Análise da varejista

GPA (PCAR3): analistas destacam margens comprimidas e companhia reforça comprometimento com lucratividade

Executivos do GPA destacaram em teleconferência que o grupo vem focando nas áreas que se mostraram promissoras

Por  Vitor Azevedo

O GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, realizou nesta quinta-feira (28) sua teleconferência de resultados, após divulgar seu balanço trimestral na noite de ontem – no qual analistas destacaram, principalmente, desafios de rentabilidade da varejista. No encontro com analistas, executivos do banco focaram, então, em divulgar como pretendem remediar esse problema.

“A companhia reportou mais um trimestre de resultados fracos, mesmo com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ligeiramente acima de nossas estimativas”, comentaram os analistas da XP em relatório. “A rentabilidade continua pressionada pelo cenário macro e ajustes que estão sendo feitos em seu modelo de negócios pós-Extra”, explicam.

No final do ano passado, a companhia anunciou sua saída do segmento de hiper mercados, vendendo 71 lojas Extra Hiper para o Assaí (ASAI3) e anunciando que converteria ou venderia outras 32 lojas.

O Ebitda ajustado do GPA ficou em R$ 706 milhões, recuando 8,9% na base anual. A receita, por sua vez, cresceu 9,4% no ano, para R$ 10,1 bilhões.

“Em uma visão consolidada, vemos os resultados do GPA como neutros, visto que já esperávamos um impacto em rentabilidade na operação do Brasil”, pontuaram os analistas da Eleven, que destacaram ainda as maiores despesas financeiras, por conta da alta dos juros. “Reforçamos, no entanto, nosso olhar positivo, pois entendemos que a companhia está no caminho certo ao focar nos modelos de proximidade e conveniência”.

A XP também destacou a performance deste último braço, bem como do braço digital. “As vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do Pão de Açúcar minuto continua crescendo em duplo dígito, com melhor mix de produtos e desempenho digital mais forte”, pontuaram.

A Eleven tem recomendação de compra para as ações ordinárias do GPA, com preço-alvo em R$ 28. A XP está neutra para os papéis, com preço-alvo em R$ 23.

GPA quer focar em supermercados de proximidade, no digital e em logística

Apesar de ter frustrado levemente em seu balanço, a companhia pretende continuar a avançar, justamente, nas partes que foram destacadas como positivas pelos analistas.

Em teleconferência de resultados, os executivos do GPA destacaram que o grupo vem focando nas áreas que se mostraram promissoras, além de estar se desfazendo das “heranças” dos hipermercados extras.

“Para expansão no curto prazo, vemos uma oportunidade maior nas lojas de proximidade, principalmente no estado de São Paulo”, comentou Marcelo Pimentel, diretor executivo (CEO) do GPA em teleconferência realizada nesta quinta. “Estamos comprometidos para expansão da frente premium e do Minuto Pão de Açúcar. Vemos que há possibilidade de expansão nos dois formatos”.

Segundo o executivo, essas unidades de negócio vêm mostrando bons resultados por permitirem a cobrança de melhores preços do clientes – nas unidades de proximidade, o Pão de Açúcar oferece a facilidade de compra, com unidades situadas em lugares estratégicos, e no segmento premium, uma maior qualidade dos produtos.

“No Minuto Pão de Açúcar temos lojas em ambientes de passagem e em bairros. No primeiro grupo temos melhores margens, com o público gastando por impulso. Em bairros, a alavancagem é esperada através dos perecíveis (padaria, açougue, hortifruti)”, explicou Pimentel.

Além disso, a aposta do GPA é continuar focando na expansão digital. O grupo está, por exemplo, expandindo os horários de entregas de pedidos online para além das 18h e também aos sábados e domingos, além de estar começando a permitir vendas pelo WhatsApp.

A utilização dos dados gerados pelos aplicativos do Pão de Açúcar também são apostas para a expansão de margens, em um momento de cenário macroeconômico mais desafiador.

“Vimos um crescimento do número de clientes e de fluxo, mas com menor tíquete médio”, explicou Pimentel. Para remediar isso, afirmou ele, a companhia vem trabalhando de forma conjunta com análise de dados e marketing. “Nosso foco hoje é colocar um produto a mais na cesta do cliente que visitou nossa loja. Nós estudamos os clientes através do trabalho que fazemos de CRM (Pão de Açúcar Mais), onde nós não apenas oferecemos ofertas genéricas mas também personalizadas”

Por fim, a companhia trabalha também em uma reestruturação comercial e logística, após o fim dos hipermercados. No segundo trimestre, o GPA converteu 12 mercados (Extra e Compre Bem) em Pão de Açúcar e até o final do semestre esperam converter 24 unidades.

“Estamos com um trabalho intenso, com parceria dos nossos fornecedores, no que tange modelo de logística e comercial, agora sem hipermercados. Vamos continuar trabalhando na redução estrutural do estoque, para ele ser mais otimizado. Temos um pouco ainda por conta do passivo de estoque do Extra, que vem reduzindo gradualmente”, disse o CEO.

Oportunidade de compra? Estrategista da XP revela 6 ações baratas para comprar hoje. Assista aqui.

Compartilhe