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As ações de Hypera (HYPE3) e Rede D’Or (RDOR3) estiveram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira (21), com os investidores de olho nos resultados do segundo trimestre das companhias. HYPE3 fechou em queda de 5,51% (R$ 20,24) e RDOR3 caiu 4,32% (R$ 33,92).
De acordo com a Reuters, o segmento reage a sanção, na segunda-feira, da lei que institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).
“A estratégia busca utilizar o poder de compra do SUS para reduzir a dependência externa do Brasil em medicamentos, vacinas e dispositivos médicos, fortalecer laboratórios públicos e ampliar o acesso da população a tecnologias estratégicas de saúde”, segundo nota publicada no site do Ministério da Saúde.
Além disso, os balanços do segundo trimestre de 2026 de Hypera e Rede D’Or devem trazer leituras distintas para os investidores, segundo o Citi. Enquanto a farmacêutica pode se beneficiar de um cenário de resultados sem grandes surpresas negativas, a operadora hospitalar ainda enfrenta desafios operacionais que podem limitar a reação do mercado, apesar de a casa seguir otimista com ambas as ações.
Em relatórios de prévia, o Citi manteve recomendação de compra para as duas companhias, mas destacou que as teses de investimento passam por momentos diferentes. Para a Hypera, a principal aposta é que a estabilização dos números e a redução das incertezas ajudem a destravar valor para a ação. Já para a Rede D’Or, o foco segue dividido entre a retomada do negócio hospitalar e a melhora de rentabilidade da SulAmérica.
Hypera: “nenhuma novidade” pode ser uma boa notícia
Para a Hypera, o Citi espera um segundo trimestre “largamente sem eventos relevantes”, mas argumenta que justamente a ausência de surpresas pode ser positiva para a percepção dos investidores.
O banco projeta crescimento de 7,5% nas vendas ao consumidor (sell-out) e melhora da margem bruta para 62%, refletindo uma operação mais saudável. Por outro lado, essas tendências devem ser parcialmente compensadas por maiores despesas de marketing associadas à Copa do Mundo, concentradas no início do período.
Mesmo com essa pressão, a expectativa é de que a companhia mantenha controle do capital de giro e gere fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de cerca de R$ 281 milhões no trimestre.
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O Citi observa que seus números apontam EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) cerca de 6% abaixo do consenso de mercado, mas ressalta que a ação negocia em múltiplos considerados bastante descontados. Pelas estimativas do banco, a Hypera está sendo negociada a apenas 6,2 vezes o lucro projetado para 2027.
Na avaliação da instituição, a baixa precificação reflete principalmente a falta de confiança dos investidores na trajetória futura dos resultados da companhia. Por isso, a simples redução do risco em torno das estimativas pode funcionar como gatilho para a valorização do papel.
“Estimativas mais previsíveis por si só podem ser suficientes para movimentar a ação”, afirmam os analistas, resumindo a tese como “no news is good news” (“nenhuma notícia é uma boa notícia”).
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O banco, porém, reconhece que a competição crescente entre fabricantes de medicamentos à base de semaglutida continua gerando dúvidas sobre o potencial comercial do Semavy, produto da Hypera para o mercado de obesidade. Os sucessivos cortes de preços observados no segmento tendem a limitar as expectativas de contribuição adicional para receitas e EBITDA, embora essa oportunidade ainda seja tratada pelo mercado como um potencial opcional.
O Citi manteve preço-alvo de R$ 28 para HYPE3.
Rede D’Or: melhora da SulAmérica pode não ser suficiente
No caso da Rede D’Or, a leitura é mais cautelosa para os resultados do trimestre.
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O Citi prevê crescimento de aproximadamente 11% na receita, mas destaca que a ocupação hospitalar veio abaixo do esperado no período, pressionando tanto o avanço das receitas quanto os ganhos de alavancagem operacional.
A instituição estima que a margem EBITDA consolidada fique praticamente estável na comparação anual, refletindo um desempenho mais fraco da operação hospitalar. A compensação deve vir da SulAmérica, cuja sinistralidade segue em trajetória de melhora.
Segundo as projeções do banco, a taxa de sinistralidade médica (medical loss ratio, ou MLR) da operadora deve cair cerca de 1,8 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, sustentando uma recuperação gradual da rentabilidade do negócio de planos de saúde.
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O problema, na avaliação dos analistas, é que a melhora da SulAmérica talvez não seja suficiente para compensar a terceira sequência de trimestres com desempenho hospitalar aquém das expectativas.
“Tememos que a contínua evolução da lucratividade da SulAmérica não seja suficiente para superar a barra de execução exigida pelo mercado”, destaca o relatório.
Apesar disso, o Citi continua vendo valor na ação. O banco aponta que os papéis negociam próximos de níveis historicamente baixos de valuation, em cerca de 13,4 vezes o lucro esperado para 2027.
Além disso, a instituição chama atenção para as compras recentes realizadas pelos controladores e pela própria companhia, que já somam aproximadamente R$ 2,2 bilhões no ano, movimento visto como um importante sinal de confiança na tese de longo prazo.
Para os analistas, embora faltem catalisadores evidentes para o curto prazo, os fundamentos estruturais permanecem intactos. O Citi manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 48 para RDOR3.
(com Reuters)
