Quem dá mais?

Guerra de lances entre JBS e Tyson gera angústia entre detentores de títulos

O total de US$ 1 bilhão em títulos com vencimento em 2020 da JBS, caiu ontem ao nível mais baixo em quatro semanas após Pilgrim’s Pride aumentar oferta pela Hillshire para superar lance da Tyson Foods

Por  Bloomberg

A decisão da JBS SA (JBSS3) de impulsionar com mais 20 por cento sua oferta pela Hillshire Brands Co. está gerando preocupação entre os investidores, pois uma guerra de lances põe em perigo a fiabilidade creditícia da maior produtora de carne do mundo.

O total de US$ 1 bilhão em títulos com vencimento em 2020 da JBS, que tem sede em São Paulo, caiu ontem ao nível mais baixo em quatro semanas depois que a unidade Pilgrim’s Pride Corp. da empresa aumentou sua oferta não solitada pela Hillshire para US$ 6,7 bilhões para superar o lance da Tyson Foods Inc.

A decisão ocorreu depois de a Moody’s Investors Service, que já tinha colocado a classificação Ba3 da JBS em revisão para rebaixamento, ter alertado que a aquisição teria repercussões negativas após o lance inicial de US$ 5,6 bilhões realizado na semana passada pela Pilgrim’s. Depois de gastar US$ 17 bilhões em aquisições ao longo da última década para ultrapassar a Tyson, a oferta de US$ 55 por ação realizada pela JBS poderia aumentar sua razão de alavancagem a cinco vezes, a maior alta em quatro anos, de acordo com a Votorantim Corretora.

“Como investidor em títulos, as guerras de lances não necessariamente trazem alegrias”, disse Ian McCall, gestor de recursos na Quesnell Capital SA, em Genebra, em entrevista por telefone. “A JBS não é uma empresa pequena. Ela já é uma empresa grande e, como credores, geralmente nós não nos beneficiamos quando as empresas grandes decidem se tornar ainda maiores”.

Prognóstico negativo
Os títulos caíram para 106,9 centavos de dólar, empurrando os rendimentos para 6,22 por cento, ontem depois que a Pilgrim’s superou a oferta de US$ 50 por ação realizada pela Tyson, com sede em Springdale, Arkansas.

As notas já rendem 0,84 ponto porcentual a mais que a média para os títulos corporativos do mercado emergente que também possuem a classificação de crédito BB outorgada pela Standard Poor’s, de acordo com os dados compilados pela Bloomberg e pelo Bank of America Corp.

Com o acordo proposto, a Pilgrim’s disse que espera obter economias de custos superiores a US$ 300 milhões por ano e que a aquisição impulsionaria os lucros por ação imediatamente.

“A confirmação da aquisição de acordo com o proposto contribuiria para manter a perspectiva negativa de classificação da JBS, pois ela incorpora nossas expectativas de que as métricas de crédito, especialmente a alavancagem, continuariam sob pressão momentaneamente”, disse a Moody’s em relatório do dia 29 de maio.

A razão entre a dívida líquida da JBS e os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização daria o maior salto desde o segundo trimestre de 2010, de acordo com os dados do primeiro trimestre, do nível atual de 3,4 vezes, disse a Votorantim.

A corretora com sede em São Paulo estima que cada aumento de US$ 1 por ação na proposta requereria US$ 120 milhões adicionais em dinheiro.

‘Alto demais’
“Isso é alto demais e os detentores de títulos da JBS não devem estar contentes”, disse Revisson Bonfim, diretor de análises de mercados emergentes internacionais na Sterne, Agee Leach, em entrevista por telefone de Nova York. “Mesmo com as sinergias, existe um risco de rebaixamento das classificações da JBS se tiver sucesso. Se continuarem assim, isso seria muito negativo”.

Provavelmente a Tyson melhorará sua oferta por Hillshire porque deseja se expandir a alimentos processados e marcas voltadas para o consumidor com margens mais altas, de acordo com Ken Shea, analista da Bloomberg Industries.

“A Tyson ainda tem certo poder de fogo financeiro”, disse Shea em entrevista telefônica de Skillman, New Jersey. “Ambas as empresas estão dispostas a se estirarem um pouco por esse ativo. Sem dúvida o mercado acredita que a Tyson vai reagir com um lance mais alto”.

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