Grécia precisa de mais tempo e Espanha deve pedir ajuda

Segundo diretor-geral do IIF, a Grécia precisa de pelo menos mais dois anos para pagar o acordo de ajuda de 130 bilhões de euros

Publicidade

SÃO PAULO – A Grécia deveria ter taxas mais baratas em seu acordo de ajuda de € 130 bilhões e, pelo menos, mais dois anos da UE (União Europeia) e do FMI (Fundo Monetário Internacional) para pagá-los, afirmou nesta terça-feira (18) o diretor-geral do IIF (Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês), Charles Dallara.

Mas termos melhores só podem surgir depois que Atenas mostrar resultados em seus compromissos de reforma fiscal, disse Dallara em entrevista durante viagem a Pequim.

“Uma vez que isso esteja feito, e eu estou confiante de que será, a Europa e o FMI devem agir rapidamente para ampliar o período de ajuste para, pelo menos, dois anos, e fornecer o modesto apoio financeiro adicional para que essa extensão seja efetiva”, disse Dallara.

“Apenas cerca de € 15 bilhões a € 20 bilhões são necessários. Isso pode ser facilmente concretizado em parte reduzindo as taxas de juros dos empréstimos que a Europa e o FMI fizeram à Grécia com mais termos de concessão”, continuou ele, acrescentando que as respostas para a crise da dívida grega concentraram-se demais em austeridade de curto prazo e não o suficiente em melhorar a competitividade do país no longo prazo.

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, liderando o país no quinto ano de recessão num momento de alto descontentamento do povo, disse anteriormente que quer mais dois anos para implementar as reformas ligadas ao pacote de ajuda para amenizar seus impactos.

Veja mais: Receio com Espanha e realização de lucros fazem bolsas europeias caírem

Continua depois da publicidade

Atenas, onde a crise da dívida europeia começou há três anos, foi incentivada por uma decisão de dar a Portugal -também beneficiário de um pacote de empréstimo internacional – mais tempo para atingir as metas fiscais, uma vez que a recessão tirou a capacidade de Lisboa de cumpri-las.

Dallara elogiou ainda o compromisso do BCE deste mês de lançar um programa potencialmente ilimitado de compra de títulos para diminuir os custos de empréstimo de países da zona do euro em dificuldade, numa tentativa de acabar com a crise da dívida, mas disse que havia risco de fracasso.

“O anúncio feito pelo BCE foi muito audacioso por um lado, mas se tornará zero, nada, a menos que Espanha ou Itália peçam a aprovação da UE e do FMI para um programa econômico”, disse ele.

Continua depois da publicidade

“Na falta de uma negociação de um programa de reforma que é aprovado pela Comissão Europeia, o apoio potencial massivo do BCE continuará apenas como potencial e não irá se materializar”, afirmou.

A Espanha disse a ministros das Finanças da zona do euro na semana passada que irá determinar prazos claros para reformas estruturais até o final do mês, em uma ação que diplomatas europeus disseram que irá abrir caminho para um pedido de ajuda em breve para o país lidar com sua dívida.

Veja mais: Sentimento do investidor alemão em setembro melhora após medida do BCE