“Guerra cambial” travada pelo governo brasileiro teve efeito zero

Segundo professor, caso as medidas para conter apreciação do real não forem eficazes poderão ser piores do que se não tivessem sido adotadas

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SÃO PAULO – A “guerra cambial” que o Brasil anunciou em 2010 contra o excesso de valorização do real, enquanto o Federal Reserve irrigava o mundo de dólares, teve efeito nulo, conforma avalia um estudo do acadêmico Michael Klein, da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, publicado no Financial Times nesta terça-feira (18).

Segundo Klein, em seu estudo intitulado Capital Controls: Gates and Walls, com uma nova rodada de estímulos do Fed  – a chamada QE3 -, os resultados de uma eventual tentativa de controle da valorização de uma moeda ficam a zero.

Países “muros” e países” portões”
O acadêmico explica que há uma grande diferença entre as medidas que visam conter a apreciação de uma divisa no longo prazo – como é o caso da China e da Índia – e as que tentam evitá-la para curto e médio-prazos, adotadas pelo Brasil após o ápice da turbulência financeira de 2008. As de longo prazo ele chama de “muros” e as de curto prazo, as denomina como “portões”. “Muros funcionam; portões, não”, enfatizou.

Klein diz que episódios de controle são menos eficazes do que medidas de prazo maior porque, em primeiro lugar, a evasão de divisas é mais fácil de acontecer nesses países, já que são mais inexperientes em relação ao controle do forte fluxo de capital do que os chamados países “muros”.

Adicionalmente, ele diz que países que têm controle maior sobre o capital que circula nele, também tende a ter seus mercados financeiros menos desenvolvidos e poucas chances para evasão de divisas, pois oferecem poucas rotas para essa fuga.

Brasil x China
Na comparação com os dois países, Klein diz que há uma clara visão de que o controle da paridade da moeda na China é importante para o governo segurar baixa a cotação do yuan. “O Brasil foi bem sucedido nas medidas de contenção da apreciação do Real? A resposta é não”, perguntou e ele mesmo respondeu. Ele acrescenta que casos como o da China e da Índia surtem melhor efeito do que economias historicamente mais abertas, como o Brasil, que não tem a cultura de controle do Real.

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Outros países que ele cita como exemplos de medidas de curto prazo que só tiveram efeitos paliativos são Coreia do Sul, Peru e Tailândia, que apenas acalmaram os mercados, mas não tiveram resultados profundos em frear a valorização de suas divisas.

Ele ressalta, contudo, que apesar de haver um consenso de mercado de que ações de curto prazo não são muito eficientes, há correntes que alegam que essas medidas podem conter a forte volatilidade nos mercados.

Klein defente, porém, que essas ações de longo prazo têm um efeito expressivo no crescimento desses países, associados com vulnerabilidades dos mercados.”Países com longo período de controle têm forte evolução anual, mas pode ser uma coincidência que isso não seja sustentável para crescimentos por tempos maiores”, frisou.

De acordo com o professor, nas palavras do ministro da Fazenda, Guido Mantega, essas medidas devem ser usadas em períodos de tumor. Ele enfatiza, contudo, que caso elas não forem eficazes, porém, poderão ser piores do que se não tivessem as adotado.