Hypera (HYPE3) salta após resultado superar projeções e mostrar retomada operacional

Lucro líquido ficou 10% acima do consenso LSEG

Felipe Moreira

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As ações da Hypera (HYPE3) dispararam nesta quarta-feira (29), após o lucro líquido de operações continuadas subir para R$ 453,9 milhões no terceiro trimestre, ficando 10% acima do consenso LSEG. As ações da fabricante de medicamento subiram 4,84%, a R$ 24,46.

De forma geral, a companhia divulgou resultados trimestrais em linha com as expectativas, mostrando melhora operacional após a conclusão do processo de otimização de canais.

A Hypera apresentou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de R$ 756 milhões no 3º trimestre de 2025, um leve avanço de 2% em relação à estimativa do Goldman Sachs.

Viva do lucro de grandes empresas

Como o banco já esperava, a companhia reportou uma reaceleração nas vendas ao varejo (sell-out), com alta de 8,3% na comparação anual e acima da projeção de 8,0%. “O desempenho foi impulsionado pelo lançamento de novos produtos em categorias específicas e por um inverno mais rigoroso, que elevou as vendas de medicamentos relacionados à gripe.”

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A margem EBITDA ficou 0,3 ponto percentual acima da estimativa do banco, com melhora da margem bruta compensando o aumento nas despesas de marketing. O fluxo de caixa livre (FCF) também foi robusto, atingindo R$ 689 milhões, alta de 25% em relação ao ano anterior, beneficiado pelo efeito residual da conclusão do processo de otimização de capital de giro.

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Segundo o JPMorgan, o bom desempenho da Hypera reflete principalmente a combinação de um mix de vendas mais favorável após a conclusão da otimização de canais, ganhos de alavancagem operacional com o aumento no volume de produção e vendas, e maior eficiência nas despesas gerais, administrativas e comerciais (SG&A). Esses fatores, em conjunto, levaram a uma expansão de 6,1 pontos percentuais na margem EBITDA ajustada, que alcançou 34% no trimestre.

Apesar do canal institucional ter apresentado desempenho mais fraco e os descontos promocionais permanecerem elevados — fatores que exerceram leve pressão sobre a receita — esses efeitos foram compensados por uma margem bruta acima do esperado, contenção de despesas e menores despesas financeiras líquidas em relação às projeções do Morgan Stanley.

Recuperação da vendas e forte geração de caixa

A Hypera registrou crescimento de 8% nas vendas no terceiro trimestre, uma aceleração em comparação aos 5,5% reportados no trimestre anterior, o que, na avaliação do Itaú BBA, ajuda a aliviar um pouco as preocupações dos investidores com uma possível desaceleração nas vendas no restante do ano, embora qualquer indicação sobre o desempenho das vendas no quarto trimestre de 2025 deva continuar no radar do mercado.

O BBA também destaca a forte geração de caixa da empresa no trimestre, marcada por uma expressiva redução da dívida líquida de R$ 389 milhões, após ajuste nos juros sobre o capital próprio.

A forte geração de caixa também acima dos R$ 200 milhões estimados pelo JPMorgan, impulsionado por uma redução de 88 dias no ciclo de conversão de caixa em relação ao ano anterior, fator que reforça a trajetória de redução gradual da alavancagem financeira.

Destaques negativos

Em contrapartida, as vendas no mercado institucional recuaram 4,3% na base anual, refletindo um desempenho mais fraco no canal público. O Goldman também destaca que os descontos promocionais permaneceram elevados, em meio à competição mais intensa em algumas categorias.

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As despesas de marketing representaram 16,5% da receita, 1,5 pp acima do esperado, devido a maiores investimentos em publicidade digital, tendência que o Goldman pretende acompanhar para avaliar se continuará sustentando o crescimento das vendas de marcas próprias.

Recomendações

Para os próximos trimestres, o Morgan Stanley espera que a companhia mantenha resultados normalizados, com potencial de alta adicional caso avance o lançamento do análogo de Semaglutida, ainda pendente de aprovação regulatória.

O BBA, Morgan Stanley e JPMorgan reiteraram recomendação de compra e preço-alvo de, respectivamente, R$ 35, R$ 30 e R$ 32. Já o Goldman Sachs reiterou classificação neutra e prçeo-alvo de R$ 24.

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