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SÃO PAULO – Ainda deve levar algum tempo para que os investidores possam abrir as páginas do noticiário político e econômico sem um frio na barriga. Na primeira semana de julho, a Grécia saiu das manchetes após a aprovação de seu plano de resgate, mas foi substituída por Portugal, que teve a nota de classificação rebaixada pela Moody’s. Nos Estados Unidos, os indicadores de emprego no setor privado chegaram a animar, mas foram traídos pela criação de 18 mil empregos em junho, contrariando as projeções de 80 mil novas vagas.
As tensões acerca do endividamento de países periféricos da Zona do Euro, como Itália e Irlanda, foram reacendidos pelo corte da nota portuguesa, ao mesmo tempo em que a recuperação norte-americana mostrou-se ainda mais frágil. Por aqui, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) voltou a desacelerar em junho, mas com um arrefecimento menor do que o esperado. “Grandes problemas continuam sem uma grande solução e a única certeza que podemos ter no curto prazo é a volatilidade”, diz o estrategista-chefe da Cruzeiro do Sul Corretora, Jason Vieira.
Cenário doméstico: inflação e resultados corporativos
O momento de cautela macroeconômica tende a afetar também a temporada de balanços do segundo trimestre de 2011 no País, alerta o analista de investimentos do banco Geração Futuro, Lucas Brendler. As divulgações serão iniciadas na quarta-feira (13), pela Localiza (RENT3). Os dados financeiros tendem a refletir mais fortemente os movimentos do governo para a conter a inflação, por meio da elevação dos juros, mas a demanda interna continua a pesar favoravelmente, explica Brendler.
A inflação domina a agenda de indicadores local. A expectativa é de que a taxa Selic seja novamente elevada em 0,25 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na próxima semana, um aumento que não significaria o fim do ciclo de aperto monetário, ao contrário do projetado pelo Relatório Focus para o final deste ano. Brendler afirma que o aumento da Selic em julho já está precificado e podem ser feitos outros 3 ajustes adicionais até o final de 2011.
Segundo os consultores da LCA, o alívio da pressão inflacionária é temporário e acontece principalmente em função da “descompressão das cotações internacionais das commodities”. O alívio proveniente das matérias primas básicas, por sua vez, estaria acontecendo por conta da “diluição de choques de oferta” e da queda na demanda global por esse tipo de produto.
Serão reportados a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) na segunda-feira (11), e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe no pregão seguinte. As vendas no varejo em maio, calculadas pelo IBGE, completam o ranking dos indicadores locais mais importantes para a semana entre 11 e 15 de julho, e serão reportadas na terça-feira, com expectativa de aumento de 5,5% na passagem anual e de 0,3% na comparação entre abril e maio.
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Agenda norte-americana ganha força no final da semana
As atenções concentradas no Brasil no início da semana, passam para os Estados Unidos no final do período, com destaque para a balança comercial, na terça-feira, e os preços ao produtor e pedidos de auxílio-desemprego, na sexta-feira. Na semana após a divulgação do payroll, a agenda norte-americana costuma ser mais modesta, lembra Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul.
O estrategista afirma que, a despeito da pequena criação de empregos em junho, os dados do ADP Employment Report – que compreendem as contratações no setor privado da economia norte-americana – estão mais direcionados ao desempenho do mercado de trabalho no mês seguinte do que ao período anterior ao apurado, podendo trazer uma expectativa mais positiva para a criação de vagas daqui para frente. Vieira acrescenta que dados industriais sugerem a recuperação da economia dos EUA, enquanto o retorno da produção manufatureira no Japão pode ser benéfica para os dados de julho.
Volatilidade é unânime
Os ajustes fiscais ainda tendem a respingar em outros países da Zona do Euro, inspirando cautela na semana. Por aqui, seguem os baixos volumes e a menor atratividade da renda variável diante dos seguidos aumentos da taxas de juros. Desta forma, o mercado segue incerto e sujeito às operações de curto prazo, diz o analista da Geração Futura.
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Vieira, por sua vez, reitera a tendência volátil para o período, enquanto os investidores seguem divididos entre a elevação da taxa de juros e o desempenho das bolsas externas, que ainda ditam o tom do mercado doméstico, conclui.