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O Ibovespa seguiu com forte baixa de mais de 1% após a decisão de política monetária do Fomc (Federal Open Market Committee) de manter os juros nesta quarta-feira (29).
Às 15h22 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,16%, a 174.520 pontos.
O Federal Reserve manteve as taxas de juros, em uma decisão que pode intensificar as dúvidas sobre como o chair do banco central norte-americano, Kevin Warsh, cumprirá sua promessa de reduzir a inflação dos Estados Unidos de volta à meta de 2%.
A decisão amplamente esperada de manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% teve a discordância de três dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que preferiam um aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
André Valério, economista sênior do Inter sobre o Fed, ressalta que a decisão foi em linha com o esperado, mas que teve bastante dissidência, marcando a primeira vez desde 2016 em que três membros do comitê divergem na mesma direção.
Isso mostrou a discordância crescente dentro do comitê, com alguns membros se mostrando cada vez mais preocupados com a dinâmica inflacionária.
“Hoje, o mercado precifica quase certamente uma alta em setembro, mas a dinâmica inflacionária até lá será determinante para o próximo passo do Fed. Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo rondando os US$ 100, podemos ver a inflação não ceder o suficiente, o que poderia levar mais membros do FOMC a votar por uma alta na próxima reunião”, aponta o especialista.
Para Marianna Costa, da Mirae Asset, tanto o comunicado quanto a coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, não trouxeram qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária, mesmo com o mercado atribuindo elevada probabilidade a uma alta de juros na reunião de setembro. Warsh voltou a afirmar que a inflação é “uma escolha” e reiterou que a prioridade da autoridade monetária é restabelecer a estabilidade de preços.
Nos mercados, o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de dois anos recuou após a decisão, refletindo o ajuste das expectativas diante da retirada do risco imediato de uma elevação dos juros nesta reunião, hipótese que ainda apresentava probabilidade relevante na curva de juros antes da decisão.
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“Apesar da ausência de sinalização prospectiva, a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário. A curva de juros continua precificando aproximadamente duas elevações de 25 pontos-base até o final do primeiro trimestre de 2027”, avalia Marianna.
Ainda em destaque, o índice é pressionado pelas perdas em ações de bancos, com destaque para o Santander Brasil (SANB11), que caía mais de 6% após reportar queda de 17,6% nos lucros do segundo trimestre, ficando aquém das estimativas do mercado.
O conflito no Oriente Médio também segue no radar dos agentes, com os preços do petróleo subindo mais de 7% nesta tarde de quarta-feira, à medida que novos ataques aéreos de grande escala foram retomados na região, frustrando as esperanças de um fim iminente da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
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(com Reuters)
