Hapvida: família com fatia acima de 50% e possível venda de ativos; o que muda?

Segundo Itaú BBA, eventual desinvestimento pode render entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões, mas não resolve os principais desafios operacionais da companhia

Equipe InfoMoney

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Logotipo da Hapvida é visto em centro clínico em São Paulo, Brasil, 26 de março de 2025. REUTERS/Amanda Perobelli
Logotipo da Hapvida é visto em centro clínico em São Paulo, Brasil, 26 de março de 2025. REUTERS/Amanda Perobelli

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A família controladora da Hapvida (HAPV3) alcançou 51,39% do capital social da companhia, segundo fato relevante divulgado nesta terça-feira (8), reforçando o controle sobre a operadora de planos de saúde em um momento de discussão estratégica e possível reorganização de ativos.

De acordo com análise do Itaú BBA, o movimento já vinha sendo antecipado pelo mercado, dada a dinâmica técnica das ações desde a divulgação dos resultados abaixo do esperado do quarto trimestre de 2025. Desde então, os papéis acumulam valorização de cerca de 46%, refletindo expectativas em torno de mudanças na governança e na alocação de capital da empresa.

Além do aumento de participação da família, reportagem do Pipeline Valor aponta que a Hapvida estaria avaliando a venda das operações no Sul do país, incluindo a Clinipam, no Paraná, e o Centro Clínico Gaúcho (CCG), no Rio Grande do Sul. A companhia, no entanto, ainda não confirmou oficialmente a intenção de desinvestir esses ativos.

A Clinipam e o CCG foram adquiridos pela antiga NotreDame Intermédica como parte da estratégia de expansão na região Sul antes da fusão com a Hapvida. Em 2025, os dois ativos somaram receita líquida de aproximadamente R$ 1,3 bilhão e EBITDA combinado de R$ 72 milhões, o que corresponde a uma margem de cerca de 5%. A Clinipam apresentou margem de 8%, enquanto o CCG fechou o ano com rentabilidade próxima de zero.

Em um exercício simplificado, o Itaú BBA estima que uma eventual venda poderia resultar em valor de firma entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões, considerando um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) normalizado de R$ 130 milhões e múltiplos entre 4 e 6 vezes. Outra abordagem considerada pelos analistas é o valor por leito hospitalar: com 606 leitos na região Sul, a um múltiplo de R$ 1 milhão por leito, o valor implícito seria de aproximadamente R$ 606 milhões.

Para o banco, apesar de positiva, a possível venda teria efeito mais relevante sobre a simplificação operacional e o reforço do balanço do que sobre uma recuperação estrutural de margens. Isso porque os principais desafios da companhia — como pressão sobre ticket médio, churn, rentabilidade e geração de caixa — estão concentrados principalmente no estado de São Paulo, e não nas operações do Sul.

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Ainda assim, o Itaú BBA avalia que o desinvestimento, caso confirmado, pode funcionar como um colchão adicional para a alavancagem e contribuir para uma alocação de capital mais eficiente, ao direcionar esforços para regiões consideradas estratégicas.

O banco mantém recomendação market perform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) para a ação, com preço-alvo de R$ 15 para 2026, o que representa potencial de valorização de 30% em relação à cotação atual de R$ 11,51.