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A Hapvida (HAPV3) divulgou um resultado considerado fraco por analistas no segundo trimestre de 2026, marcado por compressão de margens, piora da sinistralidade, aumento das despesas ligadas à judicialização e forte consumo de caixa. Embora a companhia tenha apresentado uma nova iniciativa para revisar contratos considerados deficitários, bancos apontam que os potenciais benefícios devem demorar a aparecer e ainda carregam riscos relevantes de execução.
Com isso, às 10h17 (horário de Brasília) desta quinta-feira (13), as ações caíam 17,22%, a R$ 7,93.
O Bradesco BBI classificou o trimestre como negativo após a companhia reportar Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) 18% abaixo de suas estimativas. A margem Ebitda recuou 3,9 pontos percentuais na comparação trimestral, para 6,2%, refletindo o aumento da sinistralidade caixa, maiores despesas comerciais e um avanço das provisões para contingências e multas. A geração de caixa também decepcionou, com um impacto negativo de R$ 235 milhões em relação às projeções dos analistas.
Na mesma linha, o Morgan Stanley avaliou que os números vieram “materialmente piores” do que o esperado. A receita líquida de R$ 8 bilhões ficou cerca de 1% abaixo das projeções, enquanto o Ebitda ajustado de R$ 504 milhões caiu 28% na comparação anual e ficou entre 16% e 19% abaixo das estimativas do mercado. A margem Ebitda encolheu para 6,3%, recuo de 2,8 pontos percentuais em um ano. Já o lucro líquido ajustado foi de apenas R$ 13 milhões, quase 90% abaixo da expectativa da instituição.
Judicialização segue como principal dor de cabeça
O principal fator de preocupação destacado pelos analistas foi a escalada das despesas relacionadas a processos judiciais.
Conforme apontou o Morgan Stanley, as provisões cíveis brutas atingiram R$ 324 milhões, alta de 97% em relação ao mesmo período do ano passado e de 29% frente ao trimestre anterior. Paralelamente, as despesas judiciais contabilizadas dentro dos custos assistenciais somaram R$ 135 milhões, avanço de 60% na comparação anual e de 38% na trimestral, atingindo o maior nível da série histórica divulgada pela companhia.
Os depósitos judiciais alcançaram R$ 2,1 bilhões, enquanto as provisões chegaram a R$ 1,9 bilhão. Para o banco americano, o agravante é que a judicialização aumentou justamente em um momento em que a utilização dos planos e os custos médicos já pressionavam os resultados operacionais.
O Itaú BBA destacou que a tendência de judicialização veio significativamente pior do que o esperado e dificultou ainda mais a avaliação de qual seria o nível normalizado de rentabilidade da companhia. O banco ressaltou que a reaceleração dos depósitos judiciais pode levar o mercado a revisar para baixo suas projeções para a empresa.
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Sinistralidade piora e adia recuperação de margens
O Morgan Stanley destacou que a sinistralidade caixa alcançou 75,2%, avançando 3 pontos percentuais na comparação trimestral e ficando acima das projeções. Segundo a administração, a piora refletiu fatores sazonais e uma maior contabilização de contas médicas da rede credenciada ligadas ao aumento de utilização observado no primeiro trimestre. Ainda assim, os analistas concluíram que as iniciativas de preço e controle de custos não foram suficientes para compensar a pressão assistencial, adiando a esperada recuperação das margens.
O Bradesco BBI também citou o aumento da sinistralidade como um dos principais responsáveis pela compressão da margem operacional no período.
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Já a geração de caixa, que havia dado sinais de melhora no início do ano, voltou a decepcionar.
O Morgan Stanley calculou um fluxo de caixa livre praticamente neutro antes dos juros da dívida e negativo em R$ 855 milhões após o pagamento das despesas financeiras. Com isso, a dívida líquida aumentou R$ 236 milhões em relação ao trimestre anterior e a alavancagem subiu de 1,38 vez para 1,61 vez Ebitda.
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O Bradesco BBI afirmou que a geração de caixa foi uma das principais surpresas negativas do balanço, impactada pelo forte crescimento dos novos depósitos judiciais cíveis.
Revisão da carteira pode melhorar margens no futuro
Apesar do resultado fraco, a principal novidade anunciada pela Hapvida foi a revisão de parte relevante de sua base de clientes.
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A companhia identificou cerca de 947 mil beneficiários, equivalentes a aproximadamente 11% da carteira de saúde, que não atendem aos critérios de rentabilidade e inadimplência definidos pela administração. A estratégia prevê reajustar preços ou até encerrar contratos considerados deficitários.
Para o Bradesco BBI, a medida pode acrescentar cerca de 0,9 ponto percentual à margem estrutural da empresa no futuro. O banco vê a iniciativa como positiva para a recuperação da rentabilidade, embora destaque que os efeitos devem aparecer apenas nos próximos trimestres.
Morgan Stanley e Itaú BBA também enxergam potencial na medida, mas alertam para os riscos de implementação. Segundo os analistas, uma revisão envolvendo quase 1 milhão de beneficiários pode enfrentar questionamentos judiciais, políticos e regulatórios, especialmente às vésperas das eleições de 2026, prolongando o prazo para captura dos benefícios esperados.
Diante desse cenário, a visão predominante entre os bancos continua cautelosa. Embora a revisão da carteira seja vista como um passo importante para recuperar a rentabilidade no longo prazo, os analistas avaliam que a combinação de margens pressionadas, judicialização crescente, queima de caixa e baixa visibilidade operacional segue limitando o potencial das ações no curto prazo.