Grécia, Espanha e risco elevado pressionam mercados acionários

Ibovespa deve seguir trajetória internacional, sugere LCA; Espanha confirma recessão e paga mais caro para se financiar

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SÃO PAULO – Nos minutos iniciais dessa quinta-feira (17) parecia que os mercados esboçariam alguma reação, já que o PIB (Produto Interno Bruto) do Japão surpreendeu positivamente e levou as bolsas da Ásia ao campo positivo. Mas as tensões com relação ao futuro da Zona do Euro continuam, e os índices acionários por lá mais uma vez registram queda.

Para a equipe da LCA Consultores, a manhã sinaliza para um pregão negativo por aqui, onde a temporada de resultados praticamente chegou ao fim, com nenhum resultado de relevância a ser divulgado nessa data. Segundo eles, o índice acompanhará o fraco desempenho dos mercados futuros nos EUA, dos europeus e dos preços das commodities.

“O agravamento da crise na Europa e o aumento do temor de contágio para Portugal e, principalmente, Espanha, pesam sobre os mercados de risco”, escrevem em relatório. Assim, não é de se estranhar se o Ibovespa acumular o oitavo pregão consecutivo de queda.

Por aqui, indicadores de inflação mostraram comportamentos opostos – com o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) mostrando recuo na passagem anual, enquanto o IGP-10 praticamente dobrou no mesmo período. Portanto, o mercado nacional deve ficar ao sabor do noticiário externo. 

BCE, Grécia e reações políticas
A cada dia que passa a preocupação sobre uma saída grega do bloco da moeda comum aumenta. Na véspera, o BCE (Banco Central Europeu) divulgou à imprensa internacional que interrompeu as operações com insituições financeiras da Grécia até que estas estejam recapitalizadas, o que azedou os mercados na ocasião. No entanto, James Nixon, do Société Générale, vê um certo exagero nessa notícia. “O EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) deve providenciar o capital necessário nos próximos quatro dias e o problema será resolvido”, escreve em relatório.

Entretanto, políticos ao redor da Zona do Euro reforçam em declarações a importância da Grécia permanecer no bloco, mas parecem indicar que o país não será mantido a qualquer custo. Enquanto isso, Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), alerta para os custos de uma saída do país. Custos esses “extremamente caros”, tanto para a Grécia quanto para os outros países do bloco.

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Espanha em recessão e risco continua a aumentar
Para agravar a situação, a Espanha confirmou a queda de 0,3% da economia no primeiro trimestre do ano. Assim, a recessão agora é oficial. “Mais preocupante para a economia espanhola, as exportações caíram pelo segundo trimestre consecutivo, guiado por um declínio de 5% nas exportações de serviços”, escreve James Nixon, o qual ainda prevê uma retração de 1,7% no PIB do país neste e no próximo ano. Nesse cenário, a aversão ao risco se incrementa por lá, o que pode ser visto no mercado de títulos públicos.

Em leilão, o Tesouro do país conseguiu captar os 2,5 bilhões de euros que pretendia, com a colocação de papéis para 2015 e 2016, mas teve que arcar com o pagamento de uma rentabilidade muito mais alta que na emissão anterior. No mercado secundário, a trajetória para os títulos espanhóis também é de alta, caminhando para o nível mais alto desde novembro do ano passado, quando os temores de um calote grego se intensificavam.

Ainda por lá, o setor bancário também se torna uma preocupação recorrente. Desta vez, a notícia do jornal espanhol El Mundo de que o Bankia, recentemente nacionalizado, viu € 1 bilhão sair das contas desde a semana passada. As ações da instituição desabam mais de 26% nessa sessão.

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EUA podem mudar o pregão
Entretanto, o rumo dos mercados ainda pode sofrer alguma alteração conforme indicadores econômicos são divulgados. Nos EUA serão conhecidos o número de pedidos de auxílio-desemprego da semana, assim como o Leading Indicators (que compreende vários índices já divulgados) e a atividade industrial na região de Filadélfia.