GPA: Coelho Diniz atingem fatia de 24,6% e ação dispara 9%; o que muda para PCAR3?

Família Coelho Diniz tornou-se a maior acionista da varejista e pediu convocação de assembleia para escolha de novo conselho

Felipe Moreira

Em seus dois aplicativos, o Grupo Pão de Açúcar já acumula 82% de penetração entre os clientes de suas lojas. Foto: Divulgação
Em seus dois aplicativos, o Grupo Pão de Açúcar já acumula 82% de penetração entre os clientes de suas lojas. Foto: Divulgação

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O GPA (PCAR3) anunciou que a família Coelho Diniz alcançou uma participação de 24,6% na companhia, tornando-se a maior acionista, à frente do Casino, com 22,5%. A família protocolou um pedido para convocar uma assembleia geral extraordinária de acionistas com os objetivos de dissolver o atual conselho de administração e eleger um novo colegiado que represente melhor a estrutura acionária atual.

Vale lembrar que a família não pode continuar comprando ações, pois já se aproxima do limite de 25% previsto na cláusula de “poison pill”, mecanismo que impede que um acionista adquira participação maior que um determinado percentual para evitar tentativas de controle hostil da empresa. Com o mecanismo da poison pill, esse acionista se vê obrigado a fazer uma oferta pública de aquisição da empresa, comprando todas suas ações em circulação e pagando um prêmio aos atuais acionistas.

Na sessão desta segunda-feira (25), os papéis PCAR3 saltaram 8,98%, a R$ 3,52.

Não perca a oportunidade!

O JPMorgan projeta que as ações do varejista devem apresentar maior volatilidade no período que antecede a assembleia extraordinária, ainda sem data definida, em razão da complexidade da governança desde a eleição de maio de 2025.

O banco americano ressalta que renúncias recentes de membros do Conselho Fiscal, citando falta de informações e desalinhamento de interesses, bem como divergências internas sobre a velocidade de implementação dos ajustes operacionais e da estratégia de longo prazo, contribuem para esse cenário.

Considerando a assembleia de maio de 2025 como referência, o JPMorgan avalia que as ações PCAR3 poderiam registrar desempenho acima da média nesse período, à medida que diferentes grupos buscam comprar ações para garantir a eleição de membros do conselho, em um contexto de alto short interest (25% do free float). O short interest representa o percentual de ações em circulação que estão alugadas ou vendidas a descoberto no mercado, ou seja, apostando na queda do papel.

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O banco também destaca que, embora não haja detalhes adicionais sobre possíveis mudanças estratégicas, a alta alavancagem de 5,2 vezes Dívida Líquida Ajustada/EBITDA, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (2T25) segue como ponto de atenção. Com as ações negociando a 5,6 vezes EV (valor da firma)/EBITDA estimado para 2026, o JPMorgan mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para a GPA.

A Genial, por sua vez, comenta que o avanço da família Diniz sinaliza maior influência na governança do GPA, podendo alterar os rumos estratégicos da companhia.

Segundo a gestora, a tentativa de alinhar participação acionária e representatividade no Conselho pode trazer mais estabilidade e foco à gestão, mas também gera incerteza de curto prazo até a eleição dos novos conselheiros.

A Genial manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 3,50.