Ibovespa abre em forte queda, decepcionado com BCE

Discurso de Mario Draghi dá sinais de promessa exagerada sobre preservação do euro; agenda dos EUA também pressiona

Publicidade

SÃO PAULO – Na esteira do mau humor internacional, a bolsa brasileira abre o pregão desta quinta-feira (2) em campo negativo. Depois de subirem no início dos negócios, os mercados acionários da Europa e Estados Unidos inverteram o rumo, impactados pelo discurso do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, e por dados decepcionantes sobre o mercado de trabalho norte-americano.

Por volta das 10h20 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava forte queda de 1,08% aos 55.684 pontos. Dentre os papéis que são negociados nesta manhã, destaque para Gol (GOLL4, R$ 8,80, -3,19%),  MMX (MMXM3, R$ 5,83, -3,00%),  Marfrig  (MRFG3, R$ 9,07, -2,79%),  Rossi (RSID3, R$ 4,91, -2,77%) e Cyrela Realty (CYRE3, R$ 15,10, -2,77%).

Com o desempenho deste pregão, o benchmark da bolsa paulista contraria a performance de quarta-feira, quando  o índice acionário fechou com alta moderada de 0,35%, atingindo 56.291 pontos e registrando uma baixa acumulada no ano de 0,82%. 

Promessa exagerada
Após o presidente do BCE prometer, em 26 de julho, que faria todo o necessário para salvar o euro, o mercado criou uma grande expectativa de que a insituição anunciasse alguma medida para estimular a economia da Zona do Euro, durante a reunião de política monetária desta quinta-feira. 

Frustrando o mercado, Draghi não anunciou nenhuma ação concreta para conter a crise do euro, dando sinais de que, talvez, sua promessa tenha sido exagerada. Mais cedo, a autoridade monetária anunciou a manutenção da taxa básica de juro da Zona do Euro em 0,75% ao ano, assim como esperado pelos analistas. 

Dados norte-americanos
Já o Initial Claims trouxe sinal de deterioração do mercado de trabalho norte-americano. Apesar de ter vindo em linha com o previsto, o indicador  mostrou que o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentou em 8 mil, para 365 mil na semana encerrada em 28 de julho. A agenda dos EUA ainda reserva o indicador que mostra o volume de pedidos feitos à indústria norte-americana, incluindo bens não duráveis.

Continua depois da publicidade

Reunião do BoE
Mais cedo, no Reino Unido, o BoE (Bank of England) também optou por deixar a taxa de juro inalterada em 0,5% ao ano, durante o encontro desta manhã. O estoque do programa de compra de ativos não foi alterado, permanecendo em £ 375 bilhões, conforme esperava a maior parte do mercado. 

Na última reunião, que ocorreu no início de julho, o BC britâncio manteve a taxa de juro em 0,5% ao ano, mas aumentou o programa em £ 50 bilhões, para £ 375 bilhões. 

Rating alemão
Também no Velho Continente, a Standard & Poor’s manteve o rating AAA para a Alemanha, com perspectiva estável, citando a capacidade do país e absorver grandes choques econômicos e financeiros. A agência também indicou que um rebaixamento da nota, nos próximos dois anos, é improvável. 

Continua depois da publicidade

Leilão espanhol
Na Espanha, o destaque ficou por conta de um leilão de dívida, considerado positivo pelo mercado, dado o atual contexto. O governo do país vendeu € 3,1 bilhões em bônus, pagando aos investidores juros bem abaixo dos picos recentes.

Mercado doméstico
Por aqui, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) desacelerou para 0,13% em julho, contra avanço de 0,23% em junho. 

Já a confiança do comércio ficou estável em julho, conforme aponta o indicador medido pela FGV (Fundação Getulio Vargas). No confronto anual, o índice médio do trimestre terminado em julho ficou 3,4% abaixo do mesmo período do ano passado; em junho, a queda havia sido de 3,7%, na mesma base de comparação.