Gráficos

Grafista norte-americano explica a importância do candlestick na análise técnica

Greg Morris também ressalta os suportes e resistências, os indicadores técnicos e brinca sobre a “eficiência” do Fibonacci

Por  Thiago Salomão -

SÃO PAULO – O especialista em candlesticks Greg Morris, autor do livro “Candlestick Charting Explained”, falou em sua apresentação na Expo Money nesta quinta-feira (22) sobre o assunto que lhe fez tão conhecido. Estudioso há 30 anos, Morris falou o que ele acredita que o investidor precisa saber – e também evitar – sobre candlesticks, ressaltando ainda que análise das velas não pode ser vista de forma isolada na hora de tomar decisões sobre investimentos.

Desenvolvido pelos japoneses no século XIX, o candlestick leva esse nome pelo seu formato retangular e traços que lembrar velas. A essa região retangular é dada o nome de corpo, onde compreende em cada uma das extremidades o preço de abertura e o preço de fechamento. Os preços superiores ou inferiores à abertura ou ao fechamento são marcados no candle com um traço fino, chamado de sombra do candle.

Durante sua apresentação, Morris disse que o investidor não precisa decorar o nome de todas as combinações e formações de candlesticks existentes, desde que entenda o significado de cada vela formada no gráfico. “O tamanho do corpo do candle revela o sentimento [do mercado] e o tamanho da sombra revela a volatilidade”, explica o grafista.

Através dessa explicação, ele mostrou que, quanto mais corpo e menos sombra um candle possui, mais forte ele é. É o caso do marobozu, que praticamente não possui sombras em nenhuma das extremidades – ou seja, as cotações de abertura e fechamento coincidem com a máxima e a mínima do dia. Por outro lado, o long legged doji – que possui longas sombras para as duas direções e um corpo bastante fino – é o que possui o maior padrão de indefinição dentre os candles existentes.

Candlestick não é tudo

Mesmo ressaltando a importância do estudo das velas na análise técnica, Morris alerta que isso não pode ser o único fator preponderante para a tomada de decisões na hora de investir. Para aumentar os níveis de acertos nos trades, o grafista norte-americano recomenda a combinação dos candles com indicadores técnicos, destacando entre eles o estocástico.

Além dos indicadores, Morris também enfatiza a importância dos suportes e resistências do gráfico, áreas que concentram uma forte pressão de vendedores e compradores, respectivamente. Assim, um candlestick de reversão formado sobre uma importante resistência ou suporte dá mais credibilidade à uma possível reversão de tendência.

Ignore os haramis e não confie no Fibonacci

Como todo grafista, Greg Morris também gosta de dar declarações um tanto polêmicas quando questionado sobre certos assuntos. Durante sua apresentação, ao apresentar a definição de engolfos e haramis, o Morris foi enfático ao dizer: “ignore todos os haramis!”. Para ele, essa combinação de candles tem mais chances de falhar do que trazer ganhos. “Eu prefiro muito mais os engolfos”, complementa.

Já ao final da apresentação, ao ser indagado sobre a adoção das projeções de Fibonacci na análise técnica, Morris se limitou a dizer que “Fibonacci era um matemático”. Depois, complementou dizendo que, embora tenha diversos amigos que operam seguindo as projeções de Fibo, ele não considera muito confiável acreditar em retrações sempre calculadas nas mesmas relações percentuais – 0%, 38,2%, 50%, 61,8% e 100%. “Se você pegar um movimento de alta e traçar essas retas, você vai achar muitos pontos espalhados no gráfico. Algum deles tem que acabar dando certo”, brincou Morris ao final da apresentação.

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