Economia

Há risco do Brasil se tornar a Grécia da América Latina, diz vice-presidente do Itaú

A reforma “precisa ser mais drástica agora, porque se você não faz nada agora, em alguns anos o Brasil se tornará a Grécia da América Latina, e não queremos que isso aconteça”, afirmou Ricardo Marino

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SÃO PAULO – O pessimismo em relação ao Brasil está cada vez maior e agora até o maior banco privado do País, o Itaú Unibanco (ITUB4) ressalta suas grande dúvidas com o futuro da economia. A reforma “precisa ser mais drástica agora, porque se você não faz nada agora, em alguns anos o Brasil se tornará a Grécia da América Latina, e não queremos que isso aconteça”, disse Ricardo Marino, vice-presidente do banco, em entrevista concedida à Bloomberg em Davos. 

Marino afirmou que há um risco do Brasil se tornar a Grécia da América Latina e também destacou que o segmento de crédito corporativo está se deteriorando. “A oferta de crédito está diminuindo porque os bancos estão mais avessos ao risco”. “Começamos a ver deterioração do crédito no segmento corporativo, no middle market e, como o desemprego segue crescendo, também deve afetar o varejo ao longo deste ano”. 

Apesar da visão bastante pessimista, Marino afirmou que as difíceis condições do mercado na região podem criar oportunidades de aquisição. “Todas as grandes aquisições e grandes movimentos que fizemos foram em tempos de crise”, afirmou durante o Fórum Econômico Mundial. “É hora de acelerar”, disse ele, acrescentando que o banco estaria particularmente interessado em um banco privado voltado para clientes da América Latina.

Marino disse que o Itaú Unibanco espera que 20% de sua carteira de empréstimo seja gerada fora do Brasil, assim que o Itaú completar a fusão com o chileno Corpbanca.

“Estamos muito líquidos na Argentina e nós estamos vendo a melhor forma de usar este capital e a liquidez que temos”, disse Marino. Embora o México seja estrategicamente importante, o mercado está consolidado e o Itaú não pagará a mais para se expandir por lá, completou o executivo.

Marino destacou ainda que a economia global está em seu “novo normal”, com aperto monetário nos EUA, desaceleração na China e queda no preço do petróleo. “Commodities devem permanecer com preços em patamares baixos”, trazendo desafios para o Brasil e os mercados emergentes, afirmou. 

Na véspera, o presidente do Bradesco (BBDC4), Luiz Carlos Trabuco, já havia feito o alerta sobre o crédito ao jornal Valor Econômico, afirmando que a demanda por crédito na economia é “quase inexistente”. Também em Davos, ele disse que a política monetária “tem exercido seu papel” no combate à inflação. “A inflação ficou fora do patamar, em grande parte, pelo equacionamento dos preços administrados. O nível de atividade econômica e o nível de demanda de crédito estão muito baixos. Às vezes você pode aumentar a taxa básica de juros para esfriar a economia, mas ela já está fraca”, disse.

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