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A Grendene (GRND3) apresentou seus resultados do quarto trimestre de 2025 na noite desta quinta-feira (5). A companhia teve lucro líquido recorrente de R$ 286,1 milhões no quarto trimestre, com queda de 17,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No acumulado de 2025, o lucro líquido recorrente totalizou R$815,9 milhões, crescimento de 2,4%, sustentado principalmente pelo desempenho do resultado financeiro, beneficiado pelo elevado nível de caixa e pelo patamar mais alto das taxas de juros.
“O desempenho do trimestre não foi muito diferente do observado no resto do ano: muito difícil para fazer negócio”, afirmou Alceu Albuquerque, CFO da Grendene, em entrevista ao InfoMoney. O executivo afirmou que a combinação de juros elevados, inflação mais alta e alavancagem das famílias, reduzindo as compras, foram fatores que dificultaram as operações da Grendene neste ano.
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Além disso, outros aspectos somados ao cenário desafiador, como fatores climáticos e competição com produtos importados também foram determinantes para os números da calçadista.
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A companhia encerrou o trimestre com receita líquida em R$ 705,1 milhões no 4T25, queda de 18% na comparação ao 4T24, acompanhando redução de 19,8% no volume de pares comercializados. Segundo a Grendene, a menor diluição dos custos industriais, decorrente da queda de volumes, pressionou a rentabilidade operacional.
“Quando o volume não vem, impacta diretamente já na margem”, afirma Albuquerque. A queda nos números do quarto trimestre é mais significativo por se tratar de um dos trimestres de maior vendas anuais pelo calor, assim como terceiro trimestre.
O EBIT recorrente totalizou R$122,5 milhões no trimestre, recuo de 43,7% na comparação anual, enquanto a margem EBIT recorrente atingiu 17,9%. Mesmo diante da retração operacional, a companhia seguiu com avanço consistente do preço médio dos produtos.
A receita bruta por par cresceu 9,4% no trimestre e 18,3% no acumulado de 2025, impulsionada por ajustes de portfólio e pela maior participação de produtos de maior valor agregado.
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A companhia explica que o mercado doméstico, o desempenho foi impactado pela maior seletividade do consumo e por uma postura mais cautelosa do varejo na recomposição de estoques, especialmente ao longo do segundo semestre.
Já no mercado externo, o quarto trimestre foi marcado por ajustes pontuais de embarques e instabilidades em mercados específicos, embora as exportações tenham apresentado crescimento no acumulado do ano, com destaque para a América Latina.
Ao final de 2025, a Grendene manteve estrutura financeira sólida, elevada liquidez e baixa alavancagem, garantindo flexibilidade para atravessar ciclos mais desafiadores de consumo e aproveitar oportunidades de crescimento nos mercados em que atua.
“2026 será talvez mais desafiador que 2025, mas projetamos crescimento de receita, de volume e de margens”, afirma o CFO. Entre as iniciativas e considerando que a Grendene não tem dívida, o que é raro no setor, o ganho de eficiência tem sido buscado por ajustes internos e revisões de contratos.
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