

Volta do recesso parlamentar
Após um período de recesso iniciado em 23 de dezembro de 2015, os parlamentares retornam às suas funções nesta terça. Já na cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, os congressistas receberão da presidente Dilma Rousseff a mensagem do governo defendendo o ajuste fiscal, a reforma da Previdência, a volta da CPMF e o combate ao zika vírus. Com isso, dois meses após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deflagrar a abertura do processo de impeachment contra Dilma, ela estará lado a lado com seu adversário político. Esta é a primeira vez que Dilma irá pessoalmente ao Congresso para entregar a mensagem presidencial, desde que assumiu o Palácio do Planalto, em 2011.

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Ainda sobre a volta do recesso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidirá a sessão e disse à Folha de S. Paulo, que vai colocar em pauta projetos sobre a independência do BC e a liberação da Petrobras como operadora única do pré-sal.

Segundo o mesmo jornal, o governo planeja unificar todos os regimes de Previdência. Já de acordo com o Estado de S. Paulo, os programas sociais devem escapar do corte do Orçamento. 

Produção industrial
A produção industrial de dezembro de 2015 mostrou uma retração de 0,7% na comparação com novembro, pior do esperado pelo mercado. A expectativa dos analistas era de estabilidade. Na comparação com dezembro de 2014, a queda foi de 11,9%. As expectativas da mediana dos economistas do mercado segundo a pesquisa Bloomberg eram de um recuo de 10,6%

No acumulado do ano, o setor industrial mostrou o maior recuo, de 8,3%, da série iniciada em 2003. Já o acumulado em 12 meses teve sua maior queda desde novembro de 2009 (-9,4%). No confronto com dezembro de 2014, o setor industrial mostrou seu vigésimo segundo resultado negativo consecutivo

PMI de Serviços na China
Apesar de não ser tão importantes para a economia brasileira quanto os dados industriais chineses, o PMI (Índice Gerente de Compras, na sigla em inglês) de Serviços da China de janeiro será divulgado depois deste pregão às 23h45. Em dezembro, o dado ficou em 50,2 pontos, lembrando que números acima de 50 demonstram avanço da atividade econômica do setor e números abaixo de 50 denotam contração. 

Cenário externo
Os índices chineses subiram mais de 2% nesta terça-feira, liderados pelas small caps, enquanto as ações caíram no restante do continente, pressionadas pela queda do petróleo e por dados fracos da indústria chinesa, que aumentavam as preocupações com o crescimento global. Alguns analistas disseram que os baixos volumes das operações chinesas sugerem que a recuperação pode ter vida curta.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 2,1%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 2,3%. Enquanto isso, o japonês Nikkei teve queda de 0,64%. O dia é de cautela para as bolsas europeias e o S&P futuro, que caem diante da baixa do petróleo, que recua 3,36%, a US$ 33,09 o barril. No noticiário corporativo, destaque para a queda de 7% das ações da BP após a companhia petrolífera registrar a sua pior perda anual em 20 anos.