Por que Ibovespa recuou nesta 2ª, mesmo com alta de 3% da Petrobras?

De acordo com analistas do BB Investimentos, o mercado acionário brasileiro deve seguir sensível à temporada de resultados, dados de expectativas de inflação e juros

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(Foto: Divulgação)
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O Ibovespa fechou com um declínio modesto nesta segunda-feira, em linha com o viés negativo em Wall Street, enquanto petrolíferas tiveram uma sessão bastante positiva na esteira do forte avanço do petróleo no exterior, em meio a incertezas envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,19%, a 172.179,93 pontos, após avançar a 172.935,59 na máxima e chegar a 171.524,22 na mínima do dia.

A Petrobras (PETR3; PETR4) operava com forte alta, após revisão de estimativas do Itaú BBA para as produtoras de petróleo, após os resultados divulgados do segundo trimestre de 2026. PETR4 operava com alta de 3,33% e a PETR3 subiu 2,91%. O banco também atualizou os preços-alvo para o final de 2027 para todas as companhias, incorporando um preço médio do petróleo menor.

Para o BBA, Petrobras segue como destaque, com o banco mantendo a recomendação de compra. Apesar da classificação elevada, o banco ajustou para baixo o preço-alvo para o ano de 2027, saindo de R$ 64 por ação para R$ 63.

Leia mais: PETR4: Petrobras lidera preferência entre petroleiras; confira recomendações e alvos

De acordo com analistas do BB Investimentos, o mercado acionário brasileiro deve seguir sensível à temporada de resultados, dados de expectativas de inflação e juros, além das reações em torno do desenrolar das eleições. 

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“Caso siga o movimento de baixa, os suportes mais relevantes estão abaixo dos 170 mil pontos (167,7 mil pontos)”, afirmaram em relatório com análise gráfica semanal do Ibovespa.

“No entanto, importante destacar que, mesmo com a realização recente, o Ibovespa ainda opera em uma tendência primária de alta no longo prazo, estabelecida desde janeiro de 2025, com próxima resistência na faixa dos 175.000 pontos.”

No exterior, Wall Street encerrou a sessão com variações modestas, em meio a incertezas envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz. O S&P 500 recuou 0,06%, o Nasdaq perdeu 0,32% e o Dow Jones caiu 0,11%.

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O Irã afirmou estar prestes a fechar um acordo definitivo com Omã para definir novas rotas marítimas entre os dois países através do Estreito de Ormuz, mas reiterou que os Estados Unidos devem cumprir outras condições, incluindo indenização e o fim das sanções e ameaças militares, antes que a via navegável estratégica seja reaberta.

Ao comentar a declaração, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Teerã terá que indenizar “todas as pessoas que matou e feriu gravemente”, após o Irã de obter indenização pelos danos sofridos durante o conflito com os EUA e Israel. O barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 499%, a US$87,72. 

Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa permanece sem uma direção clara no curto prazo, mas com leve viés negativo, de acordo com o relatório Diário do Grafista nesta segunda-feira.

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“Os mercados estão em compasso de espera pelas divulgações desta semana”, diz Pedro Cutolo, estrategista da One.

Conforme Cutolo, as pesquisas eleitorais para a Presidência da República, que têm saído, estão sendo monitoradas, mas sem influenciar os ativos. Agora, o foco é ver como os dados e a comunicação dos bancos centrais vão se refletir nos preços, indica.

Destaques

• AXIA ON recuou 2,26%, ampliando as perdas desde a divulgação do resultado do segundo trimestre na última quinta-feira, após o fechamento, com lucro de R$ bilhões, abaixo das previsões do mercado. O Itaú BB reiterou

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• PETROBRAS PNsubiu 3,33%, endossada pelo avanço do preço do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON saltou 6,6%, PETRORECONCAVO ON valorizou-se 4,99% e BRAVA ON fechou em alta de 1,26%.

• EMBRAER ON avançou 2,31%, após a companhia reportar nesta segunda-feira lucro líquido ajustado de R$1,11 bilhão para o segundo trimestre, crescimento de cerca de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, com receita recorde. A fabricante de aviões também elevou suas projeções de margem operacional e fluxo de caixa para 2026. Na máxima, mais cedo, as ações dispararam mais de 9%.

• COSAN ON cedeu 5,99%, cravando a quinta queda consecutiva. A companhia divulga na quarta-feira, após o fechamento, seu balanço do segundo trimestre.

• BRADESCO PN perdeu 0,75%, engatando o quinto pregão seguido de baixa. Analistas do UBS BB cortaram o preço-alvo das ações de R$25 para R$24, enquanto reiteraram a recomendação de compra para os papéis, após revisar algumas projeções para o banco na esteira da divulgação do balanço do segundo trimestre na quinta-feira à noite. ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,81%. BTG PACTUAL UNIT, que divulga balanço antes da abertura na terça-feira, caiu 0,09%.

• VALE ON terminou com acréscimo de 1,28%, mesmo em dia de fraqueza dos futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON caiu 2,41%, mesmo tendo no radar o anúncio de que recebeu propostas vinculantes para sua unidade produtora de cimento, em linha com o cronograma estipulado para o processo competitivo para a venda integral de sua subsidiária.

• IGUATEMI UNIT subiu 1,32%, após assinar proposta vinculante com o fundo imobiliário TRX Real Estate para venda de participações em cinco ativos de seu portfólio por R$876,1 milhões.

• VAMOS ONcaiu 5,52%, tendo também como pano de fundo renúncia de José Cezário aos cargos de diretor financeiro e de diretor de relações com investidores da companhia de aluguel e gestão de frotas de veículos pesados. O executivo seguirá nos postos até o próximo dia 17, quando Rodrigo Araujo de Faria, atual diretor de RI não-estatutário, passa a ocupar interinamente as funções.

• JBS fechou em queda de 5,7% em Nova York, onde os papéis são listados. A maior processadora global de carne anunciou nesta segunda-feira que Wesley Batista Filho assumirá a posição de presidente-executivo global da companhia a partir de janeiro de 2027, marcando o retorno de um integrante da família controladora da empresa ao principal cargo executivo.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Camille Bocanegra
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Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.