Hapvida (HAPV3): em meio à montanha-russa na B3, o que esperar dos resultados do 1T?

Analistas seguem cautelosos e não projetam bons números para o 1T26, ainda que tenham visto mudanças na gestão com bons olhos

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

(Foto:  Divulgação/Hapvida)
(Foto: Divulgação/Hapvida)

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Resultados fracos no 1T26 (primeiro trimestre de 2026), mas cenário mais positivo à frente?

Em meio a uma montanha-russa das ações na Bolsa nas últimas semanas, alternando sessões de fortes altas e fortes baixas, a Hapvida (HAPV3) divulga seus resultados nesta segunda-feira (11), após o fechamento, com grande expectativa do mercado. Nesta sessão em específico, as ações caíam mais de 3% durante a tarde desta segunda.

O Bradesco BBI projeta resultados mistos, com a margem Ebitda (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita líquida) ainda sob forte pressão (queda de 4,6 pontos percentuais, ou p.p., em base anual), apesar de uma recuperação na comparação trimestral (+1,5 p.p.).

A projeção é de que o crescimento de receita deva desacelerar para 5% (estável no trimestre), com perda de 70 mil adições líquidas (versus -140 mil no 4T25).

O banco ainda projeta que a sinistralidade caia 1,5 p.p. ante o 4T25, para 74%, já que os impactos negativos de maior frequência de uso, mais sinistros e mudanças de protocolos devem perder força no 1T26.

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“Na nossa visão, isso tende a levar a margem Ebitda ajustada a subir 1,5 p.p., para 8,7%, considerando que as provisões de SUS e as despesas com vendas, gerais e administrativas ajustadas devem ficar estáveis como percentual da receita”, aponta a equipe de análise.

O Itaú BBA aponta que o resultado deva seguir pressionado por competição mais intensa, investimentos elevados na rede própria e esforços para melhorar níveis de serviço.

“Multas regulatórias e um ambiente jurídico desafiador também pesam sobre a rentabilidade. Apesar disso, o trimestre deve mostrar alguma melhora sequencial, sugerindo estabilização gradual, ainda que em patamar fraco”, avalia o banco.

Olhando para março especificamente, a Hapvida teve uma adição líquida de 22 mil beneficiários no mês, conforme dados da ANS (Agência Nacional de Saúde) enquanto no 1T26 houve uma perda líquida de -35 mil.

A Hapvida Assistência Médica apresentou uma adição líquida de 14 mil no mês, mas uma perda líquida de 9 mil no trimestre, enquanto a NDI Saúde teve uma adição líquida de 8 mil no mês.

“Vale mencionar que, no 1T26, a NDI Saúde passou a incluir os beneficiários da Bio Saúde, que totalizavam 109 mil vidas em dezembro de 2025. Excluindo esse efeito, a NDI Saúde teria apresentado uma perda líquida de 14 mil no 1T26. Do ponto de vista geográfico, a região metropolitana de São Paulo continua sendo o principal detrator, mas destacamos que a companhia mostrou uma forte adição líquida na região metropolitana do Rio de Janeiro no mês”, apontou a equipe de análise do BBA.

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Visão geral do mercado

Para capturar a visão dos investidores sobre o setor, recentemente o Bank of America entrevistou recentemente 23 investidores entre 22 e 29 de abril. Com base na sua pesquisa, o sentimento dos investidores em relação à saúde no Brasil ficou mais construtivo, com a posição overweight (exposição acima da média) voltando de forma acentuada neste trimestre para 77%, frente a 39% no 4T25.

No entanto, a convicção continua desigual entre os nomes, refletindo preocupações persistentes com competição, valuation e execução. Os investidores estão migrando para nomes percebidos como de maior qualidade e visibilidade, em vez de buscar uma exposição ampla ao beta do setor.

Já para a Hapvida, o sentimento em relação à companhia permanece, em geral, negativo, segundo a pesquisa.

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Embora as mudanças recentes na gestão tenham sido bem recebidas (inclusive com alta das ações), 86% dos investidores entrevistados ainda aguardam uma melhora operacional tangível, especialmente no MLR (índice de sinistralidade).

Não há consenso sobre a recuperação de margem ou de lucro no curto prazo, e as expectativas para o Ebitda de 2026 se deterioraram em relação à pesquisa anterior.

A maioria dos respondentes (77%) espera uma venda parcial das operações da Hapvida na região Sul, provavelmente com desconto de valuation. Liquidez/alavancagem vem ganhando espaço como preocupação – 50% dos investidores entrevistados enxergam isso como um problema –, mas ainda não é o cenário-base/visão consensual.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.