Guerra no Irã e chuvas podem afetar vendas e produção no 1º tri da Vale (VALE3)?

A mineradora apresentará o relatório com seus dados operacionais nesta quinta-feira (16).

Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

Logo da Vale na NYSE/Reuters
Logo da Vale na NYSE/Reuters

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A Vale (VALE3) divulgará seu relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026 (1T26) nesta quinta-feira (16), após o fechamento do mercado. A Genial estima os dados podem demostrar produção de minério de ferro com queda acentuada por temporada de chuvas especialmente intensa.

Vale também pode apresentar queda em embarques como efeito do conflito no Oriente Médio, segundo a corretora. Ainda assim, o lucro líquido estimado é de US$ 2,8 bilhões, com alta de 99,6% na comparação anual, em estimativas provisórias. O balanço da mineradora será apresentado em 28 de abril.

Sazonalidade

Tradicionalmente, o primeiro trimestre já traz produção menor que a observada no período anterior. A expectativa é que a produção caia na comparação trimestral em cerca de 23%, mas que anualmente haja alta de 2,1%. Mesmo com menos produção, os embarques e os preços devem ser pontos positivos.

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A projeção é de volumes levemente maiores em base anual, com alta de 2,3% nos embarques. A alta já considera ramp-ups de Capanema (MG) e Vargem Grande (MG) com cerca de 4-5 Mt (milhões de toneladas) na produção. Com isso e o suporte de preços tanto nos finos quanto na divisão Vale Base Metals com cobre e níquel, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) proforma deve ter avanço de 23,6% na comparação anual, em US$ 4 bilhões.

O Ebitda proforma é a métrica que exclui os efeitos relacionados a Brumadinho e à descaracterização de barragens, e itens não recorrentes. A justificativa do uso é o melhor reflexo de aspectos operacionais do negócio, para além de eventuais baixas ou avanços não recorrentes e não relacionados ao operacional.

A Genial estima receita líquida consolidada de US$ 9,1 bilhões, com queda de 17,1% na comparação trimestral, mas alta de 12,4% ano contra ano. O valor seria impulsionado por preços realizados mais elevados na VBM e também sustentado tanto por vendas quanto por preços mais firmes de minério de ferro finos, parcialmente compensados por preços de pelotas mais baixos.

Chuvas e guerra do Irã

A produção de minério pode ter efeito de chuvas compensado por recuperação no preço realizado para US$ 96,1 por tonelada (com alta de 0,8% no t/t, +3,3% a/a), com alta de US$ 2 por tonelada do 4º trimestre de 2025 até agora. Além disso, os analistas da Genial reforça melhora nos prêmios de produto para US$ 3,7/t, contra alta de US$ 1/t na comparação trimestral.

Com a guerra do Irã, a mineradora foi forçada a redirecionar embarcações de pelotas (aglomerado de minério de ferro utilizado na produção de aço na siderurgia), o que pode se converter em quedas na comparação trimestral de cerca de 17,1%, ainda que no ano os embarques se mantenham estáveis em 7,5 Mt. Já a produção de pelotas deve ter queda, refletindo parada programada duas usinas de pelotização em Omã. As paradas teriam sido antecipadas, de acordo com a Bloomberg News, como estratégia para mitigar efeitos do conflito.