Hegemonia internacional do dólar deve nortear as discussões do G8

Rússia e Índia articulam ofensiva contra a soberania da divisa norte-americana; EUA quer reatar laços com russos

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SÃO PAULO – Tema central da cúpula organizada pelo Bric, a substituição do dólar como moeda de reserva deve nortear as discussões do G8 (sete países mais desenvolvidos mais a Rússia) nesta semana, na cidade italiana de L’Aquila.

Os discursos prévios das lideranças que participarão do encontro revelam o tom do encontro. Dmitry Medvedev, presidente da Rússia, afirmou em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera que o sistema financeiro atual, baseado na moeda norte-americana, mostrou ser falho e que o mundo não pode ser dependente de uma nação (Estados Unidos), pedindo, mais uma vez, por mudanças na estrutura financeira.

Demonstrando certo apreço pelas ideias de Medvedev, o diretor do Conselho Econômico da Índia, Suresh Tendulkar, revelou em entrevista que vem aconselhando Manmohan Singh, primeiro-ministro indiano, a diversificar as reservas internacionais do país em dólar, algo em torno de US$ 264 bilhões, e “segurar poucos dólares”.

Contudo, modificar as reservas em dólares não é tarefa fácil para qualquer país, tendo em vista a dependência e a liquidez da divisa norte-americana no mercado. Para ilustrar o problema, Tendulkar referiu-se ao dilema do prisioneiro, recorrente na Teoria dos Jogos, quando a decisão de um indivíduo tem consequências negativas ao grupo todo, pressupondo tal como um ser racional.

Em prol do dólar

Na outra ponta da mesa estão as nações que defendem, por enquanto, a manutenção do dólar como moeda forte. Dirigentes chineses, por exemplo, já se manifestaram contrários à troca, em defesa da hegemonia do dólar.

O presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, afirmou nesta segunda-feira (6) que os Estados Unidos devem apoiar a valorização do dólar na reunião do G8.

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Enquanto a ministra francesa de Finanças, Christine Lagarde, afirmou que os países devem unir esforços para explorar uma melhor coordenação sobre as políticas de câmbio, propensas a mudanças graduais no sistema internacional de trocas.

O fato é que a crise financeira mundial abalou o dólar e colocou em xeque sua robustez como alternativa de reserva e meio de pagamento internacional. Em prol da própria moeda, o presidente Barack Obama vem ao encontro restaurar a imagem da divisa, como também negociar com a Rússia, fato inédito desde a Guerra Fria.

Antigo inimigo?

A fim de dar um “reset” nas relações entre Estados Unidos e Rússia, marcada pela Guerra Fria que durou aproximadamente meio século, Obama vai ao encontro para discutir o programa de armas da nação russa.

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A proposta do presidente norte-americano é de um controle maior sobre a fabricação das armas, principalmente o arsenal nuclear, em troca de cooperação diplomática e comercial.

Além deste antigo anseio, Obama quer também estreitar suas relações com Vladimir Putin, presença dominante na arquitetura política do país.