Hackers são cada vez mais perigosos para quem tem Bitcoins

Maior moeda virtual do mundo começa a sofrer com ação de criminosos virtuais; em outubro, um banco chinês desapareceu e levou consigo US$ 5 milhões em bitcoins

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SÃO PAULO – O Bitcoin, principal moeda virtual do mundo, vem ganhando cada vez mais destaque, principalmente com atual valorização da moeda, que começou o mês de novembro cotada a US$ 211 e chegou a bater os US$ 900 nos últimos dias – atualmente ela é cotada próxima dos US$ 700. Porém, tanta visibilidade, principalmente no mundo virtual, chama bastante atenção dos hackers, que começam a agir para lucrarem com a moeda.

“Se você é vítima de crime virtual ou fraude, você espera que seu banco cubra deu prejuízo. Mas e se alguém roubar seus Bitcoins? Ou se sua troca cambial desaparecer ou seu banco entrar em colapso? Quem é que vai de cobrir?”, disse Raj Samani, chefe de tecnologia da McAfee, em entrevista para a CNBC.

A resposta para essa pergunta apareceu em outubro, da pior forma, quando milhares de investidores de Bitcoins viram uma transação de milhões de dólares desaparecer. “O banco chinês de Bitcoins Global Bond Limited desapareceu em 26 de outubro, e com ele sumiram US$ 5 milhões”, afirmou Samani.

O chefe da McAfee ainda lembra que o risco desse mercado pode ser enorme. “Novamente, com um grande risco surgem grandes oportunidades. Há pessoas fazendo grandes somas de dinheiro com isso, mas também existem aquelas que com perdas significativas”, conclui ele.

Visibilidade crescente
Já faz um bom tempo que criminosos virtuais estão de olho nas oportunidade de ganhar dinheiro roubando essas moedas virtuais. “Com os Bitcoins superando os US$ 700, é óbvio que a atenção desses hackers estão ainda maiores”, disse Roel Schouwenberg, estrategista da empresa de segurança Kaspersky Labs.

Ele explica que esses criminosos se aproveitam desse mercado porque é praticamente impossível rastrear as ações individuais de roubos virtuais, sendo esse um mercado mais fácil da pessoa se manter anônima na hora de roubar e gastar seus Bitcoins.

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Por ser uma moeda sem regularização em nenhum país ou banco central, consumidores e empresas acabam perdendo muito dinheiro caso seus Bitcoins sejam hackeadas. Diferente do mundo real, quando você gasta um Bitcoin, você não vai conseguir ter ele de volta depois.

Como é feito o roubo de Bitcoins
Todo Bitcoin possui um endereço relacionado a uma chave secreta – um número que destrava o Bitcoin para que o usuário possa fazer pagamentos com a moeda. Com isso, se alguma pessoa conseguir ter acesso à essa chave privada, ela estará habilitada a gastar esses Bitcoins.

As pessoas podem armazenar suas moedas na internet, por meio de algum serviço especializado, como é feito com uma carteira de ações. Outras opções são guardar essas chaves de acesso em programas no computador de forma offline ou ainda imprimir essas chaves e guardar em algum lugar seguro.

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No caso de quem usa esses armazenamentos na internet ou offline, os criminosos virtuais usam um tipo de vírus para consegui o acesso à essas carteiras virtuais, como é feito com o roubo de senhas de e-mail ou de redes sociais.

Outra opção é hackear os serviços dos bancos virtuais e de trocas de moedas. Muitos desses bancos funcionam com uma infraestrutura pequena, com pequenos fundos, o que torna a ação dos ladrões ainda mais fácil. Além disso, o fato de não ser um mercado regulamentado, fica mais complicado para a fiscalização e para o controle desses crimes por parte de autoridades.

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.