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SÃO PAULO – As principais bolsas do mundo vivem nesta quarta-feira (22) um pregão de perdas, muito em função de uma esfera corporativa desfavorável, tomada pela divulgação de resultados trimestrais. Juntando-se à United Airlines e ao Wachovia, a Boeing apresentou há pouco seus balanços, desapontando projeções.
A companhia somou no terceiro trimestre deste ano um lucro líquido de US$ 695 milhões, muito abaixo do US$ 1,11 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. Calculado por ação, o lucro equivale a US$ 0,96 por papel da Boeing, ao passo que as apostas dos analistas giravam em torno de ganhos de US$ 1,10.
Outro demonstrativo contábil da empresa a ter registrado piora na comparação com 2007 foi sua receita líquida, que caiu 7,4%, para US$ 15,3 bilhões. Refletindo tais números negativos, as ações da Boeing marcam queda superior a 4% nesta manhã, aprofundando sua desvalorização acumulada no ano para mais de 50%.
Greve e projeções
De acordo com a Boeing, seu desempenho trimestral foi impactado principalmente pela greve conduzida por 27 mil funcionários de seu quadro de mão-de-obra. A paralisação custou à empresa uma queda de 23% nas entregas de jatos no terceiro trimestre deste ano.
E o movimento deve continuar impactando a performance da companhia nos últimos três meses deste ano, uma vez que trabalhadores e companhia ainda se encontram longe de chegarem a um consenso. A greve dos funcionários da Boeing já dura sete semanas e, além do impacto sobre o desempenho contábil e dos papéis da empresa, atrasa também a atualização de projeções.
A Boeing afirmou que atualizará suas expectativas para o desempenho deste ano e de 2009 somente quando a greve terminar, uma vez que os danos contábeis poderão ser devidamente levantados e calculados. Em julho, a companhia disse prever um lucro de US$ 5,70 a US$ 5,85 por ação em 2008, ao passo que, para o ano que vem, o intervalo esperado é de US$ 6,80 a US$ 7,00.