Bloco Cripto

Gráficos vs. fundamentos: qual a melhor estratégia para analisar o Bitcoin?

Fernando Ulrich e Rodrigo Miranda mostram como usar a análise técnica e a fundamentalista e dão dicas para os investidores

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SÃO PAULO – No mercado financeiro em geral existem diferentes formas de se avaliar um ativo. O que mais se vê são especialistas divididos entre a análise fundamentalista e técnica e que nem sempre enxergam a mesma coisa. Nas criptomoedas não é diferente, e como este é um mercado mais novo e mais volátil, ainda se discute muito qual a melhora forma de se acompanhar.

No mais recente programa Bloco Cripto, dois analistas de linhas diferentes se uniram para mostrar que é possível – e bom – unir um pouco de cada linha de análise na hora de acompanhar os preços do Bitcoin.

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Fernando Ulrich, analista-chefe da XDEX, prefere seguir o lado mais fundamentalista: “No caso de criptomoedas eu procuro entender como está a tecnologia, como estão os desenvolvimentos do momento, como está a saúde da rede, do ecossistema. E também como está o mercado tradicional, como os banco centrais estão conduzindo a política monetária, como o cenário global pode acabar repercutindo de forma positiva, ou não, na cotação do Bitcoin e das demais criptos”.

Já o coach neurofinanceiro Rodrigo Miranda diz que prefere usar os gráficos, mas que a análise fundamentalista é um “acessório” para ele. “Hoje eu vejo muitas pessoas debatendo o que é melhor, a análise fundamentalista, o hold, o longo prazo, ou o curto prazo? Eu acredito que você tem que ter uma estratégia muito bem definida. Uma parte tem que estar no longo prazo, mas uma parte você pode especular no curto prazo, para você aproveitar oportunidades”, afirma.

Sobre a questão do tempo para se ficar com um ativo, especialmente em criptoativos, Ulrich acredita que nem sempre o “buy and hold” (comprar e segurar) é a melhor estratégia. “Em dado momento, o mercado pode estar esticado, e isso a análise técnica e alguns indicadores podem indicar, você pode chegar a conclusão ‘opa, o mercado se excedeu’. Você até pode fazer buy and hold, mas vai ser pra daqui uns 10 anos”, explica o analista ressaltando que algumas vezes o melhor é “vender, esperar para depois comprar e segurar”.

Bitcoin a US$ 100 mil?

Mesmo com tanta análise, estudos cuidadosos de gráficos e cenário, muitos investidores se focam bastante no preço. Para Ulrich, o Bitcoin é um ativo difícil de valorar, já que não tem rendimento, fluxo de caixa ou resultados para se acompanhar. “É uma commodity, assim como o ouro, que também não tem uma metodologia consagrada de análise”, afirma.

“A gente olha o valor do mercado total de ouro, que está na casa de US$ 8 trilhões. Se imaginar que 5% disso migre para o Bitcoin, isso colocaria ele acima de US$ 20 mil. Será que é um preço possível? Para mim é plenamente factível”, explica o analista.

“E eu diria mais, dado tudo que está acontecendo no mundo, com um cenário de mais afrouxamento monetário pelos BCs, eu digo que enquanto o preço não chegar em US$ 100 mil, eu não reviso as minhas premissas. Acho que não vai chegar este ano, mas é possível nos próximos anos? Acho que é”, conclui Ulrich.

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Já no caso dos gráficos, Miranda fala em uma figura chamada retração de Fibonacci. Segundo ele, “se [o preço do Bitcoin] romper os US$ 20 mil, os próximos alvos estão entre US$ 30 e US$ 32 mil. Depois US$ 45 mil, US$ 60 mil e por aí vai”, avalia.

Para o coach, o ideal é o investidor ir realizando parte dos lucros para mitigar possíveis perdas. Ele lembra de quando a criptomoeda caiu para a casa de US$ 3 mil no início deste ano, com ele vendo nos gráficos um caminho até US$ 7 mil. Quando o Bitcoin chegou em seu alvo, ele realizou cerca de metade do lucro. “Quando você faz isso, depois pode usar este lucro para fazer operações pontuais, como day trade ou swing trade, enquanto o resto segue investido com uma meta de médio e longo prazo”, afirma.

Veja também: Trader de Bitcoin ensina a trabalhar a mente para ganhar mais e perder menos

“Os gráficos estão fazendo movimentos parecidos com o que ocorreu em 2012/2013 e 2015/2016, e se isso se repetir mesmo, podemos ver o Bitcoin rompendo os US$ 20 mil”, avalia. “E aí vai acontecer igual em 2017, com o famoso FOMO (Fear of Missing Out). As pessoas precisam entender que a melhor hora de entrar é quando ninguém quer, não na euforia”, alerta Miranda.

As dicas para operar Bitcoin

Por fim, os dois especialistas deram algumas dicas aos investidores aplicarem melhor no mercado de criptomoedas. Miranda destaca a hora de saber que o cenário mudou, lembando da máxima da análise técnica: “não opere contra a tendência”. “É preciso ter humildade para saber que se você estava seguindo uma estratégia, mas o mercado está fora [da realidade], você precisa mudar”.

“As vezes a pessoa entra no day trade, aí o mercado começa a cair e ele transforma aquilo num swing trade, depois continua caindo e ele fica em hold”, brinca Miranda.

Já Ulrich reforça que o investidor precisa “saber quanto investir”, avaliar qual seu capital disponível para isso e não investir em Bitcoin pensando no curto prazo, querendo dinheiro fácil para comprar alguma coisa ou enriquecer em um dia. “Entrar no mercado da forma correta já é um grande passo de sucesso para evitar uma perda. Se ele errar, virar torcedor do ativo e não investidor”, afirma o analista.

Por fim, a dupla diz que é preciso mudar o psicológico, criar o hábito do investimento. “É difícil a pessoa entender que se os preços estão subindo muito, significa que agora não é hora de comprar”, diz Ulrich. Para eles, uma das grandes vantagens das criptomoedas é o investidor poder começar com pouco dinheiro, já que não existe um valor mínimo para se aplicar. “Você pode colocar pouco, mas só de começar a investir você já está mudando seus hábitos, e este é o início de uma vida financeira melhor”, conclui Miranda.

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