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A operadora de planos de saúde Hapvida (HAPV3) registra um aumento de quase 6% nas negociações da Bolsa nesta quarta-feira (11), após analistas divulgarem que o reajuste anual nos preços dos planos de saúde individuais no Brasil deve ser de 5,6% para o ciclo 2025-2026.
A estimativa preliminar é do BTG Pactual, baseada nos dados financeiros da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referentes ao terceiro trimestre de 2024. Apesar de o mercado ter recebido o número em tom positivo, o banco ressalta que o índice projetado é menor que os 6,9% observados no ciclo anterior (2024-2025), refletindo uma desaceleração nos reajustes de preços do setor.
A metodologia utilizada pela ANS para definir o teto dos reajustes dos planos individuais considera uma média ponderada: 80% baseada na variação anual das despesas médicas e 20% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), excluindo itens de saúde, subtraído de um fator de eficiência. Para 2025, o BTG estima que as despesas médicas devem crescer 6,6% ao ano, enquanto o IPCA excluindo saúde deve encerrar em 4,9%, resultando no reajuste de 5,6%.
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O aumento projetado está ligeiramente abaixo da inflação esperada para 2025, que o BTG estima em 5,7%. Embora o índice represente um alívio para os consumidores em relação ao ciclo anterior, ele pode não ser suficiente para cobrir o aumento dos custos médicos e operacionais das empresas de saúde.
A ANS regula os planos individuais, que representam cerca de 17% dos beneficiários do sistema privado, estabelecendo limites anuais para os reajustes e proibindo o cancelamento unilateral dos contratos pelas operadoras. Esse controle, diz a agência, busca proteger os consumidores, mas também limita a flexibilidade das empresas em repassar integralmente seus custos.
Em termos de resultados, a Amil é o destaque do terceiro trimestre deste ano (3T24). O Bradesco BBI observa que a operadora de planos de saúde apresentou um resultado positivo de R$ 107 milhões, além de uma redução no índice de sinistralidade médica (MLR) de 13,5 pontos percentuais em comparação ao mesmo período do ano anterior, excluindo provisões para insuficiência de prêmios.
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A Unimed Nacional, por sua vez, ainda enfrenta dificuldades para sair do sufoco, reportando prejuízo líquido de R$ 98 milhões, enquanto a Unimed Ferj demonstrou um desempenho mais sólido com lucro líquido de R$ 375 milhões e um MLR de apenas 63%. O BBI diz, em relatório, que a recuperação mais sólida da Amil pode ser um indicativo de dificuldades competitivas para concorrentes como Rede D’Or (RDOR3) e Hapvida.
Reajuste e prazos
A definição oficial do reajuste para os planos individuais será anunciada entre maio e junho de 2025 pela ANS, com aprovação do Ministério da Economia. O percentual aprovado será aplicado a partir de maio e deve valer até abril do ano seguinte, afetando os contratos que completarem aniversário nesse período.
Os dados financeiros completos do setor, incluindo o desempenho do quarto trimestre deste ano, serão divulgados no início de 2025. Essa atualização, segundo o BTG, permitirá um cálculo mais detalhado do reajuste, que pode sofrer pequenas alterações em relação à estimativa atual.
Os planos corporativos, que representam a maior parte do mercado (dois terços dos beneficiários), não são regulados e têm seus preços negociados diretamente entre empresas e operadoras, oferecendo mais liberdade às partes. No entanto, os planos individuais continuam sendo um importante indicador para medir a sustentabilidade do setor e o impacto dos custos para os consumidores finais.
Apesar da desaceleração nos reajustes, o BTG alerta que as dificuldades para o setor permanecem. Custos crescentes, o envelhecimento da população e a regulação rigorosa continuam a pressionar tanto as operadoras quanto os consumidores nos próximos anos. O mercado aguarda os dados do quarto trimestre para confirmar a tendência e ajustar