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SÃO PAULO – Os últimos meses foram bastante movimentados para as empresas de telecomunicações, dentre elas uma possível venda da TIM (TIMP3) pela Telecom Italia, de modo a reduzir a alavancagem da companhia, em uma negociação que poderia envolver a Telefônica (VIVT4), além da fusão entre a Oi (OIBR3;OIBR4) com a Portugal Telecom.
Em meio a essa estratégia, o HSBC revisou as suas estimativas para o setor de telecomunicações, destacando que a perspectiva de uma consolidação potencial no setor é mais fruto das circunstâncias do que propriamente de estratégia. Os analistas Richard Dineen e Luigi Minerva elevaram o preço-alvo para as ações da TIM de R$ 9,50 para R$ 13,40 e reduziram da Telefônica para R$ 55,00, ante R$ 58,00, mantendo a classificação neutra para as duas ações.
De acordo com os analistas, o movimento da Telefônica para controlar a Telecom Italia foi forçado pela saída desejada de seus parceiros na Telco; mas a operação para exigir menos de ? 1 bilhão para obter o controle total de votos da operadora italiana e, ao mesmo tempo, manter uma participação minoritária, sugere que o momento não foi o ideal do ponto de vista de financiamento, acreditam. Conforme destacam, o interesse da Telefônica se mostrou muito mais um interesse na TIM
Além disso, a atitude desencadeou preocupações acerca de questões concorrenciais no Brasil, onde a Telefonica controla a líder em telefonia móvel Vivo e a Telecom Italia controla a número dois Tim.
Por outro lado, os analistas veem pouco interesse na TIM, por duvidar que exista muito apetite entre as empresas de telecomunicações candidatas com o caixa disponível necessário, considerando a desaceleração no crescimento da telefonia móvel no Brasil, com a saturação da penetração do segmento de voz, cortes acentuados na taxa de uso da rede móvel a partir de 2014.
Além disso, uma estrutura de mercado extremamente competitiva, com quatro empresas, estimulando a concorrência agressiva baseada em preços, altas necessidades de investimentos, considerando a vasta geografia brasileira e a pressão à frente da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, além da carga tributária efetiva alta são fatores que podem afastar potenciais interessados.
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Cisão da TIM é o cenário mais provável
No cenário apontado pelos analistas, a cisão da TIM é o movimento mais provável a ser realizado, dividindo o ativo entre as três empresas existentes. “Trata-se de um exercício complicado, mas que não é incomum nos EUA, como solução para uma alta concentração de participação de mercado gerada por fusões e aquisições”, destacam os analistas.
“Contudo, existem riscos de que o governo brasileiro possa ter que oferecer concessões aos críticos que podem alegar que a permissão de algum nível de consolidação vai contra o interesse do consumidor”, avaliam os analistas.
Isso pode levar a uma redistribuição assimétrica dos ativos da TIM para equilibrar de forma mais uniforme as participações de mercado. Um acordo sobre a consolidação pode também depender de um compromisso por parte das operadoras de aumentar os investimentos em capital e, desta forma, os fluxos de caixa na indústria podem não ser beneficiados.
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Enquanto isso, a Oi está propondo uma fusão com a Portugal Telecom que, independentemente de outras questões, não parece resolver o problema de alavancagem. “Considerando todos os fatores, as múltiplas variáveis descritas nos cenários sugerem uma série de eventos motivados pelas circunstâncias e não por estratégia, o que aumenta o risco de investimento, em nossa opinião”, ressaltam os analistas.