IA vira protagonista e ofusca bons resultados da temporada de balanços nos EUA

Inteligência artificial foi principal tema discutido por 70% das equipes de gestão das empresas do S&P 500

Erick Souza

Foto: Dado Ruvic/Reuters
Foto: Dado Ruvic/Reuters

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Mesmo com bons resultados em uma forte temporada de balanços nos Estados Unidos, o protagonismo das teleconferências foi a inteligência artificial. De acordo com o Goldman Sachs, 70% das equipes de gestão das empresas do S&P 500 discutiram IA e seus impactos, já vistos e os esperados, nos resultados das empresas.

O banco destacou três principais temas discutidos com os clientes, se tratando de IA: produtividade, contratação e mercado de trabalho. As preocupações giraram em torno, em especial, com as industrias mais expostas, como empresas de software.

De acordo com o Goldman, 54% das empresas que mencionaram IA, citaram a tecnologia no contexto da produtividade e eficiência operacional. Uma análise mais detalhada do banco mostrou que indústrias com maior exposição à automação via IA já começaram a apresentar desempenho inferior neste ano.

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Essas empresas incluem, em sua maior parte, setores com custos trabalhistas mais elevados e, em paralelo, maior suscetibilidade desses empregos à automação. Conforme os analistas, ainda não há uma relação “estatisticamente relevante” entre produtividade agregada e adoção de IA em nível macroeconômico.

Do total das empresas que citaram IA, apenas 10% trataram da tecnologia em usos específicos e uma parcela ainda menor, de 1%, sobre o impacto direto nos lucros. Essas empresas, segundo o banco, relataram ganhos expressivos nos resultados. Esses usos específicos mais frequentemente foram relacionados à serviços de atendimento ao cliente e desenvolvimento de software.

Contratação e impacto no mercado de trabalho

As empresas também mencionaram o uso de inteligência artificial em demissões e congelamento de contratações no quarto trimestre, conforme relatório do Goldman Sachs. De acordo com os analistas, entretanto, ainda não há evidência clara de relação entre indicadores do mercado de trabalho e exposição ou adoção de IA em nível agregado.

A análise mostra que a correlação entre a adoção de IA e o crescimento de emprego esteve levemente negativa. Quando comparada a outros indicadores do mercado de trabalho, a relação foi considerada estatisticamente insignificante. Ainda assim, o banco afirma que o impacto da IA sobre o mercado de trabalho deve se tornar mais relevante ao longo do tempo.

A curto prazo, a leitura mostra que empresas que relacionaram a IA com sua força de trabalho, reduziram as vagas abertas um pouco mais do que outras empresas no último ano.

A médio prazo, as empresas esperam que a IA reduza a necessidade de mãe de obra. Já a longo prazo, com a implementação mais madura da tecnologia, a expectativa das empresas é de que entre 6% e 7% da força de trabalho possa ser substituída pela automação baseada em IA.

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