Hospitais filantrópicos oferecem planos de saúde; valor é até 30% mais barato

Preços menores são decorrentes de incentivos fiscais disponíveis e pelo fato de o prestador pertencer à operadora

Flavia Furlan

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SÃO PAULO – Planos de saúde suplementar caros, que privilegiam os contratos coletivos, e o sistema público defasado abriram espaço para uma nova modalidade: os planos de saúde oferecidos por hospitais filantrópicos. Mais difundidos no interior, eles são de 20% a 30% mais baratos do que os convencionais e se caracterizam como uma arrecadação de recursos para as entidades.

Segundo Maria Alicia Dominguez Ugá, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), eles concorrem no interior com o SUS (Sistema Único de Saúde), diferenciando seus produtos em termos de hotelaria. “Aqueles localizados em municípios de maior porte têm como fator competitivo os seus preços, inferiores aos do mercado”.

Os preços menores são decorrentes de incentivos fiscais disponíveis e pelo fato de o prestador pertencer à operadora.

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Características

“Diferentemente do resto do mercado da saúde suplementar, observa-se um peso maior dos planos individuais em relação aos produtos coletivos”, afirmou Maria Alicia. O fato se justifica por questões históricas e pela menor dinâmica econômica do local onde estão mais difundidos, o interior, em que há menor demanda por planos empresariais.

A clientela desses planos abrange várias classes sociais de municípios do interior, nos quais operam no mercado basicamente estas operadoras de hospitais filantrópicos e as cooperativas médicas (Unimed). Destaca-se ainda a grande quantidade de idosos, provavelmente pela limitada renovação de carteiras.

“Note que a concentração de idosos é maior nos planos individuais, uma vez que os planos coletivos tendem a operar, mais frequentemente, para a população economicamente ativa”.

Surgimento

Os hospitais filantrópicos atuavam com “planos de associados”, especialmente entre os hospitais beneficentes, com foco em comunidades específicas, como religiosas, grupos de imigrantes e outras.

“Entretanto, ocorreu nos últimos vinte anos um movimento por parte dos hospitais filantrópicos que, motivados pela busca de fontes adicionais de recursos, passaram a comercializar planos próprios de saúde”.

O sucesso da modalidade se deu pela necessidade do brasileiro de buscar um plano mais em conta e que aceitasse um contrato individual.